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Política

Soja brasileira registra queda de 1,53% em um único dia

3 min de leitura
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Esse movimento é oposto ao registrado na Bolsa de Chicago onde, no mesmo dia, a cotação do grão avançou 1,7%. O ganho internacional se deu após o USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) mostrar que o ritmo de colheita da soja norte-americana está bem abaixo da média dos últimos cinco anos.

Dólar em queda, real em valorização e volatilidade das eleições pressionam preço da soja brasileira nos portos; grão registra queda em Paranaguá, PR, e volta a operar em R$ 155 a saca.

A desvalorização começou antes mesmo do primeiro turno das eleições e ganhou ainda mais força esta semana impulsionada pela queda recente da moeda norte-americana e pelo ritmo dos negócios no cenário doméstico.

Segundo a analista de mercado da Biond Agro, Yedda Monteiro, a formação do preço da soja no Brasil depende de três pilares: Bolsa de Chicago, prêmio de exportação e câmbio.

Quando o dólar sofre queda expressiva (como aconteceu esta semana após o resultado do primeiro turno das eleições) a conversão do preço internacional da soja para reais perde força.

A soja é uma commodity que é precificada internacionalmente e em dólar", explica a analista.

O mercado internacional não teve força suficiente para compensar a forte queda do dólar. Ou seja, sem a alta a Chicago o recuo brasileiro poderia ser ainda maior.

Quando a gente olha apenas o preço da soja em Chicago, podemos ter a impressão de que o mercado brasileiro deveria estar mais estável ou até um pouco mais firme.

Mas o produtor vende em reais, e com isso, quando um câmbio recua dessa maneira, 4% em uma sessão, também acaba sendo pressionado", aponta.

Os prêmios de exportação no Brasil mantiveram-se firmes, oferecendo algum suporte, mas "uma parcela importante dessa valorização deixa de chegar no prêmio em reais por conta do dólar mais baixo, menos valorizado aqui internamente", complementa Yedda.

Com a retração nas cotações internas a comercialização, neste início desta semana, tem sido lenta. Yedda aponta para negociações estimadas entre 50 mil a 100 mil toneladas.

De acordo com a analista da Biond Agro, o vendedor tende a ficar mais retraído diante da redução rápida dos preços em reais, enquanto o comprador não encontra necessidade de cobrir ofertas agressivas, já que o mercado internacional permanece relativamente estável.

Apesar do impacto negativo na receita imediata da safra atual, o cenário de dólar mais baixo traz um alívio temporário para o planejamento da próxima safra 2026/27 porque barateia as compras de insumos dolarizados, como fertilizantes e defensivos agrícolas, que vêm de safras historicamente mais caras.

Se o produtor ainda tem uma necessidade de compras, de garantia de insumos, de garantia de fertilizantes, essa é uma boa hora para garantir, diante do dólar mais baixo", recomenda a analista da Biond Agro.

Porém, para as próximas semanas, a recomendação é de atenção redobrada. O câmbio continuará sendo a variável principal impulsionado pela política e pelas estimativas futuras de discussões em torno da política fiscal.

Enquanto Chicago e prêmios não apresentarem movimentos robustos de alta a valorização do real deverá continuar limitando uma recuperação expressiva dos preços da soja no mercado doméstico", complementa Yedda.

Em números

  • Yedda aponta para negociações estimadas entre 50 mil a 100 mil toneladas
  • Da soja brasileira nos portos; grão registra queda em Paranaguá, PR, e volta a operar em R$ 155 a saca

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