O primeiro debate presidencial da eleição de 2026 aconteceu neste domingo (23) com apenas três candidatos: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
O número de participantes foi o menor num confronto inaugural desde 1989, quando as emissoras passaram a realizar eventos do tipo.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas, decidiram não comparecer. Romeu Zema (Novo) também anunciou desistência neste domingo, atribuindo a decisão à ausência dos dois favoritos e ao fato de a data anterior, na semana passada, ter sido alterada para que o presidente pudesse participar.
Como mostrou a coluna Painel, o debate seria uma das poucas oportunidades para o ex-governador de Minas Gerais aparecer na TV, uma vez que ele não tem direito a propaganda eleitoral.
O próprio convite a ele para o encontro foi uma concessão dos organizadores, uma vez que o candidato do Novo não tem obrigação de ser convidado, segundo a legislação.
Caiado e Renan reagiram à notícia da desistência do ex-governador de Minas Gerais. O candidato do PSD disse que não dá marcha a ré nem para trem carregado de dinamite.
Renan Santos também criticou o mineiro antes do encontro e, ao chegar à Band, mostrou uma fralda com os nomes de Lula e Flávio, em ironia ao que disse considerar uma covardia.
Na porta do evento, Augusto Cury chegou a anunciar que também desistiria do debate em protesto contra a ausência de oponentes. Ele chegou a entrar no carro, mas voltou ao estúdio e decidiu participar.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21), Lula lidera as intenções de voto no primeiro turno, com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, que marca 33%.
Caiado tem 5%, Renan Santos, 4%, Zema, 3%, e Cury, 2% —juntos, os três no debate somam 11 pontos.
Pablo Marçal (PRTB) não chegou a ser convidado para o evento e não poderia participar nem se isso tivesse ocorrido. Na quinta-feira (20), o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu, por unanimidade, impedi-lo de acessar o fundo eleitoral, participar de debates e aparecer no horário eleitoral gratuito enquanto a corte não julgar a validade do registro de sua candidatura.
A única eleição sem debate presidencial desde a redemocratização foi a de 1998. Fernando Henrique Cardoso, então presidente e favorito à reeleição, recusou-se a participar, alegando estar concentrado na crise econômica internacional que atingia o país.
Ao desistir de realizar os encontros, a Globo justificou que não concordava com a lei da época, que exigia a participação de todos os 12 candidatos —hoje, é preciso estar em partido com ao menos cinco representantes no Congresso.
Desde 1989, o menor quórum no debate presidencial inaugural do Brasil havia sido de quatro candidatos, em 2002 e 2010.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Poder, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.