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Corumbá - MS | Domingo, 1 de novembro de 2026 | 15:46

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Política

Esquerda quer regulação das redes e mobilização digital permanente após eleição de Lula

Campanha presidencial reacende debate sobre algoritmo e regras para plataformas

5 min de leitura
Política — imagem padrão

O engajamento digital da esquerda veio para ficar. Ao menos é o que garantem lideranças, influenciadores e o próprio presidente Lula (PT) diante da mobilização nas redes sociais na campanha de segundo turno das eleições.

  • Governo quer manter mobilização nas ruas e 'Exército do Lula' ativo.
  • Lula fará governo ousado para melhorar a vida do povo, mas terá responsabilidade fiscal, diz Fonteles.
  • Esquerda internacional importa 'cartilha' de Janones e usa o 'L' como símbolo antiultradireita.
  • Janones se diz estrategista digital por acaso e faz das redes e do caos sua sobrevivência na política.
  • Motta define com centrão proposta de reforma eleitoral e quer regular propaganda digital para conter PL.
  • Como a geração Z liderou a virada histórica de Lula.

O petista derrotou o adversário por 51,8% dos votos, ante 48,2%, sendo o primeiro presidente do país a vencer uma eleição após ter terminado em segundo lugar no primeiro turno —ele havia ficado atrás do bolsonarista na primeira etapa, com 45,2% dos votos ante 47% do rival.

A atuação digital virou modelo de sucesso mundo afora, rendendo a Janones convites para auxiliar em campanhas de esquerda em outros países, como na tentativa de reeleição do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.

O deputado disse à Folha que o "Exército" será mantido para servir como ferramenta de pressão popular a favor de Lula no próximo mandato.

O grande objetivo desse ‘Exército’, pós-eleição, é compensar a minoria que o presidente Lula vai ter na Câmara e no Senado, porque a extrema direita está com uma maioria esmagadora", disse ele.

O ‘Exército do Lula’ tem como missão, a partir de agora, dar governabilidade ao presidente", acrescentou.

No discurso de vitória, no domingo, o presidente agradeceu a Janones. Destacou a atuação do parlamentar na mobilização digital da campanha, chamou-o de general e disse que "teve um papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite, a moral da nossa tropa.

Já estou aprendendo a conversar com o meu general e podem ficar certos que, daqui para frente, vou conversar muito com o povo brasileiro, muitas vezes por dia, diretamente.

Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalistas com má-fé. Não vou. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço", disse em seu discurso da vitória no domingo.

Assim como Janones, outros políticos com alto engajamento nas redes sociais ganharam destaque na campanha durante o segundo turno, como os deputados federais eleitos Ana Elisa (PT-MG), Jones Manoel (PSOL-PE) e Guilherme Cortez (PSOL-SP).

A direita chegou antes, se desenvolveu nesse terreno, beneficiada por uma série de coisas, inclusive pelo algoritmo das redes sociais", disse o deputado eleito.

Para ganhar eleição foi preciso que a gente tomasse ofensiva nesse terreno, e conseguimos, mesmo com todas as comprovadas tentativas de boicotar nossa campanha pelos aplicativos.

Teste feito pelo jornal também identificou diferenças de tratamento nas respostas da ferramenta de inteligência artificial da big tech a pedidos de criação de imagens de campanha dos dois candidatos.

No primeiro turno, a reportagem mostrou que modelos de IA burlavam a Lei Eleitoral ao promoverem rankings entre os presidenciáveis.

Como mostrou a Folha, integrantes do governo e parlamentares pretendem correr para votar até dezembro o projeto de lei da regulamentação concorrencial das big techs.

A percepção é a de que há uma janela favorável para aprovação agora, que ficará mais estreita no próximo ano, quando o novo Congresso Nacional tomará posse.

Cortez defende a manutenção da mobilização digital acompanhada da regulamentação das plataformas, sem que uma exclua a outra. Ele afirmou que o modelo de regulação ainda deve ser discutido com outros atores, mas levantou a possibilidade de um que ofereça a opção de "desligar" o algoritmo.

A ideia seria oferecer a possibilidade de feeds de rede social sem recomendação algorítmica. Nesse molde, o que apareceria no feed seria o conteúdo de conhecidos ou perfis seguidos, e não mais o que a plataforma entende que vai prender a atenção do usuário.

Lula, também no discurso da vitória deste domingo, sinalizou que a regulação das redes estará entre as suas prioridades. O presidente disse que precisou "vencer a intromissão vinda de fora", em referência também ao tratamento desigual da do pela Meta na campanha.

Essa eleição foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las.

Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime na vida real", afirmou o petista.

O presidente acrescentou que não é possível que empresas bilionárias não paguem impostos enquanto tentam "direcionar o resultado eleitoral" do Brasil.

Na campanha de 2022, Lula já havia sinalizado interesse em regulamentar as redes sociais. O governo chegou a trabalhar em propostas para enquadrar as plataformas, mas não conseguiu avançar com o tema durante o mandato.

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