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Polícia

Tenente que assassinou colega de farda em quartel matou jovem em SP há 4 anos

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Tenente que assassinou colega de farda em quartel matou jovem em SP há 4 anos

Carlos Eduardo integrava a PM paulista quando reagiu a assalto, feriu suspeito e atingiu 2 mulheres.

Preso em flagrante por matar um colega de farda nas dependências do 4º Batalhão da Polícia Militar em Ponta Porã, o tenente Carlos Eduardo da Silva Filho, de 27 anos, acumula pelo menos outras duas mortes em sua carreira profissional.

Uma foi em 9 de outubro de 2025, em Mundo Novo, onde o oficial estava lotado, e ocorreu durante abordagem a um suspeito armado.

A outra aconteceu em 11 de abril de 2022 em São Paulo (SP) e vitimou uma inocente: a estudante Ingrid Reis dos Santos, de 21 anos, que passava pela rua no momento em que o policial reagiu a um assalto e foi atingida com um tiro no peito.

O assaltante foi baleado nas nádegas e uma amiga de Ingrid também foi ferida, mas sobreviveu.

Como já possuía o curso de formação de oficiais em São Paulo, seu ingresso na PMMS ocorreu logo após a posse. Antes de chegar ao 4º Batalhão da PM em Ponta Porã, ele passou por Eldorado, Mundo Novo e Amambai.

Lotado na época em Registro (SP), cidade do interior paulista, Carlos Eduardo da Silva Filho estava na Avenida Rio Branco, na região da Santa Efigênia, na capital, quando Daniel Ventura de Lima, de 19 anos, tentou roubar sua moto, segundo a versão do tenente.

Vídeo divulgado na época pela TV Globo mostrou o momento em que o tenente reagiu ao assalto e disparou 3 tiros na direção do suspeito (veja as imagens acima). Um dos tiros acertou Daniel nas nádegas.

As duas seguiam pela calçada após Ingrid deixar o bar de propriedade do seu pai, a poucos metros do local. Ela foi ao estabelecimento do pai pegar uma chave e seguia para a faculdade.

O tenente Carlos Eduardo da Silva Filho também foi investigado pela morte de Jucimar Ferreira, atingido por 4 tiros durante uma abordagem em Mundo Novo. O caso ocorreu em 9 de outubro de 2025, na zona rural do município, após uma perseguição.

O inquérito, porém, acabou arquivado após o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) concluir que o tenente agiu em legítima defesa.

Segundo os autos, a equipe procurava Jucimar após receber informações de que ele estaria armado. Policiais ouvidos no inquérito disseram que, ao ser localizado em uma motocicleta, ele tentou fugir e foi acompanhado pela viatura.

Depois de parar, teria descido da moto, virado em direção aos militares e feito menção de sacar uma arma da cintura. Carlos Eduardo, que estava mais próximo, efetuou os disparos.

O laudo necroscópico apontou que Jucimar foi atingido por 4 disparos, todos pela frente, e morreu em decorrência de traumatismo abdominal. A perícia também constatou que a pistola Glock 9 milímetros atribuída a ele estava em condições de funcionamento.

Para o Ministério Público, esses elementos, somados aos depoimentos dos policiais, sustentam a versão de que havia uma ameaça iminente contra a equipe.

Carlos Eduardo declarou que atirou quando Jucimar tentou sacar a arma. Conforme seu depoimento, depois que o homem caiu, ele fez o desarme, constatou que ainda havia sinais vitais e decidiu levá-lo ao hospital na própria viatura, diante da dificuldade de acesso ao local.

O MPMS entendeu que os tiros foram disparados para repelir uma “injusta agressão iminente” e pediu o arquivamento do inquérito. A Justiça considerou que a manifestação estava amparada pelos depoimentos, laudos periciais e demais provas e manteve o arquivamento.

O processo também registra que a perícia encontrou vestígios compatíveis com o deslocamento de Jucimar do ponto em que teria sido baleado até o local onde foi colocado na viatura.

O laudo classificou o episódio como uma possível ocorrência de confronto policial e apontou indícios de que os militares prestaram socorro.

Na madrugada de ontem (16), Carlos Eduardo da Silva Filho entrou no alojamento do 4º Batalhão da Polícia Militar em Ponta Porã e disparou 2 tiros no policial da reserva Resoaldo Gomes dos Santos, de 44 anos.

Ferido no rosto e no abdômen, Resoaldo foi socorrido ao Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta de 6h20 de hoje.

A Polícia Militar não divulgou detalhes do crime. O tenente foi preso em flagrante e o caso está sendo investigado pela Corregedoria-Geral.

Resoaldo entrou para a reserva da Polícia Militar após ser ferido a tiros durante uma abordagem a 2 suspeitos de assalto no Centro de Ponta Porã, em 7 de novembro de 2015.

Em 1º de novembro de 2025, ele foi preso após ser flagrado com um fuzil calibre 5,56 em seu carro, também em Ponta Porã. Resoaldo resistiu à abordagem, tentou evitar a prisão, apontou o fuzil para os PMs e fugiu a pé com a arma, mas foi preso em casa.

O episódio resultou em uma ação penal por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito, tentativa de homicídio, ameaça, coação e direção perigosa. A audiência de instrução, para declarações do acusado e depoimento de testemunhas de acusação e de defesa, estava agendada para 20 de maio de 2027.

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