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Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

Grupo, que também controla a PBKids, atribui dificuldades financeiras a juros altos, queda nas vendas e concorrência estrangeira; credores que representam 42,38

4 min de leitura
Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

No pedido apresentado à Justiça e obtido pelo g1, o grupo atribui as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores, entre eles os efeitos da pandemia, os juros elevados, a queda das vendas no varejo e a concorrência de plataformas estrangeiras de comércio eletrônico.

  • 🔎 A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite à empresa negociar diretamente com os credores novas condições para quitar dívidas. O acordo pode prever, por exemplo, prazos maiores ou outras mudanças nas condições de pagamento. Diferentemente da recuperação judicial, a negociação ocorre inicialmente fora do processo judicial tradicional, embora a empresa possa pedir à Justiça a homologação do plano.

🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1.

O pedido foi apresentado pouco mais de um mês após a aquisição do grupo pela BluSun Capital, anunciada em agosto. Desde então, a empresa passou a ser liderada por Héctor Nuñez, fundador da gestora.

Procurada pelo g1, a Ri Happy afirmou que a recuperação extrajudicial faz parte de um plano de reestruturação financeira e operacional iniciado após a troca de gestão.

Segundo a empresa, as lojas físicas e os canais digitais seguem operando normalmente, enquanto as equipes se concentram nos preparativos para a Black Friday e o Natal.

No documento, o grupo afirma ter mais de 2. 600 funcionários e cerca de 292 lojas em operação no Brasil, entre unidades próprias das marcas Ri Happy e PBKids e franquias.

No pedido, a empresa afirma que a pandemia prejudicou sua situação financeira, já que o fechamento de lojas e shopping centers reduziu o faturamento da rede de brinquedos.

A companhia também cita os juros elevados, que aumentaram o custo das dívidas bancárias, e a perda de poder de compra dos consumidores.

Outro fator apontado foi o fracasso da recuperação esperada após uma renegociação de dívidas bancárias realizada em 2023.

A companhia também atribui parte da pressão sobre os resultados à concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico, que oferecem produtos a preços mais baixos.

No documento, o grupo também aponta a concorrência de plataformas estrangeiras, como Shopee e AliExpress.

Como exemplo, o pedido cita dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), segundo os quais quase metade do preço de uma bicicleta e de uma bola de futebol corresponde a impostos.

No caso dos patins, os tributos representam 52,78% do valor.

A retração do consumo, o encarecimento do crédito e as dificuldades financeiras de varejistas, indústrias, importadoras e distribuidoras se propagam pela cadeia, pressionando as condições de fornecimento, os prazos de pagamento e a disponibilidade de capital de giro.”.

Fundada em São Paulo em 1988, a Ri Happy se consolidou como uma das principais redes de lojas de brinquedos do país e ampliou sua presença no varejo ao longo das décadas.

Em 2012, a empresa foi adquirida pelo fundo de investimentos Carlyle Group, que também comprou a PBKids. Em agosto deste ano, o controle do grupo passou para a BluSun Capital.

Em comunicado, o Grupo Ri Happy afirmou que a nova gestão está adotando medidas para melhorar a liquidez, controlar custos e reorganizar a estrutura de capital, ou seja, a forma como a empresa financia suas operações e administra suas dívidas.

A companhia informou que fez ajustes nas equipes corporativas e prepara uma mudança de sede.

A Ri Happy também afirmou que pretende melhorar o desempenho das lojas físicas e dos canais digitais e fortalecer o relacionamento com clientes, funcionários, fornecedores, franqueados, shopping centers e instituições financeiras.

Segundo a empresa, o objetivo é ajustar os compromissos financeiros às necessidades da operação e garantir a continuidade do negócio no longo prazo.

Para Bruno Medeiros Durão, advogado, empresário e fundador da DAP Advocacia (Durão, Almeida & Pontes), o sucesso da recuperação dependerá da capacidade de adequar as dívidas à geração de caixa da operação.

Segundo o advogado, manter as lojas abertas não significa, necessariamente, que a empresa tenha recursos suficientes para pagar todas as suas obrigações.

Por isso, a reestruturação precisa levar em conta os juros, os prazos das dívidas, os custos operacionais e os recursos necessários para manter a atividade.

Ri Happy é a segunda grande empresa de brinquedos a recorrer à Justiça.

Em maio, a fabricante Estrela, conhecida por produtos como Banco Imobiliário, Autorama, Genius e Susi, informou que entrou com um pedido de recuperação judicial.

Entre os fatores apontados pela Estrela para justificar as dificuldades estavam os juros elevados, a maior dificuldade de acesso a empréstimos e as mudanças nos hábitos de consumo, com uma disputa crescente pela atenção e pelos gastos dos consumidores com jogos e entretenimento digital.

Em números

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