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Negócios

Payroll abre o jogo, eleição fecha a semana: o último pregão antes das urnas

Payroll abre a sexta antes da B3, mas eleição, dólar e juros dividem o radar no último pregão antes das urnas. Veja os pontos de atenção.

6 min de leitura
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O mercado brasileiro chega ao último pregão antes do primeiro turno, nesta sexta-feira (2), cercado por referências capazes de mexer com os preços em direções diferentes.

De um lado, o cenário externo continua sensível aos juros americanos, ao dólar e ao petróleo. Do outro, a reta final da eleição concentra as atenções domésticas e aumenta a importância das posições que serão carregadas para o fim de semana.

A primeira grande referência do dia virá dos Estados Unidos, às 9h30, com a divulgação do payroll, o relatório oficial sobre o mercado de trabalho americano. Acompanhado de perto pelos investidores, o indicador ajuda a medir a força da economia e a calibrar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve.

Uma surpresa no dado pode mexer rapidamente com os Treasuries, o dólar e o apetite por risco ao redor do mundo.

Depois, a atenção se volta também para o Brasil. O mercado terá de digerir as pesquisas da reta final, a repercussão do último debate presidencial e, principalmente, ajustar posições antes da votação de domingo (4).

Quando a B3 fechar, não haverá outro pregão antes do primeiro turno — e o resultado das urnas já será conhecido quando os negócios reabrirem na segunda-feira.

Para Mário Machado, assessor de investimentos da InvestSmart, o pregão refletiu um “cabo de guerra” entre fatores externos e domésticos. Enquanto a alta do petróleo favoreceu Petrobras, bancos e Vale pressionaram em parte da sessão.

Ao mesmo tempo, juros ainda elevados no exterior e a proximidade das eleições mantiveram a cautela.

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Alfredo Menezes, da Armor Capital, diz que já viu “várias vezes falarem que Brasil ia quebrar”, mas que “quando a coisa aperta o governo faz a lição de casa” – enquanto isso, espera alocar no exterior.

Payroll pode dar o primeiro tom da sexta.

O relatório de emprego chega em um momento no qual investidores tentam medir quanto espaço o Fed ainda pode ter para manter uma política monetária mais apertada.

Dados recentes mostraram uma economia americana resistente, enquanto a inflação continua no radar.

Para Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, um payroll mais forte pode pressionar novamente os juros americanos e o dólar — movimento que tende a tornar o ambiente mais difícil para ativos de risco.

A expectativa é pela criação de 89 mil vagas, em setembro, ante 162 mil do mês imediatamente anterior; a projeção é de estabilidade, em 4,1%, da taxa de desemprego.

Mas essa pode ser apenas a primeira parte da história.

Rafael Perretti, analista da Clear Corretora, avalia que o mercado brasileiro vem mostrando uma descorrelação parcial do cenário externo, com o chamado trade eleitoral ganhando espaço na formação dos preços.

Na prática, a leitura de Perretti sugere que uma reação forte ao payroll na abertura não precisa necessariamente determinar o comportamento do Ibovespa até o fechamento.

Setembro já trouxe sinais dessa dinâmica: o índice avançou cerca de 5% em um mês no qual o ambiente externo continuou desafiador.

Eleição pode ganhar espaço ao longo do pregão.

Conforme a sessão avançar, o componente doméstico tende a dividir cada vez mais espaço com o exterior.

Perretti atribui parte do comportamento recente do Ibovespa às expectativas em torno das eleições. Na leitura dele, pesquisas e novas informações políticas podem reforçar ou reduzir movimentos inicialmente provocados pelo cenário internacional.

O mercado também vem trabalhando com a possibilidade de reações diferentes entre Bolsa, câmbio e renda fixa. Cenários traçados pelo Goldman Sachs para a eleição, por exemplo, destacam que juros, dólar e ações não precisam responder com a mesma intensidade.

É por isso que dólar e juros serão dois termômetros importantes além do próprio Ibovespa.

Machado chama atenção justamente para essa diferença. Na avaliação do assessor da InvestSmart, a ponta curta segue mais ancorada, enquanto os vencimentos longos carregam uma parcela maior do prêmio associado ao cenário externo e às incertezas domésticas.

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Ibovespa ainda tenta sair da consolidação.

No gráfico, o mercado também chega à sexta sem uma direção técnica definida.

Perretti observa que o Ibovespa começou setembro com forte avanço, mas passou boa parte do mês negociando dentro de uma faixa de consolidação de aproximadamente 7 mil pontos.

Nas últimas sessões, houve tentativas de perda da região inferior, que não se sustentaram, seguidas por reação compradora.

Com o fechamento acima dos 187 mil pontos, o índice voltou para dentro dessa faixa. A região próxima dos 189 mil pontos aparece como referência na parte superior, enquanto a área próxima dos 180 mil pontos permanece como referência mais abaixo.

O risco continua depois do fechamento.

Para quem pretende operar na sexta-feira, existe ainda uma diferença fundamental em relação a uma sessão comum: quando a B3 fechar, não haverá outra oportunidade de ajustar posições antes das urnas.

É nesse ponto que André Moraes concentra seu principal alerta.

Moraes usa como exercício de risco a possibilidade de um movimento de 5% para qualquer um dos lados. Não se trata de uma previsão para segunda-feira, mas de uma forma de testar se o tamanho da posição é compatível com uma abertura mais brusca.

Gass também chama atenção para a possibilidade de maior volatilidade na reabertura, quando o mercado começará a incorporar o resultado do primeiro turno e a composição eleita do Congresso.

Assim, o último pregão antes das urnas terá dois momentos. O payroll pode dar o primeiro impulso. A eleição acompanha o mercado até o fechamento.

E, no fim da sessão, a pergunta deixa de ser apenas para onde o Ibovespa pode ir na sexta: passa a ser quanto risco o investidor está disposto a carregar até a Bolsa voltar a abrir.

Em números

  • A expectativa é pela criação de 89 mil vagas, em setembro, ante 162 mil do mês imediatam
  • Passou boa parte do mês negociando dentro de uma faixa de consolidação de aproximadamente 7 mil pontos
  • Com o fechamento acima dos 187 mil pontos, o índice voltou para dentro dessa faixa
  • A região próxima dos 189 mil pontos aparece como referência na parte superior

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