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Musica Revisado por ULTRA AI

Westside Cowboy justifica o hype no álbum de estreia ‘It Goes On’

Resenha de 'It Goes On', álbum de estreia do quarteto britânico Westside Cowboy, que justifica o hype da imprensa estrangeira.

4 min de leitura
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Quarteto de Manchester combina elementos de Velvet Underground e Pavement com imagens vívidas de pessoas que se foram nas letras.

A capa de It Goes On, álbum de estreia do quarteto de Manchester chamado Westside Cowboy, traz uma imagem curiosa. Em meio aos jardins e quintais de conjuntos habitacionais – símbolos da sociedade britânica pós-guerra – há um cavalo, por sua vez um ícone do oeste americano, da imensidão e liberdade.

Entretanto, se analisarmos a tradição musical de ambos os países, um tema comum é como não importa onde se está, ninguém parece livre.

O Westside Cowboy despontou na cena indie do Reino Unido com dois EPs bem recebidos – There Better Be Something Great (2025) e So Much Country Till We Get There (2026) – e uma vaga como atração de abertura na turnê Getting Killed, do Geese, criando algo que por décadas foi a maior arma de artistas do outro lado do Atlântico: hype.

Entretanto, isso pode criar expectativas tamanhas a ponto de qualquer lançamento inferior a uma obra-prima ser encarado como um fracasso abjeto.

Felizmente, a banda parece mais preocupada em se divertir enquanto descobre sua própria identidade. A situação rende a It Goes On uma qualidade irresistível.

O álbum abre com “Kick Stones (The Boys)”, primeiro single lançado do trabalho. Construído a partir de uma levada à la “Rock and Roll”, do Velvet Underground, a banda aos poucos pega num embalo contagiante, no qual nada é escondido por distorção ou efeitos.

Quando se fala de uma gravação crua mesmo, é isso. Reuben Haycocks não é um vocalista habilidoso. Ele canta para dentro a maior parte do tempo, recitando as letras como se fossem mantras.

E as imagens retratadas pelas palavras são evocativas o suficiente para funcionar.

Todas as canções de It Goes On têm alguma menção a alguém que se foi — seja morte, mudança atrás de uma condição melhor ou os afastamentos normais da vida, o disco é repleto desses pequenos momentos.

Pessoas se vão, mas a memória dessas continua em meio à luta diária.

Uma boa comparação seria a obra Bruce Springsteen, apesar de a banda soar nada como o Boss. Westside Cowboy remete ao Velvet Underground, Pavement e artistas cult ingleses como Los Campesinos e Martha.

Indie rock que, apesar das guitarras, ainda retém uma sensibilidade folk.

Até mesmo as referências embutidas na música e letras refletem os temas presentes no álbum. “Pin Up Boys” tem uma melodia nos versos reminiscente de “The Gambler”, clássico country de Kenny Rogers sobre arcar com os revezes da vida tal qual um jogo de azar.

Enquanto isso, “Big Wheels”, uma canção ostensivamente sobre amor, cita “Knockin’ On Heaven’s Door”, de Bob Dylan, que trata de morte, além de “Proud Mary”, do Creedence Clearwater Revival, sobre a continuidade da vida e da luta.

[“Tire minhas armas, eu não consigo mais usá-las O amor não se encontra numa concha, mas se encontra na sua porta Não há mais nada para eu ver As rodas grandes continuam girando, de roda em roda A britadeira continua batendo no chão”].

A influência do Velvet Underground aparece novamente mais evidente em “Coyote”, que remete aos momentos nos quais Lou Reed cedia os vocais para a baterista Maureen Tucker.

Aqui, a baixista Aoife [pronuncia-se Eve] Anson O’Connell canta não uma música de amor delicada como no caso da inspiração, mas uma letra ácida sobre o aspecto displicente do progresso no capitalismo, simbolizado pela figura do Coyote, aquele personagem de desenho sempre em busca daquilo incapaz de alcançar, deixando devastação no seu caminho.

No fim das contas, It Goes On é curioso porque há 20 anos talvez nunca receberia o hype atual. Não é um álbum particularmente cool na visão clássica do indie britânico.

Até mesmo o sucesso recente mais comparável a esse disco – Dogrel (2019), estreia do Fontaines D. C. – se beneficiou muito do carisma inegável dos integrantes, vide o tamanho que a banda irlandesa adquiriu nos anos subsequentes.

Entretanto, apesar de não ter as personalidades capazes de vender milhares de revistas semanais, o Westside Cowboy tem capturado a atenção das pessoas. Isso porque suas canções dão a impressão do ouvinte estar no mesmo lugar da banda.

Seja físico, pelo caráter das gravações, ou emocional, de tão vívidas que são as imagens pintadas pelas letras.

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Fontes

Informação baseada em material público de Rolling Stone Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Rolling Stone Brasillink

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