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Musica Revisado por ULTRA AI

Por que o Iron Maiden odeia o álbum ‘No Prayer for the Dying’

Conheça a história do álbum No Prayer for the Dying, o oitavo do Iron Maiden, e por que a própria banda o odeia.

4 min de leitura
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Saída de Adrian Smith, gravação em celeiro e crise de identidade transformaram o disco de 1990 em um dos trabalhos mais criticados até pela própria banda.

Guilherme Gonçalves (@guiiilherme_agb).

Após atingir o ápice de seu viés conceitual e progressivo com Seventh Son of a Seventh Son (1988), o Iron Maiden iniciou a década de 1990 em busca de novos rumos.

O resultado dessa transição foi o oitavo álbum de estúdio do grupo, No Prayer for the Dying (1990).

No entanto, o que deveria ser um retorno às raízes acabou se tornando uma das obras mais controversas e criticadas da trajetória da banda, frequentemente renegada pelos próprios integrantes.

Impactado pela sonoridade mais direta das músicas solo de Bruce e querendo fugir dos sintetizadores e das estruturas complexas que dominaram os lançamentos anteriores, o baixista e líder Steve Harris idealizou uma mudança radical.

A proposta era criar um disco “pé no chão”, direto e cru, que resgatasse a energia dos primeiros anos do grupo.

Divergências e baixa no Iron Maiden.

Essa nova orientação musical, contudo, gerou divergências internas. Adrian Smith não concordava com o direcionamento simplificado e temia que a identidade da banda estivesse sendo sacrificada.

Sem a mesma motivação e incerto sobre seu papel naquele novo contexto, Smith acabou deixando o Iron Maiden ainda na fase de pré-produção, marcando a primeira baixa na formação clássica dos anos 1980.

Em declaração à Metal Hammer, Steve Harris relembrou sobre a saída do guitarrista.

Para substituir Adrian Smith, a banda recrutou Janick Gers, guitarrista que já havia trabalhado com Dickinson. Embora ele trouxesse um estilo performático e entusiasmado nos palcos, a saída de Smith privou o Iron Maiden de um de seus principais compositores.

A busca por uma atmosfera mais crua e espontânea também levou a escolhas questionáveis. Em vez de utilizar um estúdio convencional, a banda decidiu gravar o álbum no celeiro da propriedade de Steve Harris, em Essex, utilizando a unidade móvel dos Rolling Stones.

O objetivo era capturar uma sonoridade ao vivo, mas a acústica do local gerou divergências.

Sobre esse aspecto, Steve Harris comentou.

Bruce Dickinson, por sua vez, expressou forte arrependimento em relação ao método de produção adotado. O vocalista considera o disco com sonoridade ruim e mais tarde chegou a debochar da “inocência” do grupo ao acreditar que trabalhar num celeiro resultaria em um grande álbum de rock.

Já nos anos 2000, ele disse à Classic Rock (via site Igor Miranda).

Além dos problemas de produção, o álbum apresentou uma mudança marcante no estilo vocal de Dickinson. O cantor abandonou o tom operístico e alcance cristalino que o consagraram nos anos 1980, adotando uma interpretação mais rasgada e rouca, decisão que dividiu os fãs e tirou parte da grandiosidade das composições.

Estruturalmente, o trabalho também abandonou as faixas longas e os temas literários e históricos. Com nenhuma música ultrapassando os seis minutos de duração, o grupo focou em composições mais curtas e letras voltadas para críticas sociais e políticas da época, como o questionamento ao televangelismo na faixa “Holy Smoke”.

Ironicamente, o maior êxito comercial do álbum veio de uma faixa que nem havia sido escrita para o Iron Maiden. “Bring Your Daughter… to the Slaughter”, criada originalmente por Dickinson para a trilha sonora do filme A Hora do Pesadelo 5 (1989), foi reaproveitada por insistência de Harris.

A música alcançou o primeiro lugar na parada de singles do Reino Unido — o único número um da história da banda.

Apesar de ter alcançado a segunda posição na parada britânica, a recepção da crítica e do público foi fria. O impacto nos Estados Unidos também deu sinais de desaceleração, tornando No Prayer for the Dying o último disco do Iron Maiden a receber certificação de ouro em território americano.

Com o passar dos anos, o próprio Steve Harris reconheceu que o conceito de som “ao vivo” pretendido para o álbum não funcionou como esperado. Após a saída temporária de Dickinson em 1993, as faixas desse trabalho foram praticamente tiradas do repertório dos shows.

Mesmo atualmente, com a turnê Run For Your Lives – focada exclusivamente nos nove primeiro discos do grupo -, No Prayer for the Dying não tem sido contemplado.

+++ LEIA MAIS: Iron Maiden vende parte de seu catálogo e imagem; entenda o que significa +++ LEIA MAIS: A dura crítica de Bruce Dickinson a vocalistas que deixaram de cantar bem +++ LEIA MAIS: Bruce Dickinson e Steve Harris divergem sobre futuro do Iron Maiden.

Fontes

Informação baseada em material público de Rolling Stone Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Rolling Stone Brasillink

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