Crise no preço da memória RAM, impulsionada pela demanda por IA, pode levar a Microsoft a projetar um console de próxima geração fora do alcance da maioria dos jogadores.
A disparada dos preços tem até apelido: “RAMmageddon”. O termo é usado internamente na Microsoft para descrever a crise no custo dos circuitos integrados de memória, que subiu à medida que os centros de dados de inteligência artificial passaram a consumir cada vez mais componentes físicos.
Em carta aberta publicada no início deste ano, Asha Sharma, presidente-executiva do Xbox desde fevereiro, detalhou a dimensão do problema: o preço pago pela empresa por componentes de armazenamento mais que dobrou em relação ao outono passado e pode chegar a cinco vezes o valor de dois anos atrás até o período de festas de 2027.
O cenário coloca a Microsoft em uma posição delicada. Sharma disse à Fortune que a empresa poderia ter dificuldade para oferecer um produto mais sofisticado e de alto desempenho caso também precise manter o console acessível.
Ela admitiu ainda que se tornou difícil acreditar que “grandes audiências possam gastar milhares de dólares em um console”. O Game Pass também pode ser reformulado, já que uma das ideias em discussão é permitir que cada jogador escolha e pague separadamente por recursos como jogos em nuvem, partidas com vários jogadores e acesso a uma biblioteca de títulos, em vez de contratar um pacote único.
Analistas do setor especulam que Microsoft e Sony podem adiar os próximos consoles na expectativa de que os preços da memória caiam. O histórico da Microsoft ajuda a explicar o dilema: em 2021, a empresa admitiu que vendia consoles Xbox com prejuízo havia anos, esperando recuperar o investimento com serviços e assinaturas.
A Microsoft ainda tem até 2028 para encontrar uma solução. Por enquanto, uma coisa parece clara: jogar videogame está ficando cada vez mais caro.
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