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O foco das notícias negativas é sua amizade com o advogado Willer Tomaz, alvo de uma operação da Polícia Federal no início de agosto, dentro das investigações que apuram fraudes bilionárias no pagamento de benefícios do INSS.
Nos últimos dias, diferentes veículos revelaram mais detalhes dos vínculos entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro.
Segundo reportagem do jornal O Globo de 18 de setembro, ambos fizeram cinco viagens internacionais juntos entre janeiro e maio de 2025, para destinos como Estados Unidos, África do Sul e Europa.
Procurado, o senador não respondeu sobre quem custeou as viagens.
Já nesta quarta-feira (23/9), a revista Piauí revelou detalhes sobre uma dessas viagens. Segundo a publicação, o candidato do PL viajou com sua família da Flórida (EUA) a Brasília em janeiro do ano passado em um jatinho que pertencia a Willer Tomaz em sociedade com uma empresa de Daniel Vorcaro, banqueiro que está preso acusado de fraudes bilionárias no Banco Master.
A revista informou ainda que se trata do mesmo jato executivo de alto padrão, de prefixo PP-NLR, que transportou o ministro do STF Alexandre de Moraes em agosto do mesmo ano.
Na ocasião, o escritório da esposa dele, Viviane Barci, tinha um contrato com o Banco Master que lhe dava acesso a aeronaves do banqueiro.
Flávio Bolsonaro se manifestou sobre as revelações em um post na rede social X de forma curta e irônica. "Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes.
Veja Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.
Fim do Promoção Agregador de pesquisas.
Já Willer Tomaz negou que Vorcaro tenha relação com a viagem de janeiro, em nota enviada à BBC News Brasil. O advogado diz que arcou com todos os custos do voo e não sabia que o banqueiro era sócio na aeronave.
O voo de janeiro de 2025 não tem — e nunca teve — qualquer relação com Daniel Vorcaro. A aeronave não era dele. Pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.
A., dividida em três cotas iguais, uma delas de empresa de Willer Tomaz desde 2023.
Aquele trecho foi solicitado, escalado e integralmente custeado por Willer Tomaz, debitado das horas da sua cota. Vorcaro não pagou, não cedeu, não autorizou e não participou daquele voo — nem direta, nem indiretamente.
Quem viajou o fez como convidado de Willer Tomaz: carona entre amigos, sem custo, contrapartida ou benefício de parte a parte.
O advogado diz ainda, na nota, que não conhece Vorcaro nem tem negócios dele.
A venda da cota de terceiro à Prime You ocorreu sem o conhecimento e sem a anuência de Willer Tomaz. Ao tomar ciência, em abril de 2026, denunciou o contrato e está desde então em litígio com a Prime You.
Atribuir aquele voo a Daniel Vorcaro é falso.
O advogado também nega ser investigado por irregularidades no INSS. "A apuração diz respeito tão somente à propriedade de um imóvel. A hipótese da investigação é de que o imóvel pertenceria a um parlamentar", diz a nota.
Procurado pela BBC News Brasil por meio de sua assessoria de imprensa, Flávio Bolsonaro não se manifestou até a publicação dessa reportagem.
Já ao jornal O Globo, ele também negou saber que a aeronave usada em janeiro também pertencia a Vorcaro.
Na época, o avião era do Willer, eu tive zero contato com Vorcaro. Fizemos uma viagem em família, mais nada. O avião era dele. Não sabia da cota da empresa (Prime You).
Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade.
Na semana anterior, ele também disse ao jornal manter "relação de amizade" com Willer "legítima" e que "qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos.
O candidato não respondeu se as cinco viagens internacionais realizadas entre janeiro e maio de 2025 foram todas bancadas pelo advogado.
Segundo a revista Piauí, um apartamento também ligaria Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz e o Banco Master.
De acordo com reportagem, o senador teria usado como base para sua campanha em São Paulo um imóvel emprestado pelo advogado. Esse apartamento, diz a revista, foi comprado por Willer Tomaz de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro que também está preso, acusado de ser operador financeiro das fraudes bancárias.
A revista diz que entrevistou moradores do edifício, que confirmaram a presença do senador e de sua equipe no local. Procurado pela revista, porém, Flávio disse que se hospedou em hotéis na região e não respondeu sobre que uso foi feito do imóvel.
Já Willer Tomaz enviou uma nota à Piauí afirmando não conhecer Fabiano Zettel nem Daniel Vorcaro, e que jamais teve qualquer "relação pessoal, comercial ou societária" com os dois.
Para além do uso consciente ou não de um avião de Vorcaro, Flávio Bolsonaro realizou negociações diretas com o banqueiro em 2025 em torno do financiamento do filme Dark Horse, em homenagem a seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O caso foi revelado em maio pelo portal Intercept Brasil.
Flávio é investigado formalmente desde julho por suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no financiamento do filme junto ao Banco Master.
O relatório da PF que embasou o pedido de investigação contra o senador destaca o descompasso entre os valores de Dark Horse e aqueles observados no mercado audiovisual brasileiro.
Embora não caracterize por si só qualquer ilícito penal, reforça a necessidade de aprofundamento da investigação acerca da efetiva destinação dos recursos e da compatibilidade econômica da operação financeira identificada", diz o documento.
Os contatos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro para a liberação dos valores ocorreram quando Vorcaro já estava no radar da PF, ao longo de 2025, e mesmo após sua primeira prisão, em 17 de novembro.
Ambos se reuniram ainda no final daquele mês, quando o banqueiro estava em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica.
O senador nega qualquer irregularidade sobre o financiamento do filme sobre seu pai e insiste que se trata apenas de um patrocínio privado para uma obra privada, sem uso do dinheiro público.
Em sabatina ao Jornal Nacional, porém, ele foi cobrado sobre a falta de detalhamento sobre os recursos obtidos e como eles foram gastos. O caso Dark Horse.
Pressionado pelo Jornal Nacional a apresentar o contrato para o patrocínio e uma planilha detalhada sobre o uso dos recursos no filme, o candidato do PL insistiu que já prestou os esclarecimentos e que se trata de um financiamento privado para realização de uma "obra de arte.
Eu não fui buscar dinheiro em recursos públicos, e esse foi um patrocínio, na verdade, que não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro. É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai.
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