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Trump envia acordo nuclear com Arábia Saudita ao Congresso, mas impõe condição para avanço

Segundo a agência Reuters, presidente manterá o acordo apenas se os sauditas reconhecerem Israel. Tratado tem validade de 30 anos.

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Trump envia acordo nuclear com Arábia Saudita ao Congresso, mas impõe condição para avanço

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou ao Congresso um acordo de cooperação nuclear civil com a Arábia Saudita. O pacto, no entanto, só deverá avançar se o país árabe aderir aos Acordos de Abraão, segundo um funcionário do governo americano ouvido pela Reuters nesta terça-feira (25).

Os Acordos de Abraão são tratados que normalizaram as relações entre Israel e países árabes. A Arábia Saudita, no entanto, ainda não aderiu ao grupo.

O acordo nuclear permite que a Arábia Saudita desenvolva um programa de energia nuclear civil, incluindo o enriquecimento de urânio, segundo informações divulgadas anteriormente pelos jornais "New York Times" e "The Wall Street Journal.

O texto prevê a participação de empresas americanas no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita e terá validade de 30 anos.

A proposta enfrenta resistência de parlamentares dos Estados Unidos e de autoridades internacionais, preocupados com o risco de proliferação nuclear no Oriente Médio.

Críticos afirmam que permitir o enriquecimento de urânio pela Arábia Saudita pode estimular uma corrida nuclear na região e enfraquecer o discurso americano contra o programa nuclear do Irã.

O que diz o acordo? O que o acordo não diz? O acordo depende do quê para ser aprovado? Para que a Arábia Saudita quer um programa nuclear? Por que o governo americano quer ajudar o programa nuclear saudita.

Por que o acordo preocupa? Qual a relação com o Irã.

O texto cria uma base legal para a cooperação nuclear entre Estados Unidos e Arábia Saudita por 30 anos. Ele abre caminho para que os americanos ajudem no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita e permite, em tese, a construção de uma instalação de enriquecimento de urânio no país.

Também garante prioridade às empresas dos EUA na disputa pelos contratos do programa nuclear saudita.

Até onde se sabe, o acordo não obriga os Estados Unidos a transferirem tecnologia de enriquecimento de urânio nem a construírem imediatamente uma usina desse tipo na Arábia Saudita.

O novo pacto também não inclui duas salvaguardas consideradas essenciais por especialistas.

a cláusula conhecida como "padrão ouro", pela qual o país abriria mão de enriquecer urânio e de reprocessar combustível nuclear usado - de modo a evitar usos bélicos da substância;nem o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que amplia o poder de fiscalização dos inspetores internacionais.

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O acordo depende do que para ser aprovado.

Pela legislação americana, acordos desse tipo precisam ser enviados ao Congresso dos Estados Unidos para revisão. Os parlamentares terão 90 dias para analisar e votar a medida, cuja decisão pode ser vetada pelo Executivo.

Se Trump assim decidir, seria necessária uma maioria de dois terços nas duas Casas do Congresso para contrariar o eventual veto presidencial.

Para que a Arábia Saudita quer um programa nuclear.

O governo saudita afirma que pretende usar energia nuclear para diversificar sua matriz energética, reduzir as emissões de carbono e economizar petróleo e gás, que hoje abastecem a maior parte da geração elétrica do país.

A ideia é utilizar a energia atômica em atividades como dessalinização da água do mar e uso de ar-condicionado, aumentando a quantidade de petróleo disponível para exportação.

Em janeiro de 2025, o reino também anunciou que pretende enriquecer urânio para produzir "yellowcake", um concentrado usado como matéria-prima para combustível nuclear.

Para Washington, o acordo traz vantagens estratégicas e econômicas. Além de abrir um mercado bilionário para empresas americanas, ele mantém os Estados Unidos como principal parceiro do programa nuclear saudita, reduzindo o espaço para concorrentes como China, Rússia, França e Coreia do Sul.

O governo Trump também avalia que a participação direta dos EUA permitirá acompanhar mais de perto o desenvolvimento do programa e exercer maior influência sobre ele.

Parlamentares americanos e especialistas temem que o acordo incentive outros países da região a buscar capacidades semelhantes e aumente o risco de uma corrida nuclear no Oriente Médio.

A rivalidade entre Arábia Saudita e Irã está no centro do debate. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, já declarou que, se o Irã desenvolver uma arma nuclear, seu país fará o mesmo "o mais rápido possível.

Além disso, críticos observam que o acordo pode enfraquecer um dos argumentos usados pelos Estados Unidos para justificar sua campanha militar contra o Irã: a oposição ao enriquecimento de urânio em território iraniano.

Para esses analistas, permitir essa mesma atividade na Arábia Saudita pode gerar questionamentos sobre a coerência da política americana para a região.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

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