A decisão da Justiça francesa de revogar a prisão preventiva do suspeito de realizar um atentado terrorista de motivação racista em Paris levou centenas de manifestantes a ocuparem as ruas neste domingo (25) em homenagem às vítimas e para protestar contra o avanço ultradireita e do racismo no país.
A Procuradoria Nacional Antiterrorismo anunciou que Kévin T., 39, foi transferido para uma unidade psiquiátrica da polícia para um período de observação de até 48 horas, a fim de determinar se possui condições de saúde mental compatíveis com a continuidade dos interrogatórios.
Segundo fontes próximas à investigação, o suspeito, que matou uma pessoa e feriu outras cinco, tinha diagnóstico prévio de esquizofrenia e fazia tratamento médico.
Exames toxicológicos revelaram a presença de maconha e cocaína em seu sangue.
A decisão de remover o acusado da prisão provocou reação de Yassine Bouzrou, advogado da família de Pengo Bossio Wangi, um jovem francês de origem congolesa de 26 anos morto por Kévin.
Chama a atenção uma recorrência preocupante: quando o atentado procede da extrema direita, a questão psiquiátrica se impõe muito rapidamente", disse o criminalista francês de ascendência marroquina, famoso por atuar em casos de grande repercussão midiática.
Embora a perícia e a irresponsabilidade penal sejam princípios fundamentais, a simetria deve ser a regra: mesmas perícias, mesmos prazos de avaliação, seja qual for o perfil ideológico do acusado.
Na manhã de sexta-feira (23), o agressor abriu fogo a partir de seu carro com uma pistola-metralhadora contra transeuntes em um posto de gasolina, um centro médico e um parque infantil nas localidades de Trappes e La Verrière, ao sudoeste da capital.
O presidente Emmanuel Macron classificou a ação como um "atentado terrorista racista", ressaltando que o atirador escolheu deliberadamente poupar determinadas pessoas com base na cor da pele e na aparência.
Entre os cinco feridos, uma menina de 12 anos segue em estado crítico após ser atingida por oito disparos.
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