Ano passado registrou número recorde de mortes de profissionais do setor; líder das Nações Unidas ressalta preocupação com novas ferramentas de guerra incluindo drones armados; em várias zonas de crise, comboios humanitários são bloqueados e trabalhadores ameaçados e detidos.
Em 2026, mais de 239 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária urgente. O setor experimentou no ano passado cortes severos de financiamento e um número recorde de ataques letais contra trabalhadores humanitários.
As guerras e os desastres devido às mudanças climáticas estão se multiplicando, mas as ações para salvar vidas nos locais afetados está sob grave risco. É esta contradição que marca o Dia Mundial Humanitário, assinalado neste 19 de agosto.
Nessa data, em 2003, o alto funcionário da ONU, Sérgio Vieira de Mello, perdeu a vida, juntamente com outros 21 colegas, em um atentado terrorista a bomba contra a sede da organização em Bagdá, capital do Iraque.
Em mensagem para marcar a dia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, homenageou os profissionais que prestam ajuda vital a milhões de pessoas necessitadas, mas disse que é o momento de refletir sobre uma “verdade chocante”.
Segundo ele, “servir ao próximo tornou-se mais perigoso do que nunca”.
O líder da ONU ressaltou que mais de mil profissionais humanitários foram mortos nos últimos três anos. A maioria deles trabalhadores locais que apoiavam as suas próprias comunidades.
Inúmeros outros escaparam por pouco de tiros, disparos de artilharia, bombardeios, sequestros ou estupros.
Além disso, escolas e hospitais estão sendo alvo de ataques e novas ferramentas de guerra, incluindo drones armados, trazem novos riscos.
O secretário-geral adicionou que, em paralelo, a desinformação está acabando com a confiança, o financiamento humanitário está sendo cortado e o acesso às pessoas que precisam está sendo restringido.
Guterres alertou que o resultado dessa conjuntura pode ser visto quando comboios de ajuda são bloqueados, trabalhadores humanitários ameaçados, presos e detidos, e pessoas desesperadas são deixadas sem apoio.
O chefe das Nações Unidas asseverou que ataques a trabalhadores humanitários são ilegais e as consequências são arrasadoras, especialmente para famílias que lutam para sobreviver, crianças esperando por comida ou pacientes em busca de atendimento urgente.
Ele pediu que os países cumpram compromissos já assumidos e respeitem as regras da guerra, garantam acesso seguro para a ajuda humanitária e responsabilizem os autores dos ataques.
Guterres declarou que os trabalhadores humanitários defendem as pessoas necessitadas e cabe à comunidade internacional defendê-los, além de garantir que recebam recursos suficientes para realizar seu trabalho.
Em números
- Em 2026, mais de 239 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária
Fontes
Informação baseada em material público de ONU News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.