A secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, afirmou nesta quinta-feira (17), que causa “perplexidade” a menção ao Brasil em um documento do governo de Donald Trump que critica a atuação brasileira no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
- O PCC de 2026 não é o mesmo de 2006': promotor levanta dúvida sobre critérios do banco nacional de facções e questiona se fintechs serão incluídas.
Segundo Maria Rosa, o Brasil não está entre os 23 países classificados pelos Estados Unidos como os principais produtores ou locais de trânsito de drogas. Por isso, na avaliação dela, a referência ao país não tem consistência jurídica e não exigiria uma resposta formal do governo brasileiro.
O governo dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (16) um documento anual enviado ao Congresso americano no qual o presidente Donald Trump afirma que o Brasil falhou no combate ao PCC e ao Comando Vermelho.
No relatório, Trump pede que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adote “com urgência, medidas enérgicas para enfrentar” os grupos. PCC e CV foram incluídos recentemente pelos Estados Unidos na lista de organizações terroristas.
O documento diz ainda que, enquanto outros governos do Hemisfério Ocidental estão tomando “medidas corajosas” para erradicar cartéis, o Brasil não está enfrentando as duas facções.
Segundo o relatório, as organizações criminosas brasileiras “transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína”.
Trump afirma ainda que as duas facções constituem uma “ameaça à segurança mundial”.
Maria Rosa afirmou ainda que o governo brasileiro tem atuado consistentemente contra as facções.
Para a secretária, porém, não haveria necessidade de uma manifestação oficial brasileira porque o documento americano não coloca o Brasil em nenhuma categoria jurídica.
Segundo Maria Rosa, uma resposta poderia inclusive dar ao documento uma relevância que, na avaliação dela, ele não possui.
Brasil não está entre os 23 países citados.
O documento assinado por Trump listou 23 países classificados pelos Estados Unidos como locais de trânsito ou produção de drogas. O Brasil não está na relação.
O relatório afirma que, no último ano, Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia também falharam em cumprir as obrigações previstas em acordos internacionais de combate ao narcotráfico.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos pediram que México e Canadá se esforcem mais para impedir a entrada de drogas no país.
Em relação ao Canadá, os EUA querem que o governo local adote medidas para acabar com laboratórios clandestinos de drogas. Sobre o México, a Casa Branca pede medidas contra organizações narcoterroristas que dominam territórios no país.
Trump também fez críticas à China. No documento, ele afirma que, apesar de ter conversado com o presidente Xi Jinping sobre o combate à entrada de fentanil ilegal nos EUA, o país precisa reduzir o fluxo de substâncias usadas na produção da droga.
Mudanças políticas na América do Sul.
O presidente norte-americano também aproveitou o relatório para citar mudanças políticas em países da América do Sul.
Segundo o documento, mudanças recentes de governo em alguns países “criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos”.
Entre os exemplos citados de forma positiva estão Venezuela, Bolívia e Colômbia. Segundo o relatório, houve avanços nesses países, mas novas medidas ainda são necessárias.
Diplomatas brasileiros disseram à GloboNews que o documento reforça o viés da política externa de Trump na América Latina.
A avaliação também é de que há seletividade por parte da Casa Branca. O mesmo documento faz acenos a novos governos eleitos na América do Sul que também foram apontados por falhas no combate às drogas, mas estão alinhados a Trump.
O relatório é entregue anualmente pelo governo dos EUA ao Congresso e apresenta um panorama da situação do tráfico de drogas no mundo.
Trump acusa Brasil de falhar no combate às facções criminosas.
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