Ir para o conteúdo

Quarta-feira, 14 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 27°C Tempestade

Mundo

Protestos estudantis crescem na Albânia; edifício de ministério é incendiado

União Europeia cobra investigação por uso de violência excessiva da polícia; 16 pessoas foram presas

3 min de leitura
Mundo — imagem padrão

Manifestantes e policiais de choque entraram em confronto na capital da Albânia nesta quarta-feira (14), no segundo dia consecutivo de violência desencadeada por protestos estudantis que reivindicam melhores condições nas universidades e a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.

Ao longo de várias horas, a polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo, enquanto manifestantes atacaram um prédio do governo e lojas em Tirana, quebrando janelas e, em pelo menos uma ocasião, incendiando um edifício.

A tropa de choque tentou dispersar a multidão de centenas de pessoas recorrendo a gás lacrimogêneo, após uma noite violenta nas ruas que terminou com 16 pessoas presas.

Os manifestantes lançaram objetos, incluindo pedras do calçamento e coquetéis molotov, atearam fogo a lixeiras e usaram grades de rua para erguer barricadas em uma via central próxima ao Ministério da Educação, segundo jornalistas da AFP.

Duas pessoas escalaram o muro do ministério e lançarem sinalizadores para dentro do prédio e, pouco tempo depois, uma fumaça preta começou a sair de uma janela.

Os bombeiros rapidamente extinguiram as chamas.

Nas proximidades, um grupo de homens também foi visto quebrando as janelas de uma agência bancária antes de atear fogo a documentos. A polícia interveio para apagar o incêndio.

Em outro incidente, as chamas tomaram o que parecia ser um prédio abandonado, enquanto manifestantes quebravam vitrines de lojas próximas. A polícia havia pedido calma mais cedo, mas as tensões continuaram elevadas durante a tarde.

Segundo o Ministério da Saúde, seis policiais, oito manifestantes, três jornalistas e duas pessoas que passavam pelos locais receberam atendimento médico na terça-feira (13), inclusive por exposição a gás lacrimogêneo.

Durante a noite, pessoas também arrombaram as portas do prédio da prefeitura, atearam fogo no interior e danificaram vários outros edifícios, segundo a polícia.

Os manifestantes se reuniram inicialmente na manhã de terça-feira para exigir a renúncia do premiê e mais apoio aos estudantes do país. O ato ocorre após meses de protestos contra o governo na capital.

Enquanto isso, a União Europeia, à qual o país balcânico tem como objetivo aderir, manifestou preocupação com o que chamou de "escalada da violência no protesto em Tirana.

Tomamos conhecimento das denúncias de violência excessiva da polícia contra manifestantes e jornalistas", afirmou um comunicado da delegação da UE na capital albanesa, que pediu uma investigação e incentivou "todas as partes a reduzirem a tensão.

Há mais de quatro meses, protestos contra o governo têm reunido regularmente dezenas de milhares de pessoas. As manifestações foram desencadeadas por um projeto de turismo de luxo ligado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no sul do país, as manifestações ocasionalmente terminaram em violência, em meio aos persistentes pedidos pela renúncia de Rama.

Desde o fim de maio, manifestantes denunciam os planos para a construção de um hotel em uma reserva natural costeira ligado à filha de Trump, Ivanka, e ao marido dela, Jared Kushner.

O projeto alimentou a indignação diante de supostas práticas de corrupção e da falta de transparência. Os estudantes repetiram essas reivindicações, mas disseram à imprensa albanesa que o protesto de terça-feira era contra as condições das universidades, as mensalidades e a falta de apoio aos jovens.

Em números

  • Pessoas recorrendo a gás lacrimogêneo, após uma noite violenta nas ruas que terminou com 16 pessoas presas

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo
Brasil — imagem padrão
Brasil

Trump anuncia exploração de petróleo e gás na Groenlândia

O gabinete do primeiro-ministro da Groenlândia se recusou a comentar a declaração de Trump. O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca e o Ministério de Recursos Minerais da Groenlândia não responderam imediatamen

Em Brasil