Manifestantes e policiais de choque entraram em confronto na capital da Albânia nesta quarta-feira (14), no segundo dia consecutivo de violência desencadeada por protestos estudantis que reivindicam melhores condições nas universidades e a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.
Ao longo de várias horas, a polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo, enquanto manifestantes atacaram um prédio do governo e lojas em Tirana, quebrando janelas e, em pelo menos uma ocasião, incendiando um edifício.
A tropa de choque tentou dispersar a multidão de centenas de pessoas recorrendo a gás lacrimogêneo, após uma noite violenta nas ruas que terminou com 16 pessoas presas.
Os manifestantes lançaram objetos, incluindo pedras do calçamento e coquetéis molotov, atearam fogo a lixeiras e usaram grades de rua para erguer barricadas em uma via central próxima ao Ministério da Educação, segundo jornalistas da AFP.
Duas pessoas escalaram o muro do ministério e lançarem sinalizadores para dentro do prédio e, pouco tempo depois, uma fumaça preta começou a sair de uma janela.
Os bombeiros rapidamente extinguiram as chamas.
Nas proximidades, um grupo de homens também foi visto quebrando as janelas de uma agência bancária antes de atear fogo a documentos. A polícia interveio para apagar o incêndio.
Em outro incidente, as chamas tomaram o que parecia ser um prédio abandonado, enquanto manifestantes quebravam vitrines de lojas próximas. A polícia havia pedido calma mais cedo, mas as tensões continuaram elevadas durante a tarde.
Segundo o Ministério da Saúde, seis policiais, oito manifestantes, três jornalistas e duas pessoas que passavam pelos locais receberam atendimento médico na terça-feira (13), inclusive por exposição a gás lacrimogêneo.
Durante a noite, pessoas também arrombaram as portas do prédio da prefeitura, atearam fogo no interior e danificaram vários outros edifícios, segundo a polícia.
Os manifestantes se reuniram inicialmente na manhã de terça-feira para exigir a renúncia do premiê e mais apoio aos estudantes do país. O ato ocorre após meses de protestos contra o governo na capital.
Enquanto isso, a União Europeia, à qual o país balcânico tem como objetivo aderir, manifestou preocupação com o que chamou de "escalada da violência no protesto em Tirana.
Tomamos conhecimento das denúncias de violência excessiva da polícia contra manifestantes e jornalistas", afirmou um comunicado da delegação da UE na capital albanesa, que pediu uma investigação e incentivou "todas as partes a reduzirem a tensão.
Há mais de quatro meses, protestos contra o governo têm reunido regularmente dezenas de milhares de pessoas. As manifestações foram desencadeadas por um projeto de turismo de luxo ligado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no sul do país, as manifestações ocasionalmente terminaram em violência, em meio aos persistentes pedidos pela renúncia de Rama.
Desde o fim de maio, manifestantes denunciam os planos para a construção de um hotel em uma reserva natural costeira ligado à filha de Trump, Ivanka, e ao marido dela, Jared Kushner.
O projeto alimentou a indignação diante de supostas práticas de corrupção e da falta de transparência. Os estudantes repetiram essas reivindicações, mas disseram à imprensa albanesa que o protesto de terça-feira era contra as condições das universidades, as mensalidades e a falta de apoio aos jovens.
Em números
- Pessoas recorrendo a gás lacrimogêneo, após uma noite violenta nas ruas que terminou com 16 pessoas presas
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