Milhares de manifestantes participaram neste sábado (17), em Túnis, capital da Tunísia, do maior protesto dos últimos anos contra Kais Saied, que comanda o país.
Eles o acusam de minar a democracia e de conduzir mal a economia, um desafio crescente de seu governo.
A manifestação, liderada pela principal central sindical do país, a UGTT, e por grupos da sociedade civil, ocorre em meio a uma crise econômica, à deterioração dos serviços públicos, aos cortes recorrentes de água e energia elétrica e à escassez de medicamentos e produtos essenciais.
Saied assumiu amplos poderes em 2021 e 2022, dissolvendo o Parlamento, destituindo dezenas de juízes e governando por decretos, medidas que seus opositores classificaram como um golpe.
Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que ele intensificou a repressão contra a sociedade civil, jornalistas e figuras da oposição. Saied rejeita essas acusações, diz não ser um ditador e acusa seus adversários de alimentar a agitação social.
Os participantes pediram a libertação dos críticos do governo e exigiram o fim do que classificaram como ataques aos direitos sindicais. Alguns carregavam cartazes expressando frustração com o desemprego e a poluição.
Em uma rara demonstração de unidade, partidos de oposição de diferentes correntes políticas se uniram a advogados, médicos, jornalistas, desempregados e grupos da sociedade civil em uma marcha pela avenida Habib Bourguiba, um dos principais palcos dos protestos de 2011 que ajudaram a desencadear as revoltas da Primavera Árabe.
O protesto representa um desafio significativo para Saied, após anos de divisões terem enfraquecido a capacidade da oposição de mobilizar grandes multidões.
O silêncio não será mais aceitável. O Estado não pode ser construído concentrando todos os poderes nas mãos de uma única pessoa", disse Slah Eddine Salmi, dirigente da UGTT, aos manifestantes.
Centenas de policiais foram mobilizados em toda a capital.
Os manifestantes entoaram: "Sem medo, o poder pertence ao povo" e "as prisões estão cheias, o povo está com fome". Eles também retomaram o lema emblemático da revolta de 2011, que na Tunísia foi notavelmente pacífica: "O povo quer a queda do regime.
Basta! O país está desmoronando. Sofremos com cortes de energia e de água, e enfrentamos uma crise após a outra", disse Yassine Gharseli, manifestante de Sfax, cerca de 250 km ao sul de Túnis.
Vim de Sfax para defender minha liberdade e não pretendo desistir, mesmo que eu me torne a última voz do país.
Em números
- Frentamos uma crise após a outra", disse Yassine Gharseli, manifestante de Sfax, cerca de 250 km ao sul de Túnis
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