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Lula defende Sul Global; Flávio quer proximidade com EUA e Israel

Conheça as propostas dos candidatos ao segundo turno para política externa

6 min de leitura
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Por sua vez, o plano do candidato Flávio Bolsonaro (PL) para política externa defende uma aproximação maior com Estados Unidos (EUA), Israel e Argentina.

Destaque na campanha deste ano, a política externa do Brasil é abordada pelos candidatos em capítulos específicos dentro dos planos de governos. Lula reservou quase seis páginas para o tema e Bolsonaro cerca de três.

O plano de Lula destaca que o mundo vive “conflitos sem precedentes” desde a 2ª Guerra Mundial, com ataques ao direito internacional e à tentativa de “imposição de uma ordem mundial predatória”.

O candidato do PL, por sua vez, diz que a soberania se exerce “na prática” e não com “bravatas”.

Flávio tem defendido as agressões bélicas do governo de Donald Trump no mundo, como a guerra contra o Irã e a invasão da Venezuela, além de criticar a política do Brics de estimular o comércio entre países sem a necessidade do dólar.

Já o governo Lula adota uma postura de condenação aos ataques militares contra o Irã e à intervenção militar na Venezuela com a captura de Nicolás Maduro, combinada com apelos por diálogo diplomático, respeito ao direito internacional e contenção das partes.

O plano de governo de Lula promete fortalecer a indústria de defesa nacional em um mundo onde o direito internacional vem sendo constantemente violado.

O projeto do candidato do PT cita as medidas tomadas no atual mandato para fortalecer a capacidade de defesa do Brasil por meio do Novo PAC [Programa de Aceleração do Crescimento].

O candidato Flávio Bolsonaro também aborda a relação entre defesa e política internacional ao prometer incentivar as tecnologias militares disponíveis com foco em inovação em drones e inteligência artificial.

No plano de Lula, é prevista uma política externa “universalista” por meio de relações com “todas as partes do mundo” para diversificar as parcerias comerciais do Brasil.

Desde o ano passado, o Brasil tem sido alvo da política de tarifas do governo Trump, que afeta outros aliados históricos dos EUA, como Canadá e Índia.

O plano de governo da chapa de Lula destaca ainda a importância de fortalecer a cooperação com o Sul Global, termo usado para se referir aos países considerados ainda não desenvolvidos, majoritariamente localizados no Hemisfério Sul do planeta.

O G20 é o grupo de países com as maiores economias do planeta, incluindo União Europeia e União Africana, que reúne ainda EUA, França, Alemanha, Japão e Coreia do Sul.

Já o Brics reúne Rússia, Índia, China, África do Sul, Árabia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã.

O plano de Lula promete ainda o aprofundamento das relações com a África, "reconhecendo sua crescente importância na ordem internacional e os laços históricos e culturais que unem o Brasil ao continente africano”.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma que defender a soberania é abrir mercados para quem produz no Brasil e atrair investimentos.

Negociaremos com todos os que interessam ao Brasil, da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos, porque o que orienta a nossa diplomacia é o interesse do produtor e do trabalhador brasileiro, não a simpatia ou a antipatia por este ou aquele governo.

O plano de Lula prevê o desenvolvimento de uma uma política específica para minerais críticos e terras raras. O intuito é organizar cadeias produtivas, diferenciar seus usos tecnológicos e evitar a simples exportação de matérias-primas estratégicas.

Já Flávio Bolsonaro diz que vai trabalhar para atrair o capital estrangeiro e a tecnologia já existente no mundo, transferindo esse conhecimento ao Brasil.

O assunto das terras raras tem sido abordado por Flávio Bolsonaro em encontros no exterior. Em março deste ano, em evento com conservadores nos Estados Unidos, ele afirmou que o Brasil é a solução para “quebrar” a dependência que os EUA têm da China em relação aos minerais críticos.

Atrás apenas da China, o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, cerca de 23%. Os EUA concentram apenas 1,9 milhão de toneladas, algo em torno dos 2% das reservas conhecidas.

Os minerais críticos, entre eles, as terras raras, estão no centro da disputa comercial e tecnológica entre China e EUA por serem os insumos fundamentais das indústrias de tecnologia, defesa e transição energética.

O governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, foi marcado por atritos com a China, entre eles, a sugestão de Eduardo Bolsonaro de que a pandemia de covid-19 seria de responsabilidade do governo de Pequim, o que levou a Embaixada da China no Brasil pedir retratação pela "provocação flagrante.

Ao reconhecer um mundo em turbulência, o plano do governo Lula destaca que a integração regional e a afirmação da América do Sul e do Caribe como “zona de paz” deve ser uma das prioridades do próximo mandato.

Em crítica ao governo de Jair Bolsonaro, pai do candidato Flávio, o plano de Lula argumenta que o Brasil ficou “isolado” geopoliticamente com Jair, com rebaixamento do prestígio diplomático e desidratação de acordos regionais.

Lula ainda tem acusado a família Bolsonaro de “traidores da Pátria” uma vez que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro se mudou para os EUA, onde articulou tarifas comerciais do governo Trump contra o Brasil.

Ao anunciar as tarifas aos produtos brasileiros, em julho de 2025, o presidente dos Estados Unidos criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal que, à época, se preparava para o julgamento de Jair Bolsonaro pela trama golpista.

Tanto Eduardo quanto Flávio comemoraram a adoção de tarifas pelos Estados Unidos, apesar dos prejuízos para parte da cadeia econômica brasileira.

O candidato do PL, por sua vez, costuma responsabilizar uma suposta agenda “anti-EUA” do governo Lula para justificar as tarifas impostas por Trump ao Brasil.

No capítulo que aborda o agronegócio brasileiro, Flávio Bolsonaro informa que vai trabalhar para “buscar soluções diplomáticas eficazes contra sanções dos EUA, da China e da Europa aos produtos nacionais”.

Nas redes sociais, entretanto, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, defende uma “faxina” no Itamaraty contra servidores que supostamente teriam “sabotado” o governo do pai dele, Jair Bolsonaro.

No plano do candidato Flávio, destaca-se ainda o objetivo de incluir o Brasil na OCDE [Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico], fórum que reúne 38 países, entre eles, os mais desenvolvidos, para produção de estatísticas e recomendação de políticas públicas.

A Agência Brasil publica, neste segundo turno, matérias com o comparativo dos planos de governo dos dois candidatos.

Em números

  • Nas da China, o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, cerca de 23%
  • Os EUA concentram apenas 1,9 milhão de toneladas, algo em torno dos 2% das reservas c

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