No início da década de 1980, quando o incipiente regime islâmico do Irã lutava pela sobrevivência em uma guerra contra o Iraque, Mohsen Rezaei ganhou notoriedade nas linhas de frente como um jovem e linha-dura comandante da recém-criada Guarda Revolucionária.
Enquanto outros líderes pressionavam por um acordo, Rezaei defendia que o Irã continuasse lutando —mesmo depois de recuperar o território tomado pelo ditador iraquiano Saddam Hussein.
Teerã e Bagdá finalmente concordaram com um cessar-fogo em 1988, com os dois países exauridos pelo conflito.
Quase quatro décadas depois, Rezaei está novamente prestes a travar uma batalha existencial pela República Islâmica. Nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, o linha-dura de 71 anos é agora, na prática, a principal autoridade de segurança do país —com voz decisiva na definição dos rumos da guerra contra os EUA.
A medida, que consolida sua posição como um dos principais homens de confiança do aiatolá Mojtaba Khamenei, ocorre no momento em que o regime endurece o discurso diante de uma iniciativa diplomática para reabrir o estreito de Hormuz e levar EUA e Irã de volta às negociações, deixando esses esforços à deriva.
Um dia antes do anúncio da nomeação de Rezaei, seu antecessor, Mohammad Bagher Zolghadr, apresentou uma série de condições que, segundo ele, os EUA deveriam cumprir antes que o Irã concordasse em reabrir o estreito.
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A lista incluía a exigência de que os EUA encerrassem permanentemente a guerra contra o Irã e seus aliados regionais, suspendessem o bloqueio naval aos portos iranianos e retirassem as forças americanas das proximidades do país persa.
Ele também afirmou que os Washington deveria pagar uma indenização por esta guerra e pelo conflito de 12 dias entre Israel e EUA no ano passado, suspender as sanções e desbloquear os ativos iranianos mantidos no exterior.
Nenhuma razão foi apresentada para a saída repentina de Zolghadr, enquanto outros, entre eles o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, faziam declarações semelhantes sobre condições e indenizações.
Zolghadr, também linha-dura, recebeu um novo cargo como assessor político de Khamenei.
Mas analistas que tentavam interpretar as mudanças no opaco e complexo sistema teocrático iraniano as viram como um sinal de que Mojtaba —que se tornou líder supremo em março, dez dias depois de seu pai, Ali Khamenei, ter sido morto nos primeiros ataques da guerra entre EUA e Israel— estava consolidando seu poder.
Ferido naquele ataque, Mojtaba não foi visto nem ouvido em público desde o início da guerra, comunicando-se por meio de declarações escritas divulgadas de um local seguro desconhecido.
Depois, Mojtaba anunciou mais nomeações na área de segurança, incluindo a oficialização dos cargos de altos comandantes militares e da Guarda que assumiram suas funções após seus antecessores serem mortos durante a guerra.
Analistas interpretaram a medida como mais um sinal de que Mojtaba imprimia sua marca no regime.
Ali Vaez, especialista em Irã do think tank Crisis Group, disse que a promoção de Rezaei indicava que Mojtaba buscava criar um contrapeso a Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento que liderou negociações anteriores com os EUA e se tornou um dos líderes civis mais influentes em tempos de guerra.
Rezaei é membro da velha guarda e mentor de Mojtaba Khamenei. Creio que Mojtaba confia mais nele do que em Zolghadr, que é mais próximo de Ghalibaf", disse Vaez.
Se há algo que Mojtaba aprendeu com o pai, é que, independentemente do quanto se confie nas pessoas do círculo íntimo, ninguém deve acumular poder suficiente para ofuscar o líder supremo.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.