Ir para o conteúdo

Segunda-feira, 19 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 27°C Parcialmente nublado

Mundo

Governos de direita da América do Sul enfrentam realidade após vitórias eleitorais, e investidores reduzem

Presidentes de direita em sete países sofrem para cumprir promessas, enfrentar dívidas e manter popularidade

2 min de leitura
Mundo — imagem padrão

As fortes altas dos mercados financeiros desencadeadas por eleições em toda a América Latina começam a exibir suas fragilidades —despertando dúvidas entre investidores sobre se devem continuar impulsionando ações e moedas ou vender os papéis para realizar lucros, à medida que as promessas de campanha passam a esbarrar nas dificuldades de governar.

Na Colômbia, após a vitória do presidente Abelardo de la Espriella no primeiro turno, em maio, a moeda disparou, os rendimentos dos títulos despencaram e as ações subiram mais de 20% em relação às mínimas.

Mas, apenas dois meses após sua posse, os ganhos perderam força, enquanto o líder de direita enfrenta o que seus assessores classificaram como a pior crise fiscal do país desde o século 19.

No Chile, perdeu fôlego a disparada que levou as ações a níveis recordes após a eleição, há 11 meses, do presidente ultradireitista Jose Antonio Kast.

As dificuldades dos líderes de extrema direita no Peru, no Equador e na Argentina para preservar a popularidade e levar adiante suas agendas servem de alerta aos investidores que vêm apostando no Brasil, fazendo as ações subirem mais de 20% desde meados de agosto, na expectativa de que Flávio Bolsonaro derrote o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição deste mês.

Alguns gestores, entre eles o fundo de hedge Frontier Road, de Londres, e a Fidelity International, reduziram a exposição à região. Outros mantêm a aposta. Eric Fine, da VanEck, que mantém sua posição de maior sobreponderação em títulos da dívida brasileira denominados em moeda local, vê espaço para novos ganhos, mas teme que eles sejam limitados pelos desafios fiscais do país.

Há, sem dúvida, riscos de que essa euforia inicial dê lugar à desilusão", comentou Matthew Graves, gestor de portfólio da PPM America, em Los Angeles. "Essas foram ‘eleições de mudança’, motivadas mais pela rejeição ao status quo do que necessariamente por um apoio expressivo a algo como a austeridade fiscal.

Por mais de um ano, operadores investiram em ativos de toda a América Latina, aproveitando avaliações atraentes na expectativa de que o descontentamento com governos de esquerda levasse a uma guinada política à direita, semelhante à que conduziu Javier Milei ao poder na Argentina há três anos.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo