Os Estados Unidos organizaram nesta segunda-feira (19) uma reunião com países aliados na sede da ONU, em Nova York, para tentar derrubar uma tradicional resolução que, a cada ano, reúne maioria de votos entre os 193 membros da organização contra o embargo a Cuba.
O Brasil não foi convidado para o evento batizado de "Cuba Livre: A Opressão que Havana Esconde". A delegação de Cuba na ONU realizou um protesto na saída do evento, e um membro da missão do Brasil foi enviado para acompanhar os desdobramentos.
O evento fez parte da agenda paralela da ONU e, usualmente, todas as delegações são avisadas para decidirem se enviam um representante ou não. A tradição não foi seguida desta vez, ainda que o evento tenha sido transmitido ao vivo no site da ONU.
À reportagem o opositor cubano José Daniel Ferrer, que participou discursando, disse que foram convidadas as delegações que estão abertas a debater um rechaço à resolução contra o embargo, o que não incluiria a do Brasil.
Questionado sobre quais foram os países convidados, o Departamento de Estado não retornou os contatos da reportagem até a publicação deste texto.
Mas com o resultado que esperamos no dia 25 de outubro", diz Ferrer, "creio que vamos convidar o Brasil para uma próxima reunião do tipo". "Desejamos com toda a nossa força que [o senador] Flávio [Bolsonaro] ganhe; [o presidente] Lula tem sido um aliado do regime cubano.
Ferrer é um dos opositores mais conhecidos do regime comunista cubano. Ele desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, em outubro do ano passado após anos na prisão e um acordo feito pela Casa Branca com Havana para dar-lhe exílio.
Ele viveu entre a cadeia e a liberdade desde março de 2003, quando foi detido junto a mais de outros 70 opositores no que ficou conhecido como "a primavera negra" na ilha, um momento de alta repressão.
Foi colocado em liberdade em 2011, graças à Igreja Católica, mas enviado novamente à prisão em 2021, após os protestos de julho daquele ano.
Ainda segundo Ferrer, o objetivo do evento desta segunda-feira foi mostrar às delegações da ONU que o problema de Cuba não seria o embargo americano, intensificado no governo de Donald Trump, mas a administração da "ditadura Castro-comunista.
A Assembleia Geral da organização votará na semana que vem a resolução que pede o fim do embargo dos EUA à ilha. O texto foi submetido à votação pela primeira vez em 1992 e, desde então, recebe maioria dos votos favoráveis.
No ano passado, já com o governo Trump, a maioria foi menos expressiva: 165 países votaram a favor, ante média de 190 nos anos anteriores.
Isso porque nações como Argentina, Israel, Paraguai e Ucrânia apoiaram a Casa Branca ao votar contra o texto. Essa negativa tem tudo para crescer neste ano, quando os EUA aumentaram sua esfera de influência em especial na América Latina, com governos à direita que têm votado junto aos americanos.
Com esses números expressivos a favor do texto, derrubar a resolução é uma tarefa difícil. O que a Casa Branca busca, portanto, é drenar ao máximo o apoio ao texto, para criar uma derrota discursiva para a ilha.
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