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Estados Unidos: novas sanções ao Irão criam riscos para empresas europeias

Os EUA alargaram as sanções secundárias para cortar os laços económicos restantes do Irão, alertando que empresas que negoceiem com Teerão arriscam perder acess

6 min de leitura
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Washington está, na prática, a exigir que todas as empresas do mundo escolham entre o Irão e o sistema financeiro norte-americano. Numa conferência de imprensa do Tesouro dos EUA, na segunda-feira, Scott Bessent apresentou uma campanha que descreveu como uma “ofensiva económica” contra as ligações financeiras do Irão e afirmou esperar já “o anúncio da sanção a uma grande instituição financeira até ao final desta semana”.

O plano, baptizado Operação Economic Outcast, surge na sequência do aviso de Bessent, no domingo, de um “Dia D económico” para Teerão. O Tesouro dos EUA colocou sob sanções perto de 60 empresas, particulares e navios em várias jurisdições, incluindo cidadãos chineses, e suspendeu licenças que autorizavam relações limitadas com o Irão.

Mais relevante para as empresas estrangeiras é o alargamento das sanções secundárias ao transporte marítimo, aviação, ouro, tecnologia e ativos digitais, além do foco já existente no petróleo.

Qualquer entidade que lave dinheiro em nome do Irão será excluída do sistema do dólar, afirmou Bessent, acrescentando que “ninguém está acima” destas medidas quando questionado se se aplicariam também à China.

O secretário do Tesouro dos EUA recusou fixar um prazo para cumprimento, mas avisou que Washington não tem paciência infinita, enquanto o presidente norte-americano, Donald Trump, telefona a líderes mundiais a pedir que suspendam o comércio com o Irão.

Essencialmente, o Tesouro norte-americano evitou penalizar diretamente qualquer país terceiro, guardando o golpe mais duro em reserva durante aquilo a que chamou um “período de regularização”.

O Irão prometeu retaliar e afirmou esperar que os principais parceiros comerciais resistam à pressão de Washington. Europa com exposição direta muito limitadaAs empresas europeias têm hoje pouco a perder em termos de comércio com o Irão.

Segundo o Eurostat, o volume de comércio de bens da UE com o Irão foi de apenas 3,72 mil milhões de euros em 2025, dos quais 2,97 mil milhões correspondiam a exportações europeias, cerca de 0,1% do que o bloco vende ao exterior e muito abaixo do pico, acima de 27 mil milhões de euros, registado em 2011.

Ainda assim, o que resta está concentrado. A Alemanha representa cerca de 32% do comércio UE-Irão, a Itália 16% e os Países Baixos 15%. As exportações europeias são sobretudo medicamentos, maquinaria e equipamento médico, categorias muitas vezes abrangidas por isenções humanitárias, enquanto as importações são dominadas por pistáchios e outros produtos alimentares.

Por estas razões, os mercados europeus reagiram com calma à notícia na manhã de terça-feira. À hora de redação, tanto o Euro Stoxx 50 como o mais amplo índice pan-europeu Stoxx 600 negociavam cerca de 0,2% acima.

FTSE 100 do Reino Unido, DAX 30 da Alemanha, CAC 40 de França, FTSE MIB de Itália, AEX dos Países Baixos e CH20 da Suíça avançavam todos entre 0,1% e 0,3%, com o índice alemão a liderar os ganhos.

Maior risco para a Europa está na infraestrutura financeiraO perigo maior não é o comércio com o Irão, mas o alcance da própria aplicação das sanções norte-americanas.

Bancos, seguradoras, companhias de transporte marítimo e intermediários de matérias-primas executam operações para clientes em dezenas de países, e é a exposição a uma contraparte sancionada noutro mercado, mais do que negócios diretos em Teerão, que costuma desencadear penalizações.

Nas salas de administração europeias, o precedente continua bem presente. Em 2014, o BNP Paribas pagou um valor recorde de 8,9 mil milhões de dólares (7,6 mil milhões de euros) e declarou-se culpado de acusações criminais por processar transações envolvendo o Irão, o Sudão e Cuba, perdendo depois durante um ano o direito de liquidar operações em dólares através da sua sucursal de Nova Iorque.

As empresas europeias enfrentam também um impasse jurídico. O Estatuto de Bloqueio da UE impede as empresas de cumprirem as sanções norte-americanas contra o Irão, salvo autorização da Comissão, e o Tribunal de Justiça da União Europeia determinou que as empresas que rescindem contratos iranianos têm de justificar a decisão com motivos que não a pressão dos Estados Unidos.

Na prática, a maioria optou pelo dólar norte-americano desde 2018, e esta semana oferece-lhes poucos motivos para reconsiderar.

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Em números

  • Segundo o Eurostat, o volume de comércio de bens da UE com o Irão foi de apenas 3,72 mil milhões de euros em 2025, dos quais 2,97 mil milh
  • Uropeias, cerca de 0,1% do que o bloco vende ao exterior e muito abaixo do pico, acima de 27 mil milhões de euros, registado em 2011
  • Em 2014, o BNP Paribas pagou um valor recorde de 8,9 mil milhões de dólares (7,6 mil milhões de euros) e d

Fontes

Informação baseada em material público de Euronews PT, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Euronews PTlink

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