Salários de trabalhadores com formação profissional cresceram 22% em cinco anos, enquanto os de acadêmicos aumentaram 17%. Especialistas também analisam os possíveis efeitos da inteligência artificial no mercado de trabalho.
Os salários dos trabalhadores manuais e dos profissionais com formação técnica cresceram mais do que os dos trabalhadores com ensino superior na Dinamarca nos últimos cinco anos.
O aumento foi de 22%, contra 17% entre os profissionais com diploma universitário, percentual próximo ao da inflação.
Os dados são do Instituto de Estatística da Dinamarca (Danmarks Statistik). Segundo Jesper Grunnet-Lauridsen, chefe de análise da 3F, o maior sindicato do país, a forte demanda por mão de obra qualificada pode ter pressionado os salários para cima.
O analista também observa que, em algumas áreas, o mercado pode estar formando mais profissionais com ensino superior do que necessita, o que ajudaria a explicar o crescimento salarial mais modesto nesses setores.
Entre as profissões qualificadas estão eletricistas, pedreiros, técnicos de instalações hidráulicas, aquecimento e ventilação, mecânicos industriais, metalúrgicos e marceneiros.
Dependendo da profissão, da experiência, do setor e do sistema de remuneração, trabalhadores manuais podem alcançar salários comparáveis aos de profissionais com ensino superior.
A Dinamarca também mantém uma lista oficial de profissões qualificadas e reconhecidas para fins de trabalho e imigração. Entre as ocupações incluídas estão eletricistas, cozinheiros, padeiros, açougueiros e mecânicos.
O pesquisador de inteligência artificial Mark Friis Hau, da Universidade de Roskilde, afirma que os dados mais recentes são compatíveis com o fato de que a IA ainda não deixou marcas claras na economia dinamarquesa a curto prazo.
Uma análise do Conselho Econômico do Movimento Trabalhista dinamarquês (AE) mostra que sete das nove funções consideradas mais vulneráveis à tecnologia registraram crescimento do emprego desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022.
Segundo Frederik Olsen, analista da AE, “ainda não houve uma substituição em larga escala dos empregos, mas ainda é cedo para avaliar todos os efeitos da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho”.
Os dados indicam que, até o momento, o avanço da nova tecnologia não provocou uma redução generalizada do emprego nas funções consideradas mais vulneráveis. Os efeitos de longo prazo, porém, ainda permanecem incertos.
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