Ir para o conteúdo
Mato Grosso do Sul

Cavalo de 300 kg e flores congeladas mostram até onde vai a arte no gelo

5 min de leitura
Cavalo de 300 kg e flores congeladas mostram até onde vai a arte no gelo

Empresa de Dourados transforma matéria-prima em esculturas que podem levar até duas semanas para ficar prontas.

Um cavalo em tamanho real, feito inteiramente de gelo, pode pesar cerca de 300 quilos e levar dias para ficar pronto. Flores podem ser congeladas dentro de blocos transparentes, garrafas ficam suspensas no gelo e até mesas de buffet ganham recipientes esculpidos à mão.

Por trás das peças está a Gelo Brizzah, empresa sul-mato-grossense que trabalha com gelo translúcido e encontrou nos eventos um espaço para transformar blocos congelados em esculturas.

Antes de qualquer escultura existir, é preciso produzir a matéria-prima. Uma máquina especializada leva pelo menos 72 horas para formar um único bloco de aproximadamente 1 metro por 50 centímetros, com cerca de 200 quilos.

É desse “tijolão” transparente que começam a surgir cavalos, peças de buffet, suportes para bebidas, arranjos com flores e outras formas. Depois que o bloco fica pronto, praticamente todo o restante depende das mãos de quem esculpe.

E colocar uma flor num bloco de gelo também não significa simplesmente mergulhá-la na água e levar tudo ao congelador. Segundo Aline, o congelamento precisa ocorrer em etapas e ser acompanhado durante o processo.

Entre tudo o que já saiu da produção, duas esculturas dão dimensão de até onde o trabalho pode chegar. Para o aniversário de uma debutante em Ponta Porã, a empresa recebeu a missão de reproduzir em gelo dois cavalos em tamanho real.

Cada escultura pesava aproximadamente 300 quilos. Juntas, portanto, chegavam perto de 600 quilos de gelo esculpido.

E sim: depois de duas semanas de trabalho, centenas de quilos e tantos detalhes, a obra termina como toda escultura de gelo termina. Derretendo.

Mas como o gelo fica tão transparente? - Quem observa as peças também percebe uma diferença imediata em relação àquela pedra esbranquiçada que sai do congelador de casa.

Nas esculturas, o gelo é translúcido, o que permite enxergar flores, garrafas e outros elementos colocados em seu interior. A diferença está na maneira como ele é produzido.

Segundo ela, durante esse processo, ar e resíduos são retirados da água, o que contribui para o aspecto cristalino. O método também interfere no tempo de derretimento.

De acordo com Aline, o gelo produzido dessa maneira derrete mais lentamente que o tradicional.

Ainda assim, nenhuma escultura escapa do calor para sempre. Em média, uma peça mantém seu formato original por cerca de 8 a 10 horas, embora espessura, tamanho e temperatura do ambiente façam diferença.

Uma escultura grande, como o cavalo de aproximadamente 300 quilos, levaria cerca de 48 horas para derreter completamente, segundo a empresa.

E como se transporta um cavalo de gelo? - Esculturas menores podem sair prontas da empresa. Elas recebem proteção, são armazenadas em caixas de isopor e seguem até o destino em veículo refrigerado.

Com as gigantes, a estratégia muda. “A peça de grande porte, normalmente é montada no evento pois não é possível a entrega dela montada devido sua dimensão. Já as peças menores, como as florais, são entregues por inteira não sendo necessária sua montagem no local”, detalha Aline.

Por isso, a logística começa a ser planejada junto com a própria escultura. Local, horário, dimensões e condições do evento precisam entrar na conta antes mesmo de o gelo começar a ser esculpido.

A história por trás das esculturas começou quando Aline decidiu entrar no ramo do gelo em 2009, depois de receber um conselho do tio sobre a baixa concorrência que existia naquele período.

A primeira tentativa começou no fundo de casa. “O projeto se iniciou em 2009, após aconselhamento do meu tio, irmão da minha mãe, que o ramo do gelo era um nicho de negócio rentável na época devido a baixa concorrência.

Durante quatro anos, ela tentou fazer o negócio avançar. Mais tarde, conheceu Marco Aurélio, hoje marido e sócio, que passou a tocar o projeto ao lado dela.

A empresa chegou a se chamar Mineral Ice. Quando os proprietários tentaram registrar a marca, descobriram que o nome já era utilizado e precisaram procurar outro.

Surgiu então Gelo Brizzah, nome que, segundo Aline, teve como inspiração a aurora boreal e a ideia de frio.

A virada para o gelo translúcido veio anos depois, a partir de pesquisas sobre trabalhos realizados fora do Brasil. Aline diz que percebeu um espaço ainda pouco explorado por aqui e que a empresa foi pioneira nesse tipo de produção em Mato Grosso do Sul.

O primeiro empurrão veio da gastronomia. O chef Marlon Libório pediu uma peça de buffet para um evento, e o resultado fez com que Aline e Marco enxergassem outras possibilidades.

Marco é quem desenvolve as esculturas. Antes de começar a cortar o bloco, ele projeta as dimensões da peça em um programa e usa as medidas como referência durante a execução.

Ferramentas ajudam nos cortes e acabamentos, mas, segundo Aline, não existem moldes responsáveis pelo formato final. O casal pesquisou, estudou e produziu peças de teste até desenvolver a técnica.

Já as que costumam provocar maior surpresa nos convidados, segundo Aline, são as utilizadas nos buffets. Nelas, o gelo vira parte da própria apresentação da comida: recipientes, bases e estruturas transparentes dividem espaço com flores e louças.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…