Ir para o conteúdo
Mundo Revisado por ULTRA AI

Decisão de Moraes sobre fonte de jornalista: entidades internacionais veem 'precedente perigoso' e 'grave

Entidades internacionais de defesa da liberdade de imprensa criticam a medida autorizada pelo ministro em 11 de agosto e alertam para riscos ao sigilo das fonte

7 min de leitura
Mundo — imagem padrão

BBC News, Vá para o conteúdoNotícias.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na terça-feira (11/8) uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão apontado como uma das fontes do jornalista Luís Pablo.

A medida faz parte de uma investigação sobre a obtenção e divulgação de informações relacionadas ao ministro Flávio Dino, também do STF, e foi tomada depois que a PF identificou Cutrim a partir da análise de equipamentos apreendidos anteriormente com o jornalista.

A investigação começou após Luís Pablo publicar reportagens sobre o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e familiares. Em março, o jornalista foi alvo de uma primeira operação, quando a PF apreendeu celulares, notebook e outros dispositivos.

Segundo os investigadores, a análise desse material levou à identificação de Cutrim como a pessoa que teria fornecido ao jornalista imagens e informações obtidas em sistemas de acesso restrito.

Com base nessas informações, a PF pediu a realização de novas buscas contra Cutrim.

O pedido recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e foi autorizado por Moraes. Entre os materiais que poderiam ser apreendidos estão aparelhos eletrônicos e documentos.

A medida provocou reação de entidades brasileiras e internacionais de defesa da liberdade de imprensa porque a identificação da suposta fonte ocorreu a partir da análise do material retirado do jornalista.

Para organizações como ARTICLE 19, Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), o caso levanta questões sobre a proteção constitucional e internacional das fontes jornalísticas.

A sociedade secreta fundada por alemão enterrado na Faculdade de Direito da USP.

Padres brasileiros são excomungados em meio a conflito entre Vaticano e grupo ultraconservador.

Discord no Brasil: a decisão que suspende lives da rede social no país e o que acontece agora.

Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel.

Por que a decisão provocou reação de entidades de imprensa.

Veja Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil.

Fim do Promoção Agregador de pesquisas.

A controvérsia central não é apenas o conteúdo das reportagens ou a possibilidade de investigação de eventuais crimes. É também a maneira como a investigação chegou à identidade de uma fonte jornalística.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) afirmaram que medidas que permitam identificar fontes podem ameaçar uma garantia prevista na Constituição e criar um precedente de intimidação da imprensa.

Maria Tranjan, coordenadora do programa de Proteção e Espaço Cívico da ARTICLE 19 para o Brasil e a América do Sul, afirmou que a decisão é preocupante porque fontes jornalísticas são protegidas pela Constituição.

Segundo ela, medidas de investigação que possam revelar fontes devem considerar também os efeitos que isso pode produzir sobre futuras denúncias e sobre o jornalismo investigativo.

A RSF afirmou que o sigilo da fonte não protege apenas a identidade de um informante, mas também materiais, comunicações e outros meios capazes de levar à sua identificação.

Para a organização, mesmo quando existe uma justificativa legítima para investigar riscos à segurança de uma autoridade, medidas que possam atingir a liberdade de imprensa precisam ser necessárias e proporcionais.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) também criticou o episódio. Em comunicado publicado na quarta-feira (12/8), a organização afirmou estar alarmada com a possibilidade de identificação de uma fonte por meio da análise dos dispositivos apreendidos de um jornalista.

Segundo a SIP, a violação do sigilo profissional constitui uma "grave ameaça ao exercício do jornalismo" e estabelece um "perigoso precedente para a liberdade de imprensa no Brasil.

A SIP citou ainda padrões interamericanos de proteção ao sigilo profissional e afirmou que a confidencialidade das fontes é uma condição para que pessoas possam fornecer informações de interesse público sem medo de represálias.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Maranhão e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também se manifestaram em defesa da proteção das fontes.

Em março, Luís Pablo foi alvo de uma operação determinada por Moraes. Na ocasião, foram apreendidos celulares, notebook e outros dispositivos utilizados pelo jornalista.

Os equipamentos foram posteriormente devolvidos, depois da extração dos dados, segundo informações publicadas sobre o caso.

A partir da análise desse material, a PF afirma ter identificado Cutrim como fonte do jornalista. Segundo a investigação, mensagens trocadas entre os dois indicariam o envio de imagens e informações sobre veículos ligados ao Tribunal de Justiça do Maranhão.

Segundo a PF, Cutrim teria usado informações às quais teve acesso em razão de funções públicas que exerceu no Maranhão para obter dados e imagens relacionados aos veículos utilizados por Dino e seus familiares.

Essas informações teriam sido repassadas a Luís Pablo e utilizadas nas reportagens.

O caso, portanto, não se limita à identificação de uma fonte. A PF investiga se houve obtenção indevida de informações restritas, monitoramento do ministro e de seus familiares e eventual relação financeira por trás das publicações.

É justamente nesse ponto que está o conflito com a proteção da atividade jornalística: a investigação chegou à identidade de uma pessoa apontada como fonte depois que a polícia teve acesso aos dispositivos e às comunicações de um jornalista.

Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, a defesa de Raimundo Cutrim afirmou que ainda não tinha acesso integral aos autos, que tramitam sob sigilo, e manifestou preocupação com a exposição de uma fonte jornalística.

Em nota, a assessoria de Flávio Dino afirmou que a investigação identificou o monitoramento de veículos particulares do ministro e de familiares, além do acesso a informações relacionadas à segurança dele.

Segundo o gabinete, também foram produzidas clandestinamente imagens do ministro e de sua família, inclusive de seus filhos menores de idade.

As 3 investigações contra Lulinha autorizadas pelo STF4 agosto 2026.

Por que carta de Bolsonaro virou alvo de Moraes enquanto Lula também divulgou cartas da prisão15 julho 2026.

Os argumentos de Alexandre de Moraes para suspender visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias13 julho 2026.

Lula sem 'frente ampla' e Flávio isolado: por que líderes nas pesquisas têm apoio reduzido nesta eleiçãoHá 2 horas.

Guia do eleitor: tudo o que você precisa saber sobre as eleições de 2026 Há 2 horas.

Há razões para esse mal-estar', diz José Dirceu sobre alta rejeição a Lula 12 agosto 2026.

A cidade que fabrica mísseis para Trump: 'se você não for conservador, não venha para cá'Há 7 horas.

Eclipse solar total: as imagens do fenômeno que aconteceu nesta quarta-feira na Europa12 agosto 2026.

Entrada da China na ação do Brasil na OMC ajuda a combater guerra tarifária contra os EUA? 12 agosto 2026.

Os trabalhadores que 'dão adeus à CLT' atrás do sonho de viver fazendo vídeos de IA12 agosto 2026.

Tomar cerveja com proteína e refrigerante com fibra funciona? 12 agosto 2026.

O que é o Cinturão de Fogo do Pacífico em que está a Colômbia — e por que 90% dos terremotos do mundo ocorrem nesta região12 agosto 2026.

5Quem foi Mãe Menininha do Gantois, a maior mãe de santo do Brasil, que aconselhava de Pelé a Jorge Amado.

9Travis Kelce faz primeiras revelações sobre casamento com Taylor Swift: 'Melhor noite da minha vida.

Fontes

Informação baseada em material público de BBC Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • BBC Brasillink

Leia também

Mais em Mundo
Mundo — imagem padrão
Mundo

Suprema Corte permite a governo Trump restringir voto por correio

Em uma decisão de emergência, os ministros afirmaram que Trump poderia avançar na implementação de um decreto que havia assinado, determinando que o Serviço Postal dos EUA ajudasse a decidir quais eleitores deveriam rece

Em Mundo