Governos, sociedade civil e setor privado participam de encontro na ONU para discutir transição energética, financiamento climático e cooperação internacional, diante dos impactos das mudanças climáticas em vidas, economias e direitos humanos.
Nos últimos 11 anos, a Terra registrou as temperaturas mais altas da história e já ultrapassou temporariamente o limite de 1,5°C de aquecimento global definido no Acordo de Paris.
Na Cúpula do Clima 2026, líderes debatem ações concretas para o enfrentamento desse problema mundial.
Entre 2023 e 2024, a média da temperatura anual chegou a 1,52°C acima dos níveis pré-industriais.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, OMM, o calor extremo é a maior causa de mortalidade entre todos os fenômenos meteorológicos extremos, com uma estimativa de 489 mil mortes por ano nas primeiras décadas do século 20.
Secas, enchentes e tempestades deslocam mais de 20 milhões de pessoas anualmente, a principal causa de migração forçada em várias regiões.
Mulheres e meninas são as mais afetadas, representando 4 em cada 5 deslocados e têm 14 vezes mais chances de morrer em desastres climáticos.
Até 2050, as mudanças climáticas provocarão mais 250 mil mortes adicionais por ano decorrentes de desnutrição, malária, diarreia e estresse térmico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS.
Para o fim do século, a estimativa é 2,3°C de aquecimento. Isso significa mais ondas de calor, maior insegurança alimentar e o risco de ultrapassar pontos de não-retorno, como o degelo de geleiras.
Os planos nacionais de clima, NDCs, atuais só devem reduzir cerca de 10% das emissões até 2035, quando o necessário para atingir a meta seria 60%.
Isso exige a diminuição da emissão de poluentes de vida curta como o metano, do desmatamento e ampliação do uso de energias renováveis.
O setor da moda é um exemplo, responsável por 8% das emissões globais, mas com 60% das alegações de sustentabilidade classificadas como não comprovadas.
A transição energética deve ser acompanhada de investimentos em infraestrutura moderna, como redes elétricas, já que também é uma questão de segurança: três em cada quatro pessoas no mundo vivem em países dependentes da importação de combustíveis fósseis e estão expostas a crises geopolíticas.
Países em desenvolvimento enfrentam altos custos de empréstimo para projetos de energia limpa, mesmo possuindo grande potencial solar e eólico.
A cooperação internacional é considerada a solução para as barreiras financeiras e tecnológicas. No entanto, os recursos ainda são insuficientes e caros, aumentando o endividamento dos países subdesenvolvidos.
Para atingir o objetivo, o financiamento também deve garantir uma transição justa, apoiando trabalhadores, comunidades e permitindo que as nações produtoras de minerais valorizem a sua produção, em vez de apenas exportar matéria-prima.
E 10 anos após o Acordo de Paris, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reúne líderes para discutir três prioridades: acelerar a transição energética, incentivar financiamento e proteger pessoas.
Durante a semana, os encontros buscam transformar compromissos já assumidos em ação concreta sobre temas como oceanos, industrialização verde, adaptação e integridade da informação.
Os líderes debatem os progressos e ao final do evento, vão definir trabalhos em conjunto para acelerar a transição, fortalecer a segurança energética, promover a justiça climática e proteger as pessoas do aquecimento global.
Famosa atração turística sofre com chuvas mais intensas, inundações, erosão do solo e ondas de calor; especialistas buscam adaptar vegetação para nova realidade climática; local tem papel chave no resfriamento da cidade e apresenta temperaturas até 5°C mais baixas do que nas ruas ao redor.
Em entrevista a jornalistas antes da chegada de líderes internacionais a Nova Iorque, líder da organização António Guterres diz que é preciso agir agora ou será tarde demais; em português, ele citou conflitos duradouros e disse que ao sair do posto, vai voltar a Portugal.
Em números
- Secas, enchentes e tempestades deslocam mais de 20 milhões de pessoas anualmente, a principal causa de migra
- Até 2050, as mudanças climáticas provocarão mais 250 mil mortes adicionais por ano decorrentes de desnutri
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