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- Published 26 outubro 2026, 06:43 -03Atualizado Há 27 minutos.
A mensagem resumia duas marcas da atuação do deputado federal da Rede de Minas Gerais: mobilizar os apoiadores de Lula e reivindicar reconhecimento pelo próprio papel na campanha.
Com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro, essa disputa por reconhecimento ganha outra dimensão: quanto espaço Janones terá no próximo governo.
Com 100% das seções totalizadas, Lula teve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, segundo os dados do TSE.
Depois da confirmação do resultado, Janones cobrou reconhecimento. "Onde tá sendo formada a fila para os que duvidaram de mim pedirem desculpas?", escreveu no X.
No discurso de vitória, na noite de domingo (25), Lula chamou Janones para seu lado e agradeceu a atuação do deputado na campanha. Referiu-se a ele como "nosso general" e destacou seu papel de "levantar todo dia a moral da nossa tropa.
Fim da Promoção Resultados eleição 2026.
O presidente também associou o resultado à maneira como pretende conduzir o próximo mandato. Prometeu ampliar a participação popular nas decisões e afirmou que "a comunicação digital vai ganhar muito espaço.
O Exército do Lula ganhou escala depois do primeiro turno.
Nas mensagens, havia modelos prontos de convite para amigos e grupos. Cada convocação oferecia aos seguidores uma tarefa concreta para ampliar a presença de Lula nas redes.
Do auxílio emergencial às missões digitais.
O deputado, que tem 42 anos, construiu sua audiência falando de assuntos de impacto imediato na vida dos seguidores.
Ganhou projeção na greve dos caminhoneiros de 2018 e ampliou a presença nas redes com a defesa do auxílio emergencial na pandemia. Em 2022, depois de retirar sua candidatura presidencial e apoiar Lula, tornou-se um dos personagens da ofensiva digital contra Jair Bolsonaro.
Em 2022, Janones já recebia elogios de aliados pela atuação nas redes. À revista piauí, o marqueteiro Sidônio Palmeira, que chefia a Secretaria de Comunicação Social (Secom), destacou sua rapidez para reagir e mudar o foco do debate.
À GZH, plataforma digital do conglomerado gaúcho de mídia Grupo RBS, o deputado federal Paulo Pimenta (PT) defendeu a diversidade de estilos na campanha e disse que Janones "atinge um público diferente.
O reconhecimento ultrapassou o campo dos aliados de Lula.
Em publicação no X em 23 de outubro, antes do segundo turno, Renan Santos, fundador do MBL e adversário de Lula, colocou Janones no mesmo patamar de comunicação de Cleitinho e Nikolas Ferreira e previu que os três mineiros influenciariam os rumos do país.
O que ele fez na campanha do Lula será estudado nos próximos anos", escreveu.
Renan retomava uma publicação própria de janeiro de 2021, na qual já exaltava o potencial político de Janones e apresentava tanto Bolsonaro quanto Lula como ultrapassados.
Os elogios conviviam com resistência dentro da esquerda. Em 2022, a Folha de S. Paulo relatou o receio de petistas de que o estilo de Janones afetasse a imagem moderada que pretendiam associar a Lula.
A mesma reportagem registrou o apelido "Carlucho do bem", atribuído a um aliado, em referência ao senador eleito Carlos Bolsonaro, conhecido por sua atuação nas redes sociais durante o governo do pai, Jair Bolsonaro.
Crédito, Tomaz Silva/Agência Brasil.
A controvérsia sobre o método atravessou o governo Lula. Ao comentar seu livro, Janonismo Cultural: O uso das redes sociais e a batalha pela democracia no Brasil (Civilização Brasileira), em 2023, Janones sustentou que usava blefes, não notícias falsas.
A Agência Lupa — de checagem de fatos — já havia documentado publicações desinformativas do deputado na campanha.
Da influência nas redes à influência no governo.
O reconhecimento no discurso de vitória deu continuidade aos elogios que Lula já vinha fazendo a Janones durante a campanha.
Na madrugada de sábado (24), em uma live com Janones depois do debate da Globo, o presidente agradeceu a mobilização e disse ao deputado: "Você vai subir de patente.
Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, a vitória pode aproximar a trajetória de Janones do governo, sobretudo na comunicação.
Se o Lula ganhar, eu acho que ele se torna alguém importante dentro do governo, até para manter essa comunicação nas redes sociais", afirmou à BBC News Brasil, antes do segundo turno.
Ao comparar Janones a Pablo Marçal, Consentino vê proximidade nos mecanismos de confronto e mobilização nas redes, apesar da diferença ideológica.
Marçal, influenciador digital e um dos principais nomes engajados na campanha digital de Flávio Bolsonaro, é conhecido por seu estilo agressivo, provocativo e confrontador no ambiente digital.
A distinção, na avaliação de Consentino, está na trajetória: Marçal teria levado para a política métodos que já utilizava antes, enquanto Janones os teria desenvolvido na própria atuação política.
Do ponto de vista da mecânica, me parece muito próximo", afirmou.
A cientista política e coordenadora do Curso de Graduação em Sociologia e Política da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), Tathiana Chicarino, reconhece que Janones e Marçal compreendem o funcionamento das redes e o uso de recursos emocionais, mas considera essa uma semelhança instrumental, que não equipara o conteúdo nem os limites éticos de suas atuações.
Para Consentino, o avanço desse tipo de comunicação também pode alterar o espaço dos profissionais de campanha. Ele sugere que o marketing político tradicional, associado a nomes como Duda Mendonça e João Santana, esteja dando lugar a estrategistas de redes sociais.
Ao mencionar Sidônio Palmeira, questiona se essa comunicação tradicional teve o efeito que Lula e seu entorno esperavam. É nessa possível mudança de peso entre os métodos que situa a influência de Janones.
A passagem da campanha para o governo traria um desafio para esse estilo de confronto.
Ao comparar as exigências de atacar um governo e de defender suas políticas, Consentino afirmou: "Eu acho que esse tipo de estratégia funciona melhor quando você é oposição.
Consentino avalia que esse protagonismo tornou Janones uma referência na esquerda, com utilidade para outros candidatos além de Lula. Isso não significa uma aprovação do método: "Não vejo isso como algo necessariamente positivo, mas algo dado da realidade", disse.
Para ele, a comunicação direta com o eleitor convive com o risco de campanhas mais personalistas e menos voltadas ao debate de políticas públicas.
Para Tathiana Chicarino, a discussão sobre o futuro de Janones também precisa passar pelo partido e pelas organizações políticas, e não apenas por uma eventual função no governo.
Ela espera que o aprendizado sobre comunicação digital seja incorporado tanto pelo governo quanto por partidos e movimentos sociais, mesmo que o deputado não exerça influência diretamente.
A pesquisadora vê a possibilidade de mudança na forma de a esquerda fazer política, mas ressalta que ela não depende de Janones isoladamente.
Na sua avaliação, compreender as redes exige conectá-las à mobilização presencial: "É importante articular sempre redes e ruas", afirma. As missões e os apelos de urgência da reta final podem funcionar para a decisão eleitoral, diz, mas têm pouca possibilidade de manutenção no médio e longo prazo.
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