A visita do papa Leão XIV à França mobiliza multidões e provoca mudanças na rotina de Paris. Neste sábado (26), 600 mil fiéis são esperados para a missa na Praça da Concórdia e na avenida Champs-Élysées, ponto alto da passagem do sumo pontífice pela capital francesa.
Entre os católicos brasileiros da região parisiense, a expectativa é grande para acompanhar o evento. Leão XIV é o primeiro papa a realizar uma visita oficial à França em 18 anos.
Segundo Paulo César Santana, organizador do grupo de oração Embaixadores de Cristo, na periferia da capital francesa, a procura por informações e inscrições para os eventos papais foi intensa nas últimas semanas entre os brasileiros da região.
O père Welly, como é conhecido o padre Wellington Santos Pires, titular da Paróquia Saint-Saturnin, acredita que a visita pode deixar memórias duradouras nos fiéis e relembra a Jornada Mundial da Juventude de 1997 na França.
O sacerdote brasileiro, natural do sul da Bahia e residente na França desde 2016, espera que a passagem de um papa pelo país possa renovar o interesse pela vida religiosa e estimular reflexões dentro e fora da Igreja.
Para muitos brasileiros que vivem na França, a fé também se tornou uma forma de manter laços com o país de origem. Alguns, como o goiano Paulo César Santana e sua esposa Fernanda, encontram na língua portuguesa um espaço de acolhimento e pertencimento.
Eles organizam juntos há 11 anos o grupo de oração Embaixadores de Cristo, na Capelania Brasileira de Paris, administrada pelo padre Júlio Peixoto, na Paróquia Sainte Marie du Plant, em Champigny-sur-Marne.
Paulo conta que a iniciativa surgiu depois das dificuldades enfrentadas nos primeiros anos de adaptação à França, quando ainda não falava bem o francês.
O grupo também atua como uma pastoral social, auxiliando com cestas básicas e apoio a pessoas recém-chegadas ou que enfrentam dificuldades no país.
As reuniões semanais em português acontecem às quartas-feiras e reúnem um número variável de participantes ao longo do ano. Segundo Paulo, o grupo pode receber desde duas ou três pessoas até dezenas de participantes em um mesmo encontro.
Já as missas celebradas em português aos domingos na Capelania Brasileira costumam ficar lotadas.
Padre Welly concorda que a língua ocupa um papel importante na vivência religiosa dos imigrantes.
Ao mesmo tempo, ele considera importante que os fiéis também se abram para a realidade local: “para mim, o desafio consiste em não se fechar em uma comunidade. Não devo me fechar às experiências do próprio país em que eu me encontro”, enfatiza o sacerdote.
A dimensão histórica também ajuda a explicar o entusiasmo dos católicos. Será a primeira visita apostólica de um papa à França em 18 anos, embora Francisco tenha passado pelo país em três ocasiões durante seu pontificado.
Antes dele, Bento XVI esteve na França em 2008. Já João Paulo II visitou o país sete vezes, tornando-o seu destino internacional mais frequente fora da Polônia.
A mobilização é tamanha que a Igreja Católica francesa elevou para cerca de € 27 milhões o orçamento logístico destinado à recepção dos peregrinos e visitantes.
O interesse em torno da viagem de Leão XIV é reforçado por sua relação com a cultura local. Diferentemente de alguns antecessores, ele fala francês e, desde o início do pontificado, faz referências frequentes à espiritualidade do país e demonstra interesse pelos desafios enfrentados atualmente pela Igreja Católica francesa.
Em números
- Neste sábado (26), 600 mil fiéis são esperados para a missa na Praça da Conc
- A mobilização é tamanha que a Igreja Católica francesa elevou para cerca de € 27 milhões o orçamento logístico destinado à recepção dos pe
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