O presidente da Fifa, Gianni Infantino, perdeu o apoio de um dos oito vice-presidentes do Conselho da entidade em meio ao desgaste provocado pelo projeto de abrir parte dos negócios do futebol a investidores privados e pela saída do diretor de operações Kevin Lamour.
O húngaro Sandor Csanyi, que também preside a Federação Húngara de Futebol, afirmou em carta enviada a Infantino que “perdeu a confiança” em sua capacidade de conduzir a organização.
Na mensagem, Csanyi apontou decisões que, em sua avaliação, atenderiam “mais a interesses políticos do que ao futebol”, especialmente durante a Copa do Mundo de 2026.
O dirigente também criticou a maneira como foi conduzida a proposta de atrair capital privado para negócios relacionados às competições da Fifa. Segundo ele, o projeto avançou sem que o próprio Conselho da Fifa fosse devidamente informado.
A iniciativa previa criar uma estrutura comercial envolvendo direitos da entidade e participação de investidores privados, mas acabou abandonada após forte resistência dentro e fora da organização.
Saída de Kevin Lamour foi a 'gota d'água' O rompimento de Csanyi com Infantino ocorreu poucos dias depois da saída de Kevin Lamour, diretor de operações da Fifa e um dos principais integrantes da estrutura administrativa da entidade.
Lamour ocupava o cargo desde 2024 e supervisionava áreas administrativas importantes, incluindo assuntos jurídicos, comunicação e gestão de pessoal. A entidade agradeceu pelos serviços prestados, mas não apresentou publicamente os motivos para a saída.
Lamour havia criticado publicamente o projeto defendido por Infantino para atrair investimentos privados. Em manifestação divulgada em 31 de julho, classificou a iniciativa como projeto de “uma só pessoa” e disse que a administração da Fifa havia sido enganada sobre a forma como a proposta vinha sendo conduzida.
Para Csanyi, a saída do dirigente agravou as dúvidas sobre a condução da entidade. “Minha convicção de que você é capaz de comandar a Fifa com sucesso e de maneira eficiente (...) foi abalada”, escreveu na carta a Infantino.
Projeto com investidores aumentou pressão O plano que provocou a crise previa uma nova estrutura comercial capaz de receber investimentos privados ligados aos direitos e receitas de competições da Fifa.
A proposta enfrentou resistência de dirigentes e confederações, principalmente por questionamentos sobre transparência, governança e participação das estruturas internas no processo de decisão.
O projeto acabou retirado após a reação de diferentes setores do futebol internacional. A controvérsia, porém, continuou produzindo consequências dentro da entidade, incluindo manifestações públicas de dirigentes e mudanças no alto escalão.
Csanyi afirmou que a iniciativa foi conduzida “em segredo, sem ter sido informado ao Conselho da Fifa”, uma das razões apresentadas para retirar seu apoio ao presidente.
A decisão do dirigente húngaro amplia um movimento de questionamento à gestão de Infantino. Outros dirigentes e federações também manifestaram críticas nas últimas semanas, principalmente sobre a condução do projeto comercial e a transparência das decisões.
Infantino mira nova eleição em 2027 O episódio ocorre meses antes da eleição para a presidência da Fifa, prevista para março de 2027. Infantino pretende disputar novo mandato, mas chega ao período pré-eleitoral sob pressão de dirigentes que antes integravam sua base de apoio.
A própria Fifa reagiu recentemente às críticas ao presidente. Em comunicado oficial divulgado em 8 de agosto, a entidade afirmou que Infantino continua exercendo o cargo com o mandato concedido pelas associações filiadas e acusou setores críticos de tentar enfraquecer sua administração por meio de alegações que considera sem fundamento.
A escolha do presidente depende das associações nacionais integrantes da Fifa. Até lá, a retirada de apoio de Csanyi acrescenta um novo componente à disputa interna sobre governança, transparência e os rumos comerciais da principal entidade do futebol mundial.
Saída de Kevin Lamour foi a ‘gota d’água’.
A Fifa informou na segunda-feira (17) que a relação profissional com o executivo havia sido encerrada. Lamour ocupava o cargo desde 2024 e supervisionava áreas administrativas importantes, incluindo assuntos jurídicos, comunicação e gestão de pessoal.
Projeto com investidores aumentou pressão.
Infantino mira nova eleição em 2027.
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Fontes
Informação baseada em material público de A Crítica, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.