Na Câmara, Marcelo Vilela diz que também irá se reunir nesta semana com Luiz Kanamura, atual gestor provisório.
Em meio à crise da Santa Casa de Campo Grande, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, disse nesta segunda-feira (28) que ainda vai se reunir com Luiz Alberto Kanamura, nomeado pela Justiça para administrar provisoriamente o hospital.
Para Vilela, a mudança no comando abre a possibilidade de melhorar a gestão da instituição.
Vilela espera que a gestão provisória permita maior transparência no uso dos recursos públicos repassados ao hospital e sinalizou a possibilidade de auditoria federal, sem confirmação de prazo.
O primeiro encontro de alinhamento com o gestor deve ocorrer nesta semana, com a participação do Ministério Público. Vilela também afirmou que pediu apoio ao Ministério da Saúde para fiscalizar a situação da Santa Casa e considera possível o envio de técnicos a Campo Grande.
As declarações foram feitas durante a prestação de contas da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), referente ao segundo quadrimestre de 2026, na Câmara Municipal.
Durante a apresentação, o secretário relatou que esteve no Ministério da Saúde com a prefeita Adriane Lopes (PP), conversou com representantes do Derac (Departamento de Regulação, Avaliação e Controle) e protocolou um documento sobre a Santa Casa.
Vilela disse ainda que procurou o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde). Segundo ele, pode haver uma auditoria com apoio federal, mas não há confirmação do ministério nem prazo para o envio de uma equipe.
Na ocasião, o secretário disse que o município cobrava o cumprimento das metas contratadas pelo SUS e defendia uma perícia judicial. O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, também sustentou que a análise das contas era necessária para esclarecer os custos e o déficit alegado pelo hospital.
Essas discussões ocorriam no âmbito de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público para buscar uma solução para a crise e preservar os atendimentos. Em dezembro de 2025, um acordo emergencial para liberar recursos ao hospital já havia previsto auditoria externa, prestação de contas e acompanhamento da aplicação do dinheiro.
Em setembro, a crise ganhou uma frente criminal com a Operação Antidotum. A investigação apura suspeitas de irregularidades em contratos e pagamentos da Santa Casa e levou à prisão de integrantes da antiga direção.
Como desdobramento, a Justiça afastou a diretoria da entidade mantenedora e nomeou Kanamura gestor provisório por 180 dias. Ele recebeu poderes para reorganizar contratos, negociar com fornecedores e adotar medidas urgentes.
Também deverá apresentar relatórios mensais ao Judiciário sobre a situação administrativa, financeira e operacional do hospital.
A decisão cancelou a posse de Heitor Rodrigues Freire na presidência, prevista para esta segunda-feira. Kanamura administra a instituição, mas não assumiu formalmente o cargo de presidente.
Vilela disse esperar que a gestão provisória permita ao poder público acompanhar mais de perto o uso dos recursos repassados à Santa Casa. “Nós cobrávamos a transparência do recurso”, afirmou.
Ele mencionou a possibilidade de uma comissão com representantes do município, do Estado e do hospital para acompanhar o custeio, mas não anunciou sua criação nem explicou como ela se relacionaria aos mecanismos de fiscalização já previstos.
Na prestação de contas, a Sesau também apresentou a auditoria especial nº 653, referente à Associação Beneficente Santa Casa, como uma apuração ainda em andamento.
Nesta segunda-feira, Vilela disse acreditar que o dinheiro estará disponível até sexta-feira (2).
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