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Mato Grosso do Sul

R$ 442 mil em dinheiro e R$ 2 milhões em mansão: as movimentações suspeitas de delegado preso em MS

Relatório do Gaeco aponta depósitos em dinheiro, transferências via Pix e questiona a origem dos recursos usados em obra de imóvel de luxo em Campo Grande.

6 min de leitura
R$ 442 mil em dinheiro e R$ 2 milhões em mansão: as movimentações suspeitas de delegado preso em MS

PIX, blindagem e sistemas de inteligência: como policiais suspeitos estruturaram desvio de.

  • Depósitos em dinheiro na conta pessoal: R$ 328.510, recebidos em 32 lançamentos em espécie. Entre eles, os investigadores destacaram um depósito de R$ 276 mil, realizado em 11 de março de 2024, do qual parte teria sido sacada no mesmo dia.
  • Transferências via Pix de suspeito de integrar o esquema: R$ 5.900, recebidos em três operações bancárias de Neverson Vieira de Araújo, apontado pela investigação como responsável por cooptar intermediários.
  • Depósitos na conta da esposa: R$ 108.242, identificados em 80 operações em dinheiro.
  • Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos, policial penal: teria realizado consultas irregulares no sistema SIGO para auxiliar os monitoramentos do grupo.
  • Augusto Torres Galvão Florindo e Marcos André Santos Chaves, policiais civis: são apontados como suspeitos de participar do desvio de drogas apreendidas que, segundo a investigação, não eram registradas nos boletins de ocorrência oficiais.
  • Alguns integrantes levantavam informações sobre carregamentos.
  • Policiais rastreavam e apreendiam as drogas.
  • Outros recebiam e revendiam o material desviado.
  • E havia ainda quem movimentasse o dinheiro.
  • Infiltrados: delegado e outros 7 policiais são afastados após prisões em operação que investiga desvio de cocaína em MS.
  • Comparsa de policiais, mãe, esposa e irmãs são presos por desviar drogas apreendidas pela polícia.
  • Ex-policial demitido por contrabando de vapes é alvo de operação que investiga desvio de cocaína.

652 em valores considerados suspeitos pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), segundo relatório da Operação Infiltrados.

Procurado, o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa, que atua na defesa do delegado informou que está analisando o processo e que não havia solicitado a liberdade do cliente até o momento.

Movimentações financeiras sob suspeita.

Segundo o relatório, o Gaeco identificou uma expressiva incompatibilidade entre a renda declarada pelo delegado, as movimentações financeiras e o patrimônio associado a ele.

Para os investigadores, os valores chamam a atenção diante da renda declarada pelo delegado. O relatório ressalta que a comparação é conservadora, pois não inclui todos os custos estruturais da construção nem as despesas habituais de subsistência do casal.

Segundo o Gaeco, a empresa teria sido utilizada para a lavagem de dinheiro da organização criminosa.

Movimentação financeira de outros policiais.

O relatório também detalha movimentações financeiras e a suposta participação de outros agentes de segurança no esquema investigado.

Nilton Cesar Sales dos Santos, investigador da Polícia Civil: Conforme a investigação, Nilton disponibilizava equipamentos de rastreamento por GPS, conhecidos como “carrapatos”, para monitorar veículos e locais onde drogas eram armazenadas.

Um dos dispositivos aparecia nos sistemas com a identificação “NILTON DERF”.

Thiago Bezerra Laurentino, conhecido como “Grandão”, e Alison Lemes Bezerra, o “Daga”: Os dois policiais militares são apontados pela investigação como responsáveis por participar de interceptações e abordagens a caminhões e outros veículos utilizados no transporte de drogas.

Segundo o relatório, enquanto os agentes realizavam as abordagens, comparsas de Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, retiravam parte dos entorpecentes transportados.

Áudios interceptados durante a investigação também foram citados como indícios de recolhimento de propina em dinheiro vivo decorrente do desvio das cargas.

O relatório também aponta a participação de outros agentes públicos.

Como funcionaria o esquema investigado.

A investigação aponta que o suspeito de tráfico, Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, como um dos articuladores da organização. Os investigadores também encontraram conversas sobre pagamentos a agentes por cocaína, fotos de dinheiro e drogas e negociações envolvendo entorpecentes apreendidos.

O advogado Tiago Bunnig, que defende Lucas e os familiares dele, também presos na operação, disse à época das prisões que não vai se pronunciar.

Segundo o relatório, intermediários ligados ao tráfico monitoravam carregamentos de drogas e rotas utilizadas por grupos rivais para obter informações sobre datas, veículos e trajetos.

O esquema teria utilizado equipamentos de rastreamento por GPS, conhecidos como “carrapatos”, drones e consultas a sistemas restritos de inteligência, como o SIGO e o Córtex.

Com as informações, policiais suspeitos de integrar o grupo realizariam interceptações e abordagens a veículos que transportavam entorpecentes. Parte da carga seria registrada como apreendida oficialmente, enquanto o restante seria desviado para abastecer o mercado ilegal.

Conforme o grupo do MP, o grupo tinha funções divididas.

Dinheiro de traficante chegou a policial.

O Gaeco aponta LK como a ligação entre policiais e traficantes. Segundo a investigação, ele repassava informações sobre carregamentos, articulava a atuação dos agentes, negociava a parcela da droga que ficaria com o grupo e administrava a venda do entorpecente desviado.

Ele ainda articulava a atuação dos policiais, repassava informações sobre carregamentos, negociava a parte da droga desviada que ficaria com o grupo e cuidava da comercialização.

Dados bancários obtidos com autorização judicial mostram que LK transferiu dinheiro diretamente para Neverson Vieira de Araújo, policial civil que o Gaeco inclui no núcleo operacional do esquema.

Policiais rastreavam, apreendiam e repassavam drogas.

O Gaeco coloca no núcleo operacional os policiais civis Augusto Torres Galvão Florindo, Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos e Roberto Palmeira da Silva.

Também integram esse núcleo, segundo a investigação, os policiais militares Alison Lemes Bezerra, o Daga ou Daguinha, e Thiago Bezerra Laurentino, o Grande ou Grandão, além do policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos.

O MP atribui ao grupo o “rastreamento, apreensão e posterior repasse da droga aos traficantes vinculados ao grupo”.

A investigação também aponta que agentes usavam sistemas restritos de inteligência para fazer consultas a pedido de traficantes. Com acessos funcionais, policiais checavam placas e levantavam informações usadas pelo grupo.

O Gaeco pediu a prisão preventiva de 26 pessoas. Segundo o Gaeco, os agentes que deveriam retirar drogas de circulação teriam assumido o papel oposto. O órgão afirma que eles se tornaram “verdadeiros fornecedores para o tráfico”.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.

A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente.

A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.

A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram.

Em números

  • O Gaeco pediu a prisão preventiva de 26 pessoas
  • R$ 442 mil em dinheiro e R$ 2 milhões em mansão: as movimentações suspeitas de delegado

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