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Mensagens com Doca revelam como Marcinho VP chefiava CV de dentro de presídio federal em MS, aponta PF

Segundo a PF, conversas sobre visita ao traficante podem ter relação com a trégua entre CV e PCC, anunciada semanas depois. A ligação ainda é investigada.

5 min de leitura
Mensagens com Doca revelam como Marcinho VP chefiava CV de dentro de presídio federal em MS, aponta PF

Mensagens trocadas entre Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, um dos criminosos mais procurados do Brasil, e um sobrinho de Marcinho VP revelaram à Polícia Federal (PF) um esquema de comunicação entre chefes do Comando Vermelho (CV) e o traficante preso na Penitenciária Federal de Campo Grande.

  • Sobrinhos de Marcinho VP são presos por levar recados do 'chefão' do CV à facção a partir de presídio federal.
  • Samuel Martins (sobrinho de VP): "Foi tudo bem graças a Deus.
  • Samuel Martins (sobrinho de VP): "Ele mandou um abraço.
  • Deus É Fiel (Doca): "Deu para passa.
  • Samuel Martins (sobrinho de VP): "Então Mn eu falei daquele jeito que iria falar, mas aí ele ficou quieto ficou olhando assim não sei se ele entendeu.

Operação investiga sobrinhos suspeitos de levar recados de Marcinho VP.

A investigação resultou na Operação Cesura, deflagrada nesta quinta-feira (29), que prendeu dois sobrinhos de Marcinho VP, suspeitos de levar recados entre o tio e integrantes da facção em liberdade.

As conversas foram encontradas durante outra investigação da PF e são detalhadas em uma decisão da 3ª Vara Federal de Campo Grande, obtida pelo g1. A reportagem tentou contato com a defesa de Marcinho VP, mas não obteve retorno até a última atualização.

Segundo os investigadores, Doca, apontado como o principal chefe do CV em liberdade, utilizava os familiares para transmitir informações a Marcinho VP. Uma das conversas chamou a atenção da polícia por ter ocorrido após uma visita ao presídio, semanas antes de a facção anunciar uma trégua com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em 15 de janeiro de 2025, Samuel da Silva Martins e Flavio da Silva Limas, sobrinhos de Marcinho VP, visitaram o tio na Penitenciária Federal de Campo Grande.

Dias antes, Samuel havia se encontrado pessoalmente com Doca no Rio de Janeiro. Após retornar da visita ao presídio, ele voltou a conversar com o chefe da facção por aplicativo de mensagens.

Nos diálogos, Doca aparece identificado como "Deus É Fiel.

Samuel também relatou que o tio havia dito que escreveu para Doca.

Para a Polícia Federal, as mensagens indicam que os sobrinhos atuavam como intermediários entre Marcinho VP e integrantes do Comando Vermelho em liberdade.

Os investigadores suspeitam que a conversa possa estar relacionada à trégua entre o CV e o PCC. Isso porque, semanas após a visita, o Comando Vermelho passou a divulgar ordens para interromper confrontos com a facção rival em estados como Amazonas e Rondônia.

Segundo a decisão judicial, a proximidade entre os acontecimentos reforça a hipótese de que Marcinho VP continua participando de decisões importantes da organização criminosa, mesmo preso em uma penitenciária federal de segurança máxima.

A ligação entre a conversa e a trégua, porém, ainda não foi confirmada e segue sob investigação.

A decisão também aponta que a negociação teria envolvido Marcinho VP e Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como chefe do PCC, com a intermediação de advogados.

Os elementos encontrados pela PF contrariam a versão apresentada pela defesa de Marcinho VP à Justiça de que ele estaria afastado das decisões da facção devido ao isolamento no sistema penitenciário federal.

Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, tem 56 anos e é apontado pelas autoridades como o principal chefe do Comando Vermelho em liberdade.

Segundo investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro, ele comanda o tráfico de drogas no Complexo da Penha, determina a expansão da facção e participa da compra de armamento pesado.

O traficante foi um dos principais alvos da Megaoperação Contenção, realizada em 28 de outubro de 2025, nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

A ação terminou com 122 mortos, entre eles cinco agentes de segurança. Um ano depois, pelo menos 33 alvos dos mandados de prisão continuam foragidos.

Segundo apuração do g1, Doca permanece escondido no Complexo da Penha, onde conta com uma estrutura de segurança formada por integrantes da facção.

Por que Doca é um dos criminosas mais procurados do Rio de Janeiro.

Patrimônio dos sobrinhos chamou atenção da PF.

Além das mensagens, a investigação identificou visitas frequentes dos sobrinhos à Penitenciária Federal de Campo Grande e viagens aéreas realizadas para manter contato com o tio.

Já Flavio publicava imagens de carros de luxo, como Porsche e Corvette, e armas nas redes sociais. Em uma publicação antiga ao lado de Marcinho VP, chegou a chamar o tio de "meu chefe.

Justiça quer analisar gravações das visitas.

A decisão da 3ª Vara Federal de Campo Grande determinou que a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) encaminhe gravações de áudio e vídeo das visitas realizadas a Marcinho VP entre janeiro de 2025 e agosto de 2026.

O material poderá passar por perícias, inclusive de leitura labial, para identificar o conteúdo das conversas mantidas no parlatório da penitenciária.

A investigação começou a partir de provas obtidas na Operação Red Fox, que apurava o tráfico internacional de armas e drogas pela fronteira norte do Brasil. Durante a análise de contas de armazenamento em nuvem atribuídas a Doca, os investigadores encontraram as mensagens trocadas com o sobrinho de Marcinho VP.

A Operação Cesura foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (FICCO/MS), com participação do Ministério Público Federal (MPF).

Ao todo, foram cumpridos cinco mandados judiciais: um de prisão preventiva contra Marcinho VP, dois de prisão temporária contra os sobrinhos e dois de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

O mandado contra Marcinho VP foi cumprido na própria Penitenciária Federal de Campo Grande, onde ele continuará preso.

Marcinho VP está preso desde 1996 e foi transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande em janeiro de 2024. Ele acumula condenações por crimes como tráfico de drogas e homicídio.

Em números

  • A ação terminou com 122 mortos, entre eles cinco agentes de segurança

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