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Mato Grosso do Sul

Importação de fertilizantes cai 24,1% em MS e acende alerta para safra de soja

4 min de leitura
Importação de fertilizantes cai 24,1% em MS e acende alerta para safra de soja

Enquanto o volume nacional recuou 13,5%, queda no Estado foi mais acentuada e preocupa pelo impacto nos custos.

Mato Grosso do Sul registrou queda de 24,1% no volume de fertilizantes importados, segundo o Boletim de Fertilizantes de agosto de 2026, da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul).

O recuo ocorre durante o período de implantação da safra de soja 2026/2027 e coloca em evidência a preocupação com o abastecimento e os custos dos insumos agrícolas, que influenciam diretamente a margem de lucro dos produtores.

A redução no Estado foi mais acentuada que a média brasileira. No mesmo levantamento, o volume acumulado de fertilizantes importados pelo país ficou 13,5% abaixo do registrado no período correspondente do ano anterior.

A diferença chama a atenção para o cenário de abastecimento em Mato Grosso do Sul, onde os fertilizantes são componentes importantes do custo de produção da soja.

No Brasil, os números também indicam pressão sobre o mercado. Entre janeiro e julho de 2026, o país importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, queda de 7,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Dependência externa amplia preocupação - O cenário é especialmente relevante para Mato Grosso do Sul porque o Brasil depende das importações para atender à demanda interna por fertilizantes.

Entre 2021 e 2025, o volume importado permaneceu próximo de 40 milhões de toneladas por ano. Em 2025, as compras chegaram a 45,48 milhões de toneladas, alta de 2,8% em relação ao ano anterior.

Em 2026, porém, o mercado internacional passou a enfrentar novos fatores de pressão. Segundo a análise da Aprosoja/MS, o início de um novo conflito no Oriente Médio afetou regiões produtoras e rotas comerciais, enquanto a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia mantém impactos sobre o mercado internacional de fertilizantes.

Essa dependência deixa os produtores expostos a fatores que fogem ao controle da atividade rural, como conflitos geopolíticos, disponibilidade de produtos nos países fornecedores, restrições comerciais e custos do transporte internacional.

Em um período de plantio, essas variáveis dificultam a previsão das despesas e podem comprometer a rentabilidade quando o aumento dos custos não é compensado pelo preço da soja.

Nitrogênio e potássio exigem atenção - A vulnerabilidade brasileira aparece nos três principais grupos de nutrientes utilizados na agricultura: nitrogênio, fósforo e potássio.

Entre eles, o nitrogênio apresentou a maior variação negativa nas importações brasileiras na comparação entre 2025 e 2026, com déficit de 17,2% no acumulado analisado.

No mercado de potássio, a concentração de fornecedores também representa um ponto de atenção. Rússia e Canadá responderam juntos por cerca de 82% das importações brasileiras de fertilizantes potássicos em 2025.

Ao mesmo tempo, o Brasil participa com menos de 1% da produção mundial do nutriente, evidenciando a dependência do mercado externo para atender ao consumo nacional.

Diante desse cenário, a Aprosoja/MS aponta a diversificação de fornecedores como uma alternativa para reduzir a exposição às oscilações internacionais. China, Índia e Estados Unidos estão entre os grandes produtores mundiais de fertilizantes nitrogenados, mas têm participação reduzida nas importações brasileiras.

A ampliação das compras desses países, contudo, depende de fatores como excedente disponível para exportação, demanda interna, capacidade de fornecimento, preços e custos logísticos.

A existência de produção não significa necessariamente que o produto estará disponível em condições competitivas para o mercado brasileiro.

Com o plantio da safra 2026/2027 em andamento, a queda nas importações destinadas a Mato Grosso do Sul reforça a importância de acompanhar o mercado de fertilizantes.

Embora a redução dos volumes não determine, isoladamente, falta de produto ou aumento de preços no Estado, a combinação entre recuo nas compras, maior desembolso nacional e instabilidade internacional mantém os custos dos insumos no radar dos produtores sul-mato-grossenses.

Em números

  • Entre janeiro e julho de 2026, o país importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, queda de 7,4% em r
  • Entre 2021 e 2025, o volume importado permaneceu próximo de 40 milhões de toneladas por ano
  • Em 2025, as compras chegaram a 45,48 milhões de toneladas, alta de 2,8% em relação ao ano ante

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