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Inteligência Artificial

Resumo do OD: o fracasso que virou Nobel; IApocalipse; carros hackeados e mais!

E mais: um rumor incomum envolvendo a Anthropic começou a circular no Vale do Silício. Confira nosso resumo!

8 min de leitura
Resumo do OD: o fracasso que virou Nobel; IApocalipse; carros hackeados e mais!

Poucas inovações transformaram a história da saúde pública global tão profundamente quanto as vacinas desenvolvidas com a tecnologia do RNA mensageiro. O achado científico que hoje salva milhões de vidas nasceu sob ceticismo generalizado e esteve perto do abandono total.

A trajetória surpreendente até os imunizantes de última geração mostra como uma ideia que parecia não ter futuro conseguiu sobreviver ao descrédito e se transformar em uma das grandes apostas da medicina.

Quatro décadas entre a descoberta, a rejeição e a glória.

Na década de 1980, a bioquímica húngara Katalin Karikó enxergou o imenso potencial terapêutico do RNA mensageiro. A molécula atua no organismo como um gabarito genético temporário, orientando as próprias células do corpo humano a fabricarem proteínas específicas.

No entanto, a comunidade científica da época considerava a proposta inviável. Os pesquisadores acreditavam que o RNA sintético era instável demais e causava inflamações graves no organismo.

Inabalável frente à desconfiança dos colegas de profissão, Karikó manteve firme sua linha de pesquisa na Universidade da Pensilvânia, nos EUA, ao longo dos anos 1990.

Sua insistência em defender um conceito considerado sem futuro cobrou um preço alto. Ela teve sucessivos pedidos de financiamento recusados pelas agências de fomento, perdeu o espaço físico do seu laboratório e sofreu um rebaixamento na hierarquia acadêmica.

A sorte do projeto mudou drasticamente quando Karikó iniciou uma colaboração decisiva com o médico e imunologista estadunidense Drew Weissman. Em 2005, a dupla publicou uma descoberta revolucionária que redefiniu o rumo da biologia molecular.

Ao modificar quimicamente uma das bases nucleicas do RNA, a uridina, eles conseguiram eliminar por completo a resposta inflamatória indesejada. A alteração permitiu instruir as células com segurança.

Mesmo após essa conquista histórica, o mercado farmacêutico e as grandes empresas globais continuaram ignorando o invento por longos anos. A aplicação comercial continuava sendo vista como um investimento incerto e financeiramente arriscado.

O cenário só mudou radicalmente no começo de 2020, quando o mundo enfrentou a emergência global da pandemia de Covid-19, e as gigantes Pfizer e Moderna resgataram o método para criar vacinas.

A utilização da plataforma tecnológica permitiu desenvolver e testar imunizantes altamente eficazes e seguros em um tempo recorde. Estimativas globais publicadas na prestigiada revista científica The Lancet apontam que as vacinas contra a Covid-19 salvaram quase 20 milhões de vidas humanas somente durante o seu primeiro ano de aplicação massiva em todo o mundo.

O método treinou o sistema imune com rapidez inédita.

Três décadas de trabalho árduo, ignorado e marginalizado pelas instituições tradicionais, culminaram na consagração máxima da comunidade científica. Em 2023, conforme noticiado pelo Olhar Digital, Katalin Karikó e Drew Weissman receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina.

O comitê sueco reconheceu a contribuição essencial das modificações nas bases de nucleosídeos, que permitiram criar as vacinas de RNA eficazes durante a crise sanitária.

Especialista detalha mecanismo e segurança na medicina atual.

Em entrevista ao Olhar Digital, o especialista em biologia molecular e genética Warlen Pereira Piedade, professor na Faculdade de Medicina de Bauru da Universidade de São Paulo (FMBRU-USP) e ex-pesquisador de pós-doutorado pela Escola de Medicina da Universidade de Harvard (HMS), nos EUA, explicou que, na prática vacinal, a plataforma atua como um manual de instruções direcionado às células.

Ela entrega essa instrução genética para a célula para que ela possa produzir essa proteína do vírus, que aí vai ser encontrada pelas células do sistema imunitário.

Elas vão ver que tem essa proteína estranha, vão reconhecê-la como invasor e vão produzir anticorpos e células de memória que vão lembrar dessas proteínas como sendo algo nocivo.

Quando um vírus infecta a gente de verdade, ele tem essas proteínas na superfície, então essas células detectam o vírus e vão acabar com ele”.

O geneticista desmistifica qualquer receio sobre a segurança da tecnologia e reitera que é biologicamente impossível que essas vacinas alterem o código genético humano ou provoquem doenças.

Conforme esclarece o professor, o RNA mensageiro não possui sinalizador celular para entrar no núcleo (o “cofre” onde fica o DNA), permanecendo restrito ao citoplasma até ser degradado.

Além disso, o imunizante não contém partes vivas ou infectantes do vírus, utilizando apenas a instrução para uma proteína isolada. “Elas passam por rigorosos ensaios clínicos e controle de agências regulatórias em todos os países.

No nosso caso, é a Anvisa, no caso dos Estados Unidos, a FDA. Elas foram testadas em populações diferentes, em momentos diferentes, idades diferentes, contextos diferentes, então são extremamente seguras”.

Velocidade e versatilidade redefinem o combate às doenças.

Entre as maiores vantagens do método em relação às vacinas tradicionais, Piedade destaca a versatilidade e a velocidade de produção. Enquanto tecnologias antigas exigem o cultivo prolongado do vírus em laboratório, a plataforma de RNA é 100% sintética.

Além do impacto direto no combate ao coronavírus, a tecnologia desenvolvida por Karikó e Weissman abriu um leque extraordinário de novas oportunidades na medicina moderna.

Piedade observa que a solução possui uma incrível versatilidade contra múltiplos agentes infecciosos. “Praticamente todos os vírus que nos causam doenças, conseguimos pegar pedacinhos e usar para ensinar o nosso corpo a combatê-los”, afirma o pesquisador, citando que a técnica pode ser aplicada contra gripe, dengue, raiva, HIV e zika.

Cientistas de ponta trabalham hoje no desenvolvimento de vacinas terapêuticas personalizadas contra diversos tipos de câncer, além de tratamentos inéditos para doenças genéticas raras, autoimunes e infecções virais complexas.

Piedade salienta que, no tratamento do câncer, biópsias podem mapear as proteínas específicas do tumor de um paciente para criar uma vacina personalizada. Dessa forma, o próprio sistema imunitário passa a identificar e destruir as células cancerígenas, reduzindo os riscos de metástase.

O Brasil também avança nessa direção. Projetos nacionais conduzidos por instituições como a Fiocruz e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já solicitaram à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorização para ensaios clínicos de fase 1.

Piedade, porém, ressalta que o caminho até a fabricação em escala industrial e a disponibilização no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda deve levar algum tempo, por necessitar do cumprimento rigoroso das fases 2 e 3 de testes.

A história de Karikó e Weissman deixa um aprendizado fundamental sobre o financiamento da ciência básica e a importância de apoiar ideias controversas. A tecnologia do RNA mensageiro, avanço que quase foi soterrado pela burocracia acadêmica, tornou-se o pilar central da proteção sanitária do planeta.

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A postagem no X (antigo Twitter) viralizou. E tomou conta do noticiário. Para o doutor Álvaro Machado Dias, neurocientista, futurista e professor da Unifesp, isso é narrativa.

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A informação foi publicada pelo escritor Sean Thomas em artigo para a The Spectator na segunda-feira (14).

O relato surgiu em meio a uma discussão mais ampla sobre os riscos e os limites do desenvolvimento da inteligência artificial. Nos últimos meses, empresas do setor admitiram problemas de segurança em seus sistemas, enquanto agentes de IA teriam escapado de ambientes de teste.

Ao mesmo tempo, executivos e pesquisadores discutem se o avanço da tecnologia deveria ser desacelerado.

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Bruno Capozzi é jornalista, mestre em Ciências Sociais e editor executivo do OD.

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