O Manchester City confirmou nesta sexta-feira (2) que apresentou recurso contra a decisão que considerou o clube culpado de todas as acusações relacionadas a graves violações das regras financeiras da Premier League.
Uma comissão independente divulgou suas conclusões no início desta semana, e o City tinha até esta sexta-feira para recorrer —pouco antes do meio-dia no horário local (8h de Brasília), o líder da Premier League anunciou que havia feito isso.
Nenhuma punição foi definida até o momento, mas o City pode sofrer uma expressiva perda de pontos, receber uma multa ou até mesmo ser expulso da primeira divisão.
O clube, dez vezes campeão inglês e que continua negando qualquer irregularidade, afirmou em comunicado: "A posição firme do clube é que, por diversos motivos, o parecer contém claros erros materiais de direito, de princípio e de fato e não oferece segurança jurídica.
O clube é inocente das acusações feitas pela Premier League, e existe um conjunto abrangente de provas irrefutáveis que sustenta todas as suas posições relacionadas a este caso.
A Premier League divulgou uma atualização, afirmando que "a audiência da comissão independente de recurso permanecerá privada e confidencial até que seja autorizada a publicação do resultado.
Mais cedo nesta sexta-feira, a Federação Inglesa de Futebol rompeu o silêncio sobre o caso, afirmando que a decisão da comissão "tem implicações significativas para a integridade do futebol.
Estamos analisando cuidadosamente a decisão e suas implicações e tomaremos as medidas cabíveis", declarou em comunicado a entidade que rege o futebol no país.
A comissão independente considerou o City culpado de mais de 100 violações das regras financeiras da Premier League ao longo de um período de quase uma década.
A comissão concluiu que o clube ocultou a verdadeira situação de suas finanças, afirmando que o City violou "de forma significativa os limites de gastos tanto da Premier League quanto da Uefa.
Diversos veículos de imprensa noticiaram que o City alegará, em seu recurso, que importantes contratos de patrocínio foram financiados pelo governo de Abu Dhabi, e não pelos proprietários do clube.
As regras da Premier League não proíbem que entidades estatais patrocinem clubes.
A comissão concluiu que o City havia firmado acordos comerciais "de fachada" com vários de seus patrocinadores, como parte de um "esquema de financiamento disfarçado.
Segundo a comissão, essas empresas só precisavam pagar uma parte dos respectivos valores de patrocínio, enquanto o restante era financiado pelo Abu Dhabi United Group, proprietário do clube.
A empresa de investimentos privados ADUG, pertencente ao xeique Mansour bin Zayed al-Nahyan, comprou o City em 2008 e transformou o clube, antes um mero coadjuvante, em uma potência dominante.
O xeique Mansour também é vice-presidente, vice-primeiro-ministro e presidente da Corte Presidencial dos Emirados Árabes Unidos.
Um porta-voz do governo britânico afirmou na quinta-feira que o clube não estava "acima das regras", após críticas ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, por sua postura no caso.
Como o primeiro-ministro deixou claro, a decisão inicial é grave e não pode haver qualquer sugestão de que alguém esteja acima das regras", disse o porta-voz.
Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester, disse à BBC na quarta-feira que não queria que os proprietários emiradenses do clube abandonassem o projeto em decorrência do caso.
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