Ao longo de 15 anos, quem gosta de turismo de aventura namorou à distância a Caverna Desmoronada. Mas, como grita o reclame, nossa espera acabou: localizada no Petar (Parque Estadual Alto do Ribeira), em São Paulo, ela voltou a ser aberta à visitação neste mês de outubro.
O processo até a reabertura não foi fácil. Segundo o gestor da Área de Proteção Ambiental dos Quilombos da Fundação Florestal, Rodrigo Aguiar, mais de 100 profissionais foram envolvidos nos trabalhos.
Geólogos, geógrafos, arqueólogos, turismólogos, enfim, um amplo leque de especialistas que se dedicaram ao plano de manejo espeleológico da caverna.
Quem pensa numa caverna como um buraco na montanha que segue em linha reta, está imaginando, na verdade, o túnel de um trem. Na vida real, é um ecossistema complexo, não raro com altas paredes verticais a serem transpostas e cursos de água gelada.
Para ser liberada à visitação, precisa ter avaliadas não só as condições de suas paredes de rocha calcária, o risco de queda de blocos, a fragilidade de suas formações e as especificidades da fauna.
Inclusive aqueles quase invisíveis, como os troglóbios, pequenos seres em geral transparentes e adaptados à escuridão subterrânea, que podem sofrer e, até, desaparecer com a chegada de luzes artificiais.
A Caverna Desmoronada deve seu nome a grandes blocos de rocha que parecem ter caído em algum momento. É uma das mais desafiadoras entre as 318 do Petar, das quais 14 estão abertas ao público.
São aproximadamente 10 quilômetros de trilha, cerca de 900 metros de percurso subterrâneo e duração média de oito horas, considerando ida e volta. O trajeto é rigidamente definido, e foram instaladas cordas para ajudar nos trechos mais íngremes.
Mas Aguiar alerta: não é trilha para iniciantes. E quando um gestor fala algo assim, é melhor acreditar.
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