Artista: Roberto Menescal – com Diogo Strausz, DJ Marlboro, DJ Spinna, Gui Boratto, Nicola Conte e Tata Ogan.
Aos 89 anos, completados no domingo, 25 de outubro, dois dias depois do EP “Pure bossa remixes” ter sido lançado em edição da gravadora Universal Music, Roberto Menescal ruma para os 90 anos como uma lenda viva da bossa nova.
Um artista que abre os ouvidos para o novo, sem ranços nostálgicos. E até por isso o EP se justifica.
Compositor, violonista, guitarrista e produtor musical, o artista carioca tem cinco músicas da parceria fundamental com o letrista Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994) remixadas por DJs e/ou produtores musicais nas seis faixas do EP.
São cinco músicas em seis faixas porque “Você” (1964) abre o disco com o remix de Gui Boratto – com timbragem evocativa dos anos 1980 na gravação feita com a voz da cantora Mariana de Moraes – e reaparece no fim do EP no remix do DJ Marlboro, nome incontornável na história do funk carioca que irrompeu com força a partir de 1989.
Nem um dos dois remixes de “Você” impressionará na pista como inovação ao longo dos 21 minutos e meio de “Pure bossa remixes”. Até porque enquadrar temas de bossa nova na moldura eletrônica é tendência já antiga iniciada ainda nos anos 1990, década que viu surgir o trio BossaCucaNova na onda eletrônica que começava a se erguer no mar da bossa.
Aliás, foi ancorada nessa praia que Bebel Gilberto conseguiu visibilidade planetária há 26 anos com a edição do referencial “Tanto tempo” (2000), primeiro álbum da filha de João Gilberto (1931 – 2019), o inventor da bossa na qual Menescal surfou com série de sambas refinados compostos com Bôscoli na primeira metade da década de 1960, na linha cool dessa bossa a rigor sempre tão nova que prescinde de DJs para se manter atual.
Feita a ressalva, é justo reconhecer que, no geral, o balansamba de Menescal resiste bem na pista com os remixes dos seis DJs arregimentados para o EP “Pure bossa remixes”.
Aliás e a propósito, a música “Balansamba” (1963) é bem remexida por Diogo Strausz a partir da gravação original produzida por Aloysio de Oliveira (1914 – 1995) para o álbum “A bossa nova de Roberto Menescal e seu conjunto” (1963), título referencial da discografia de Menescal.
Outros dois remixes sobressaem no EP idealizado e produzido por Patty Ascher com Béco Dranoff. O DJ italiano Nicola Conte enfatiza o elo nem sempre aparente da bossa nova com a África – berço da música do mundo – com o Afro bossa rework de “A morte de um Deus de sal” (1963).
Já o remix de “Rio” pelo DJ Spinna – produtor norte-americano identificado na pista por mixar ritmos negros dos Estados Unidos (precisamente funk, soul e rap) com o universo eletrônico – mostra que, sim, o barquinho de Roberto Menescal é tão potente que consegue cruzar outros mares musicais sem perder o balanço da bossa.
Enfim, o EP “Pure bossa remixes” é saboroso aperitivo para esperar a grande comemoração dos 90 anos de Roberto Menescal em 25 de outubro de 2027.
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