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Segundo álbum de Luiz Melodia ainda é uma 'maravilha contemporânea' 50 anos após o lançamento do LP em 1976

Com músicas autorais como 'Juventude transviada' e 'Congênito', o disco ganha edição comemorativa em vinil para celebrar as cinco décadas de existência.

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Segundo álbum de Luiz Melodia ainda é uma 'maravilha contemporânea' 50 anos após o lançamento do LP em 1976

É que Luiz Carlos dos Santos (7 de janeiro de 1951 – 4 de agosto de 2017) teve que driblar o preconceito da direção artística da gravadora Philips, companhia que editou “Pérola negra”, e isso levou tempo.

Como o disco de estreia do cantor e compositor carioca teve vendas modestas, em que pese a aclamação geral, Melodia foi pressionado a gravar um segundo disco somente com sambas, dele e de outros intérpretes.

Já escaldado pela visão racista da sociedade, o Negro Gato criado no Morro de São Carlos, berço carioca de bambas do samba, recusou a proposta e se rebelou.

Luiz Melodia ainda lançou música inédita autoral pela Philips em 1974 – “Salve linda canção sem esperança”, incluída no 11º volume da coletânea “Máximo de sucessos”, lançado naquele ano – e saiu da gravadora.

De volta ao começo, Melodia inscreveu música no festival “Abertura”, promovido pela TV Globo entre janeiro e fevereiro 1975. Defendeu “Ébano” no festival. Saiu sem prêmio, mas “Ébano” fez sucesso ao ser lançada em single pela gravadora Som Livre, companhia fonográfica criada no alvorecer dos anos 1970 para editar os discos com as trilha sonoras das novelas da TV Globo.

A repercussão de “Ébano” foi o passaporte que permitiu a Luiz Melodia o ingresso na gravadora Som Livre, pela qual o cantor gravou e lançou enfim o segundo álbum em 1976.

Produzido sob a direção de Guto Graça Mello (1948 – 2026), com produção artística de Marcio Antonucci (1945 – 2014), o álbum “Maravilhas contemporâneas” completa 50 anos em 2026 e ganha edição comemorativa em LP do Noize Record Club, prevista para ser entregue aos assinantes do clube em novembro.

O maior sucesso do álbum foi “Juventude transviada”, samba-canção de letra surrealista e melodia sedutora, impulsionada em escala nacional por tocar quase diariamente na novela “Pecado capital”, estreada pela TV Globo em 24 de novembro de 1975.

Por figurar no LP com a trilha sonora da novela, um dos maiores sucessos da emissora na área da teledramaturgia, “Juventude transviada” chegou aos ouvidos do público ainda em 1975, meses antes da edição do álbum “Maravilhas contemporâneas”.

Curiosamente, a outra música que sobressaiu na safra autoral do disco de 1976 também foi lançada em 1975, mas não na voz aveludada de Luiz Melodia. Coube à cantora Vanusa (1947 – 2020) a primazia de apresentar o samba “Congênito” no álbum "Amigos novos & antigos" (1975).

Se o antecessor “Pérola negra” trouxe samba, blues, rock, soul, choro, baião, fox e iê-iê-iê romântico da Jovem Guarda – tudo junto e misturado, amalgamado em saboroso coquetel rítmico – o álbum “Maravilhas contemporâneas” reiterou a diversidade rítmica da música de Luiz Melodia.

Com capa criada por Henrique Nitzsche, o álbum foi gravado com os toques de músicos como Chico Batera (bateria), Fredera (guitarra) Jamil Joanes (baixo), Luiz Carlos Batera (1946 – 2007) (bateria e percussão), Oberdan Magalhães (1945 – 1984) (saxofones, flauta e arranjos), Márcio Montarroyos (1948 – 2007) (pistom), Maurício Einhorn (gaita) e Perinho Santana (1949 – 2012) (guitarra e arranjos), entre outros virtuoses.

Com esses músicos, “Maravilhas contemporâneas” revestiu o cancioneiro de Melodia com excelente acabamento instrumental.

No conjunto da obra do artista, a safra autoral do artista em 1976 é menos aliciante do que a de 1973. Ainda assim, o álbum se conserva atraente 50 anos após o lançamento.

Se a música-título “Maravilhas contemporâneas” soa como (saborosa) sobra do álbum “Pérola negra”, “Baby rose” tem o tom psicodélico evidenciado pelo arranjo enquanto “Mary” tem clima jazzy.

No todo, o álbum “Maravilhas contemporâneas” pode ser caracterizado como azeitado mix de samba, rock, blues e jazz à moda do Estácio. Na letra de “Questão de posse”, Melodia se dirige ao filho Hiran – que o pai somente iria conhecer quando o menino tivesse onze anos – em versos escritos com certa inquietude.

Até a paisagem onírica de “Veleiro azul” parece encobrir a tristeza do poeta com a hipocrisia social das “caras fingidas que beijam na face tentando enganar”. Mas tudo veio embalado no suingue de Melodia.

No balanço geral, o disco de 1976 ainda é uma maravilha contemporânea 50 anos após o lançamento.

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