Durante duas décadas, Martina Sgarbi trabalhou com números. Formada em contabilidade, construiu carreira como executiva financeira de uma rede de lojas e seguiu um caminho profissional bem distante da produção de alimentos.
Queijaria na represa transforma degustação em negócio de sucesso.
Martina nunca planejou trabalhar com produção artesanal. A escolha pela contabilidade foi racional.
Os queijos entraram na história anos depois, a partir de uma mudança pessoal.
O que começou como um hobby surgiu de forma despretensiosa. Martina utilizava a churrasqueira do sítio do pai para fazer os primeiros experimentos e distribuir os produtos para familiares e amigos.
A virada veio quando ela decidiu submeter um dos produtos a uma premiação do setor.
O objetivo inicial era apenas obter uma avaliação técnica. Mas o queijo conquistou uma medalha de bronze e serviu como validação de mercado.
Antes de abrir a empresa, a empreendedora investiu em especialização e fez cursos no exterior para aprofundar os conhecimentos sobre produção artesanal.
Barreiras regulatórias mudaram o projeto.
O plano inicial era criar uma queijaria urbana na cidade de São Paulo, mas a legislação obrigou uma mudança de estratégia.
Martina instalou a produção em Boituva, no interior paulista, e enfrentou limitações comerciais até conseguir o Selo Arte, certificação que reconhece produtos artesanais.
A certificação permitiu ampliar o mercado consumidor e consolidar o negócio.
Embora tenha capacidade para produzir mais, Martina limita a fabricação a cerca de 300 quilos de queijo por mês.
A decisão está ligada ao modelo de negócio adotado, voltado para a produção artesanal e para a valorização do processo.
Além disso, a empreendedora aposta em uma cadeia produtiva local. O leite utilizado na fabricação vem de propriedades vizinhas.
Turismo e degustação dobraram o faturamento.
Mais do que vender queijo, Martina passou a comercializar uma experiência. Os visitantes chegam à propriedade mediante agendamento, participam de uma aula sobre produção artesanal e encerram o passeio com degustação.
Segundo a empresária, a estratégia transformou os resultados financeiros.
Empreender exigiu mais que conhecimento técnico.
Apesar da experiência corporativa, Martina afirma que a maior dificuldade não esteve nos números.
Sete anos depois de iniciar a jornada empreendedora, ela diz que os erros se transformaram em aprendizado.
Em números
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