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Empreendedorismo

Depois do viral: o que acontece quando acaba o assunto que fez um influenciador famoso?

Criadores que cresceram falando de casamento, realities e estudos contam como precisaram adaptar o conteúdo para manter audiência e renda. Apenas 29% dos influe

5 min de leitura
Depois do viral: o que acontece quando acaba o assunto que fez um influenciador famoso?

O que acontece com um influenciador quando acaba o assunto que o tornou viral? Há 10 meses de seu casamento, Christy Lima Cabrera, 32 anos, decidiu gravar um vídeo no TikTok para compartilhar as dicas que vinha acumulando durante os preparativos para a cerimônia.

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O primeiro vídeo foi um sucesso e ultrapassou 40 mil visualizações, o que a incentivou a continuar produzindo. Logo, mais publicações tiveram audiência e empresas começaram a procurá-la para fechar parcerias.

Com a produção de conteúdo dando bons resultados e cada vez mais sobrecarregada pelo cargo de liderança que ocupava no mercado financeiro, setor em que atuava há 14 anos, ela decidiu deixar o emprego formal.

Ela passou a se dedicar integralmente à produção de conteúdo, mas logo se deparou com um novo desafio: reinventar o perfil depois do casamento. O tema que havia impulsionado seu crescimento nas redes perdeu espaço após a cerimônia, e ela precisou encontrar novos assuntos para manter o interesse do público.

A influenciadora passou a falar sobre temas variados, com foco em moda, viagens e estilo de vida. Mais recentemente, a pedido das seguidoras, também criou uma nova conta para ensinar conceitos básicos de finanças e investimentos.

Como ainda não consegue obter a renda desejada com a internet, Christy encontrou nos programas de afiliados de grandes marcas do comércio eletrônico uma fonte adicional de receita.

A estratégia também é adotada por outros influenciadores.

O que um casamento, o Enem e o BBB têm em comum.

Segundo Rafaela Lotto, CEO da Youpix, consultoria especializada em criadores de conteúdo digital, é natural que influenciadores que começaram em um nicho específico passem a abordar outros temas.

Para Lotto, a capacidade de um criador se manter relevante depende menos do assunto em si e mais da relação construída com os seguidores.

Ainda assim, como ocorre no mercado de trabalho tradicional, a Creator Economy — termo usado para descrever a economia movimentada por criadores de conteúdo e influenciadores — também costuma valorizar a especialização.

Pesquisas indicam que, quanto mais especializado em um tema for o influenciador, maiores são suas chances de construir uma comunidade fiel e conquistar a confiança dos seguidores.

Uma pesquisa recente da Sprout Social, empresa especializada em gestão de redes sociais, mostra que 47% dos usuários levam em conta os temas abordados por influenciadores antes de decidir se vão segui-los ou não.

O estudo também mostra que influenciadores especializados levam vantagem sobre grandes perfis quando os usuários buscam aprender algo novo, encontrar recomendações confiáveis ou participar de uma comunidade ligada a um interesse específico.

Nesses casos, a criatividade e a capacidade de explorar um mesmo tema em diferentes formatos ganham importância. Um exemplo é Caio Barbosa, de 29 anos, conhecido nas redes sociais como "o garoto dos realities.

Ele conta que começou a produzir conteúdo durante a pandemia de Covid-19. Na época, trabalhava como gerente de marketing de influência e viu nos realities uma oportunidade para falar sobre um tema pelo qual já era apaixonado.

Seu primeiro vídeo ultrapassou 1 milhão de visualizações e ajudou a ampliar rapidamente sua base de seguidores.

Barbosa afirma que mesmo adotando diferentes estratégias para falar sobre realities, há períodos específicos em que sua audiência dispara, especialmente nos primeiros meses do ano, durante o Big Brother Brasil.

Quando o BBB termina, o influenciador passa a abordar realities de outros países, muitas vezes dando prioridade aos que contam com participantes brasileiros. “Faz alguns anos que adotei essa estratégia porque sei que os brasileiros, incluindo eu, defendem outros brasileiros com unhas e dentes”, diz.

Uma estratégia semelhante foi adotada por Lucas Felpi, de 25 anos. Ele ficou conhecido entre 2018 e 2019 após citar a série "Black Mirror", da Netflix, em sua redação nota 1.

Após a repercussão da nota máxima, muitos estudantes passaram a procurá-lo em busca de dicas e orientações para o exame. Mas, como o Enem ocorre em um período específico do ano, sua renda como criador de conteúdo oscilava bastante.

Para ampliar as possibilidades de conteúdo, ele buscou novas formas de abordar o assunto. Além das dicas, passou a indicar filmes que poderiam ajudar na preparação dos candidatos e a explicar estratégias para diferentes etapas dos estudos.

Com o tempo, o influenciador também passou a abordar temas ligados ao seu novo momento de vida.

Lucas manteve uma produção frequente até alguns anos atrás, quando decidiu reduzir o ritmo das publicações para dedicar mais tempo à vida pessoal. Formado em engenharia da computação, hoje mora em Nova York e trabalha como engenheiro de software em uma grande empresa de tecnologia.

Transformar a produção de conteúdo em uma fonte de renda suficiente para viver ainda é um desafio para a maioria dos influenciadores. Dados da Youpix mostram que menos de um terço deles (29%) vive exclusivamente da criação de conteúdo, enquanto mais da metade (53,5%) concilia a atividade com um trabalho fixo.

Segundo a pesquisa, a maioria dos influenciadores que vive apenas da criação de conteúdo atua no mercado há mais de três anos, o que indica que alcançar essa condição costuma levar tempo.

Entre os entrevistados pelo g1, apenas Caio Barbosa afirma que a maior parte de sua renda mensal vem da criação de conteúdo.

Lucas Felpi afirma que a maior parte de sua renda vem do emprego fixo, em parte porque passou a publicar com menos frequência. “Foi uma escolha pensando também na minha vida pessoal.

Além disso, percebi que, mesmo um pouco mais distante, as pessoas não se esquecem de mim”, diz.

Em números

  • O primeiro vídeo foi um sucesso e ultrapassou 40 mil visualizações, o que a incentivou a continuar pro
  • Seu primeiro vídeo ultrapassou 1 milhão de visualizações e ajudou a ampliar rapidamente s

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