Para quem é de Mato Grosso do Sul, o nome soa familiar. Simone Tebet nasceu em Três Lagoas, foi prefeita da cidade, senadora por MS e candidata à Presidência em 2022. Em 2026, a ex-ministra do Planejamento pede votos em outro Estado: disputa, pelo PSB, uma das duas vagas de São Paulo no Senado. E a pergunta que chega de lá e de cá é a mesma: ela vai conseguir?
A ULTRA NOTÍCIAS reuniu as pesquisas mais recentes registradas na Justiça Eleitoral, colocou tudo em gráficos e separou o que é fato do que é interpretação. O resumo honesto é este: a disputa em São Paulo é um empate de quatro. Tebet, Marina Silva (Rede), Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) estão todos dentro da margem de erro uns dos outros. Ninguém pode dizer hoje quem fica com as duas cadeiras.
Antes dos números, um aviso importante: pesquisa é fotografia, não profecia. Ela mostra o que os entrevistados disseram naqueles dias. Quem decide é o eleitor, na urna.
Espontânea x estimulada (ou induzida): qual é a diferença?
Espontânea: o pesquisador pergunta "em quem você vai votar para senador?" e não mostra nada. O eleitor responde de memória. É o voto já decidido.
Estimulada: o pesquisador mostra a lista de candidatos, como a urna mostra nome e foto. É o número das manchetes.
No Senado há um detalhe a mais: em 2026 cada eleitor escolhe dois senadores. Os institutos perguntam o primeiro e o segundo voto e depois somam tudo.
Nos gráficos, ESTIMULADA tem barra lisa; ESPONTÂNEA tem barra listrada. A cor laranja é sempre Simone Tebet.
O que diz o Datafolha
Na pesquisa divulgada na quinta-feira (24), Marina Silva tem 15%, Simone Tebet 14%, e Derrite e Prado 12% cada, somando as intenções para as duas vagas. Com margem de 2 pontos, Tebet pode estar entre 12% e 16%. Os quatro se sobrepõem.
ESTIMULADASenado por SP — Datafolha (22 a 24/9), soma das duas vagas
O entrevistador mostra a lista e o eleitor escolhe dois nomes. Os votos das duas vagas são somados e divididos para dar 100%, como faz o TSE. 1.610 entrevistas, margem de 2 pontos. Registros SP-03730/2026 e BR-09355/2026. Contratantes: Folha e TV Globo.
Sem a lista de nomes, o retrato muda um pouco. Na espontânea, Derrite é citado por 8%, Tebet e Marina por 7%, e Prado por 3%. Tebet está entre os nomes mais lembrados de memória, o que indica que parte do eleitorado já tem o nome dela guardado. O dado de Prado mostra o contrário: ele vai bem melhor quando o nome aparece na lista (12%) do que quando o eleitor precisa lembrar (3%). É um apoio que depende mais da campanha e dos aliados.
ESPONTÂNEASenado por SP — Datafolha (22 a 24/9)
Ninguém mostra nomes. Seis em cada dez paulistas ainda não conseguem dizer, de memória, em quem vão votar para senador.
O Datafolha também separou as vagas. No primeiro voto, Derrite tem 18%, Marina 17%, Tebet 16% e Prado 11%. No segundo voto, Marina e Prado têm 13%, Tebet 11% e Derrite apenas 6%. Isso revela uma estratégia: eleitores da direita concentram o primeiro voto em Derrite e o segundo em Prado; os da esquerda dividem entre Marina e Tebet.
O que diz a Quaest
Na Quaest, divulgada na quarta-feira (23), a ordem se inverte: Derrite com 16%, Marina com 13%, Tebet com 12% e Prado com 8%. O instituto considera Derrite, Marina e Tebet empatados, e Prado empatado com Tebet. Na espontânea da Quaest, 79% não souberam citar nenhum nome.
ESTIMULADASenado por SP — Quaest (19 a 22/9)
Soma das duas vagas
Só o primeiro voto
Só o segundo voto
1.800 entrevistas, margem de 2 pontos. Registro SP-02456/2026. Contratante: Globo. Na espontânea da Quaest, 79% não souberam citar nenhum candidato.
Na Quaest, Tebet ficou parada em 12% entre 8 e 23 de setembro, enquanto Derrite subiu de 14% para 16%. Por outro lado, 65% dizem que a escolha para senador é definitiva, e 35% ainda podem mudar. Há espaço para movimento.
Paraná Pesquisas: Tebet numericamente na frente, mas com outra régua
No levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado na terça-feira (22), Tebet aparece com 29,6%, à frente de Derrite (29,3%), Marina (28,3%) e Prado (25%). Parece muito mais do que nos outros institutos, mas não é contradição. O Paraná mostra quantos eleitores citaram cada nome em qualquer um dos dois votos, e por isso a soma passa de 100%. Datafolha e Quaest dividem o total de votos para chegar a 100%. São réguas diferentes. O que as três têm em comum é o empate.
ESTIMULADASenado por SP — Paraná Pesquisas (19 a 21/9): outra régua
Aqui o percentual é de eleitores que citam o nome em qualquer um dos dois votos, por isso a soma passa de 100%. Não compare diretamente com Datafolha e Quaest. 1.600 entrevistas, margem de 2,5 pontos. Registro SP-03057/2026.
A grande tendência
Olhando o Datafolha desde julho, Tebet saiu de 16% para 13% no início de setembro e voltou a 14% agora. Marina fez movimento parecido. Derrite e Prado subiram devagar. As diferenças entre os quatro, que eram de até 8 pontos em julho, caíram para 3 pontos. A corrida afunilou.
ESTIMULADATendência — Datafolha, soma das duas vagas
Simone Tebet
Marina Silva
Guilherme Derrite
André do Prado
Em julho, a lista testada tinha Paulinho da Força, que depois saiu da disputa. As comparações com julho servem como referência, não como série exata.
Na espontânea, o movimento é mais claro: todos os principais nomes estão sendo mais lembrados. Tebet foi de 3% em julho para 7% agora. O grupo que não cita ninguém caiu de 81% para 61%. Ainda assim, seis em cada dez paulistas não têm um nome na ponta da língua a uma semana da eleição. É esse eleitor que vai decidir.
ESPONTÂNEAA lembrança espontânea cresce devagar — Datafolha
Simone Tebet
Guilherme Derrite
Marina Silva
Em julho, 81% não citavam ninguém. Em 11/9, cerca de 68%. Agora, 61%. O eleitor está começando a decidir.
O que o eleitor deve levar desta leitura
- É empate de quatro. Tebet, Marina, Derrite e Prado estão todos dentro da margem de erro. Quem diz que alguém "já ganhou" está exagerando.
- Tebet está sempre no grupo da frente: 2ª no Datafolha, 3ª na Quaest, 1ª numérica no Paraná Pesquisas.
- Na espontânea, Tebet está entre os mais lembrados, o que sugere um voto mais consolidado do que o de Prado.
- O segundo voto pode decidir. Como cada eleitor escolhe dois nomes, a vaga pode ser definida por quem é lembrado como segunda opção.
- Não compare institutos com réguas diferentes. 29,6% no Paraná e 14% no Datafolha medem coisas distintas.
- Confira o registro. Toda pesquisa divulgada precisa de número na Justiça Eleitoral.
A eleição é no domingo, 4 de outubro, e para o Senado não há segundo turno: os dois mais votados levam as cadeiras. Para Mato Grosso do Sul, a disputa tem um sabor especial: uma filha de Três Lagoas pode passar a representar o maior colégio eleitoral do país. A resposta, como sempre, vem do botão verde.
Por Amin Feres, redator da ULTRA NOTÍCIAS. Fontes: Datafolha/Folha/TV Globo (SP-03730/2026; rodadas de 11/9 e de 1 a 3/7, SP-01703/2026); Quaest/Globo (SP-02456/2026); Paraná Pesquisas (SP-03057/2026); g1; Valor Econômico; Estadão; O Globo; Metrópoles.
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