Na feira da Afonso Pena, no ponto de ônibus em Dourados, na roda de tereré em Corumbá: a pergunta é a mesma. "Quem está na frente?" Faltando uma semana para o dia 4 de outubro, a ULTRA NOTÍCIAS reuniu as pesquisas mais recentes registradas na Justiça Eleitoral para Presidente e para Governador de Mato Grosso do Sul, colocou tudo em gráficos e separou o que é fato do que é interpretação.
O resumo honesto é este: para Presidente, a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) está empatada tecnicamente, no 1º e no 2º turno. Para Governador de MS, Eduardo Riedel (PP) abriu vantagem larga e, se o quadro se mantiver, pode resolver a eleição já no primeiro turno.
Antes dos números, um aviso importante: pesquisa é fotografia, não profecia. Ela mostra o que os eleitores disseram nos dias da entrevista. Quem decide é você, na urna.
Espontânea x estimulada (ou induzida): qual é a diferença?
Espontânea: o pesquisador pergunta "em quem você vai votar?" e não mostra nada. O eleitor precisa lembrar sozinho. É o termômetro do voto já enraizado, da lembrança real.
Estimulada: o pesquisador entrega um cartão com os nomes de todos os candidatos. É a situação mais parecida com o momento da urna, onde o eleitor vê nome e foto. Por isso a estimulada é o número que aparece nas manchetes.
Quando um candidato vai bem nas duas, a base dele é sólida. Quando vai muito melhor na estimulada, parte do apoio ainda depende de ver o nome na lista.
Nos gráficos, ESTIMULADA tem barra lisa; ESPONTÂNEA tem barra listrada.
Presidente: o que dizem as pesquisas
A pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada na quinta-feira (24), mostra Lula com 40% e Flávio com 36% na pergunta estimulada. A diferença de 4 pontos está no limite da margem de erro, de 2 pontos para mais ou para menos: Lula pode ter entre 38% e 42%, e Flávio, entre 34% e 38%. Por isso os institutos falam em empate técnico no limite.
ESTIMULADAPresidente, 1º turno — Datafolha (22 e 23/9)
O entrevistador mostra a lista com os nomes. 2.002 entrevistas, margem de 2 pontos, 95% de confiança. Registro TSE BR-00304/2026. Contratantes: Globo e Folha de S.Paulo.
Agora olhe a mesma pesquisa sem a lista de nomes. Na espontânea, Lula tem 36% e Flávio, 27%. A distância cresce para 9 pontos. Isso indica que o voto em Lula está mais "enraizado" na memória do eleitor, enquanto parte do eleitorado de Flávio ainda chega a ele quando vê o nome no cartão. Um detalhe revelador: 4% ainda citam espontaneamente Jair Bolsonaro, que não é candidato. Na estimulada, esse eleitor tende a migrar para o filho.
ESPONTÂNEAPresidente, 1º turno — Datafolha (22 e 23/9)
Ninguém mostra nomes: o eleitor responde de memória. *Jair Bolsonaro não é candidato e aparece porque parte dos eleitores ainda cita o nome dele.
A Quaest, divulgada na segunda-feira (21), confirma o desenho: Lula com 37% e Flávio com 33% na estimulada; 31% a 26% na espontânea. O dado que mais chama atenção é outro. Em uma semana, o grupo que não sabia citar nenhum nome caiu de 41% para 35%. O eleitor está decidindo agora.
ESTIMULADAPresidente, 1º turno — Quaest (17 a 20/9)
2.004 entrevistas presenciais, margem de 2 pontos, 95% de confiança. Registro TSE BR-06004/2026. Contratantes: Globo e O Globo.
ESPONTÂNEAPresidente, 1º turno — Quaest (17 a 20/9)
Uma semana antes, na mesma pergunta, 41% não sabiam citar ninguém. Agora são 35%.
E no segundo turno?
Aqui mora a maior incerteza da eleição. O Datafolha mostra Lula com 47% e Flávio com 45%. A Quaest mostra o inverso: Flávio com 42% e Lula com 41%. Não há contradição. Nos dois casos a diferença é menor que a margem de erro. O retrato honesto é um só: hoje, ninguém pode dizer quem venceria um eventual segundo turno.
ESTIMULADAPresidente, 2º turno: Lula x Flávio
Datafolha (22 e 23/9)
Quaest (17 a 20/9)
Nos dois institutos, a diferença cabe dentro da margem de erro: é empate técnico. Um mostra Lula numericamente à frente; o outro, Flávio.
A rejeição também é quase idêntica. Segundo a Quaest, 55% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, e 56% dizem o mesmo de Flávio. É uma eleição de dois candidatos fortes e, ao mesmo tempo, muito rejeitados.
A grande tendência
Em uma semana, os dois principais candidatos oscilaram para cima, e os demais ficaram parados ou recuaram. Augusto Cury, terceiro colocado, foi de 6% para 5% no Datafolha. É o sinal clássico de polarização na reta final: o eleitor de candidatos menores começa a escolher entre os dois que têm chance.
ESTIMULADATendência: como os números se mexeram em uma semana
Datafolha, 1º turno — antes (17/9) e agora (24/9)
Quaest, 1º turno — antes (14/9) e agora (21/9)
Variações de 1 ou 2 pontos estão dentro da margem de erro: são oscilações, não viradas.
Governo de Mato Grosso do Sul: Riedel dispara
Em MS, o cenário é bem diferente. A segunda rodada da Quaest, encomendada pela TV Morena e divulgada na sexta-feira (25), mostra o governador Eduardo Riedel (PP) com 51% na estimulada. Fábio Trad (PT) tem 12%, e Delcídio Amaral (PRD), 6%. Somados, todos os adversários chegam a 25%.
ESTIMULADAGoverno de MS, 1º turno — Quaest (21 a 24/9)
804 entrevistas, margem de 3 pontos, 95% de confiança. Registros MS-09580/2026 e BR-04113/2026. Contratante: TV Morena.
Na espontânea, Riedel é lembrado sem ajuda por 34% dos eleitores, quase o dobro dos 18% de agosto. Trad é citado por 5%. Mas o número mais importante desse gráfico é o cinza: 55% dos sul-mato-grossenses ainda não sabem citar um candidato a governador de memória. Na estimulada, os indecisos são 15%. Ou seja, muita gente reconhece os nomes quando vê a lista, mas ainda não guardou a escolha.
ESPONTÂNEAGoverno de MS, 1º turno — Quaest (21 a 24/9)
Mais da metade do eleitorado de MS ainda não lembra de nenhum nome sem ajuda, a uma semana da votação.
A tendência em MS
Riedel cresceu 11 pontos em um mês na Quaest. Esse movimento, ao contrário das oscilações nacionais, está bem acima da margem de erro de 3 pontos. É mudança real. A aprovação do governo também subiu, de 62% para 73%, e 68% dos entrevistados dizem que a escolha para governador já é definitiva.
ESTIMULADATendência em MS: agosto x setembro (Quaest)
Na espontânea, a mudança foi ainda maior
Riedel subiu 11 pontos na estimulada, bem acima da margem de 3. Trad oscilou dentro da margem.
Nas simulações de segundo turno da Quaest, Riedel teria 63% contra 20% de Trad, e 63% contra 19% de Delcídio. Pela regra eleitoral, só há segundo turno se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos. Com 51% do total de entrevistados, Riedel está bem acima dessa linha no retrato atual.
Outras pesquisas em MS apontam na mesma direção
O IPR/Correio do Estado (15 a 19/9, 784 entrevistas) mostra Riedel com 47,70% na estimulada e Trad com 13,90%. O Ipems (5 a 9/9, 800 entrevistas) registrou Riedel com 57,70% e Trad com 11,59%. Institutos diferentes, metodologias diferentes, mesma conclusão: liderança folgada do governador.
Cuidado com o número que viraliza
Nos grupos de WhatsApp circula que Riedel tem "77% na espontânea". O número existe, mas precisa de contexto. O IPR mudou a forma de calcular a espontânea: os 77,68% consideram só as 224 pessoas que citaram algum nome, e não os 784 entrevistados. Na conta sobre todos os entrevistados, o mesmo dado dá 22,19% para Riedel e 3,70% para Trad. Os dois números estão certos. O que muda é a pergunta que cada um responde.
ESPONTÂNEAGoverno de MS — IPR/Correio do Estado (15 a 19/9): o mesmo dado, duas contas
Sobre todos os 784 entrevistados
Só entre os 224 que citaram alguém
O IPR mudou a base de cálculo da espontânea entre uma rodada e outra. O "77,68%" soa como avalanche, mas corresponde a 174 pessoas de 784. Registros BR-05239/2026 e MS-06794/2026; margem de 3,5 pontos.
O que o eleitor deve levar desta leitura
- Para Presidente, é empate técnico. Qualquer manchete que diga que alguém "já ganhou" está exagerando.
- Para Governador de MS, Riedel é o favorito em todas as pesquisas registradas, com chance real de vencer no 1º turno.
- Espontânea mede convicção; estimulada simula a urna. Veja as duas antes de tirar conclusões.
- Margem de erro importa. Diferenças de 1 ou 2 pontos, no Brasil, não mudam o quadro.
- Confira o registro. Toda pesquisa divulgada precisa de número de registro na Justiça Eleitoral. Sem registro, desconfie.
O primeiro turno é no domingo, 4 de outubro. Se houver segundo turno, ele será em 25 de outubro. Até lá, as pesquisas vão continuar saindo, e a ULTRA NOTÍCIAS vai continuar explicando cada uma delas. O número que realmente conta, porém, só aparece quando você aperta o botão verde.
Por Amin Feres, redator da ULTRA NOTÍCIAS. Fontes: Datafolha/Globo/Folha (BR-00304/2026); Quaest/Globo/O Globo (BR-06004/2026); Quaest/TV Morena (MS-09580/2026 e BR-04113/2026); IPR/Correio do Estado (BR-05239/2026 e MS-06794/2026); Ipems; g1; Valor Econômico; Estadão.
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