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Eleições 2026 Verificado pela ULTRA

Pesquisas na reta final: Lula e Flávio empatados no limite; Riedel passa de 50% em MS

Datafolha e Quaest mostram disputa presidencial apertada nos dois turnos. Em MS, o governador cresce 11 pontos e pode vencer no 1º turno. Veja os gráficos e a diferença entre voto espontâneo e induzido.

9 min de leitura
Pesquisas na reta final: Lula e Flávio empatados no limite; Riedel passa de 50% em MS
TSE / Divulgação

Na feira da Afonso Pena, no ponto de ônibus em Dourados, na roda de tereré em Corumbá: a pergunta é a mesma. "Quem está na frente?" Faltando uma semana para o dia 4 de outubro, a ULTRA NOTÍCIAS reuniu as pesquisas mais recentes registradas na Justiça Eleitoral para Presidente e para Governador de Mato Grosso do Sul, colocou tudo em gráficos e separou o que é fato do que é interpretação.

O resumo honesto é este: para Presidente, a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) está empatada tecnicamente, no 1º e no 2º turno. Para Governador de MS, Eduardo Riedel (PP) abriu vantagem larga e, se o quadro se mantiver, pode resolver a eleição já no primeiro turno.

Antes dos números, um aviso importante: pesquisa é fotografia, não profecia. Ela mostra o que os eleitores disseram nos dias da entrevista. Quem decide é você, na urna.

Espontânea x estimulada (ou induzida): qual é a diferença?

Espontânea: o pesquisador pergunta "em quem você vai votar?" e não mostra nada. O eleitor precisa lembrar sozinho. É o termômetro do voto já enraizado, da lembrança real.

Estimulada: o pesquisador entrega um cartão com os nomes de todos os candidatos. É a situação mais parecida com o momento da urna, onde o eleitor vê nome e foto. Por isso a estimulada é o número que aparece nas manchetes.

Quando um candidato vai bem nas duas, a base dele é sólida. Quando vai muito melhor na estimulada, parte do apoio ainda depende de ver o nome na lista.

Nos gráficos, ESTIMULADA tem barra lisa; ESPONTÂNEA tem barra listrada.

Presidente: o que dizem as pesquisas

A pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada na quinta-feira (24), mostra Lula com 40% e Flávio com 36% na pergunta estimulada. A diferença de 4 pontos está no limite da margem de erro, de 2 pontos para mais ou para menos: Lula pode ter entre 38% e 42%, e Flávio, entre 34% e 38%. Por isso os institutos falam em empate técnico no limite.

ESTIMULADAPresidente, 1º turno — Datafolha (22 e 23/9)

Lula (PT)40%
Flávio Bolsonaro (PL)36%
Augusto Cury (Avante)5%
Ronaldo Caiado (PSD)4%
Renan Santos (Missão)3%
Romeu Zema (Novo)1%
Branco/nulo/nenhum5%
Indecisos2%

O entrevistador mostra a lista com os nomes. 2.002 entrevistas, margem de 2 pontos, 95% de confiança. Registro TSE BR-00304/2026. Contratantes: Globo e Folha de S.Paulo.

Agora olhe a mesma pesquisa sem a lista de nomes. Na espontânea, Lula tem 36% e Flávio, 27%. A distância cresce para 9 pontos. Isso indica que o voto em Lula está mais "enraizado" na memória do eleitor, enquanto parte do eleitorado de Flávio ainda chega a ele quando vê o nome no cartão. Um detalhe revelador: 4% ainda citam espontaneamente Jair Bolsonaro, que não é candidato. Na estimulada, esse eleitor tende a migrar para o filho.

ESPONTÂNEAPresidente, 1º turno — Datafolha (22 e 23/9)

Lula (PT)36%
Flávio Bolsonaro (PL)27%
Jair Bolsonaro (PL)*4%
Augusto Cury (Avante)3%
Ronaldo Caiado (PSD)2%
Renan Santos (Missão)2%
Branco/nulo/nenhum5%
Não sabem citar um nome18%

Ninguém mostra nomes: o eleitor responde de memória. *Jair Bolsonaro não é candidato e aparece porque parte dos eleitores ainda cita o nome dele.

A Quaest, divulgada na segunda-feira (21), confirma o desenho: Lula com 37% e Flávio com 33% na estimulada; 31% a 26% na espontânea. O dado que mais chama atenção é outro. Em uma semana, o grupo que não sabia citar nenhum nome caiu de 41% para 35%. O eleitor está decidindo agora.

ESTIMULADAPresidente, 1º turno — Quaest (17 a 20/9)

Lula (PT)37%
Flávio Bolsonaro (PL)33%
Augusto Cury (Avante)6%
Ronaldo Caiado (PSD)4%
Renan Santos (Missão)3%
Branco/nulo/não vai votar7%
Indecisos8%

2.004 entrevistas presenciais, margem de 2 pontos, 95% de confiança. Registro TSE BR-06004/2026. Contratantes: Globo e O Globo.

ESPONTÂNEAPresidente, 1º turno — Quaest (17 a 20/9)

Lula (PT)31%
Flávio Bolsonaro (PL)26%
Augusto Cury (Avante)3%
Outros3%
Branco/nulo/não vai votar2%
Não sabem citar um nome35%

Uma semana antes, na mesma pergunta, 41% não sabiam citar ninguém. Agora são 35%.

E no segundo turno?

Aqui mora a maior incerteza da eleição. O Datafolha mostra Lula com 47% e Flávio com 45%. A Quaest mostra o inverso: Flávio com 42% e Lula com 41%. Não há contradição. Nos dois casos a diferença é menor que a margem de erro. O retrato honesto é um só: hoje, ninguém pode dizer quem venceria um eventual segundo turno.

ESTIMULADAPresidente, 2º turno: Lula x Flávio

Datafolha (22 e 23/9)

Lula (PT)47%
Flávio Bolsonaro (PL)45%

Quaest (17 a 20/9)

Flávio Bolsonaro (PL)42%
Lula (PT)41%

Nos dois institutos, a diferença cabe dentro da margem de erro: é empate técnico. Um mostra Lula numericamente à frente; o outro, Flávio.

A rejeição também é quase idêntica. Segundo a Quaest, 55% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum, e 56% dizem o mesmo de Flávio. É uma eleição de dois candidatos fortes e, ao mesmo tempo, muito rejeitados.

A grande tendência

Em uma semana, os dois principais candidatos oscilaram para cima, e os demais ficaram parados ou recuaram. Augusto Cury, terceiro colocado, foi de 6% para 5% no Datafolha. É o sinal clássico de polarização na reta final: o eleitor de candidatos menores começa a escolher entre os dois que têm chance.

ESTIMULADATendência: como os números se mexeram em uma semana

Datafolha, 1º turno — antes (17/9) e agora (24/9)

Lula — antes39%
Lula — agora40%
Flávio — antes36%
Flávio — agora36%

Quaest, 1º turno — antes (14/9) e agora (21/9)

Lula — antes36%
Lula — agora37%
Flávio — antes31%
Flávio — agora33%

Variações de 1 ou 2 pontos estão dentro da margem de erro: são oscilações, não viradas.

Governo de Mato Grosso do Sul: Riedel dispara

Em MS, o cenário é bem diferente. A segunda rodada da Quaest, encomendada pela TV Morena e divulgada na sexta-feira (25), mostra o governador Eduardo Riedel (PP) com 51% na estimulada. Fábio Trad (PT) tem 12%, e Delcídio Amaral (PRD), 6%. Somados, todos os adversários chegam a 25%.

ESTIMULADAGoverno de MS, 1º turno — Quaest (21 a 24/9)

Eduardo Riedel (PP)51%
Fábio Trad (PT)12%
Delcídio Amaral (PRD)6%
João Henrique Catan (Novo)3%
Jeferson Bezerra (Agir)2%
Lucien Rezende (PSOL)1%
Renato Gomes (DC)1%
Daniel Lemes (PCO)0%
Branco/nulo/não vai votar9%
Indecisos15%

804 entrevistas, margem de 3 pontos, 95% de confiança. Registros MS-09580/2026 e BR-04113/2026. Contratante: TV Morena.

Na espontânea, Riedel é lembrado sem ajuda por 34% dos eleitores, quase o dobro dos 18% de agosto. Trad é citado por 5%. Mas o número mais importante desse gráfico é o cinza: 55% dos sul-mato-grossenses ainda não sabem citar um candidato a governador de memória. Na estimulada, os indecisos são 15%. Ou seja, muita gente reconhece os nomes quando vê a lista, mas ainda não guardou a escolha.

ESPONTÂNEAGoverno de MS, 1º turno — Quaest (21 a 24/9)

Eduardo Riedel (PP)34%
Fábio Trad (PT)5%
João Henrique Catan (Novo)2%
Branco/nulo/não vai votar4%
Não sabem citar um nome55%

Mais da metade do eleitorado de MS ainda não lembra de nenhum nome sem ajuda, a uma semana da votação.

A tendência em MS

Riedel cresceu 11 pontos em um mês na Quaest. Esse movimento, ao contrário das oscilações nacionais, está bem acima da margem de erro de 3 pontos. É mudança real. A aprovação do governo também subiu, de 62% para 73%, e 68% dos entrevistados dizem que a escolha para governador já é definitiva.

ESTIMULADATendência em MS: agosto x setembro (Quaest)

Riedel — agosto40%
Riedel — setembro51%
Trad — agosto13%
Trad — setembro12%
Indecisos — agosto20%
Indecisos — setembro15%

Na espontânea, a mudança foi ainda maior

Riedel — agosto18%
Riedel — setembro34%
Sem nome — agosto77%
Sem nome — setembro55%

Riedel subiu 11 pontos na estimulada, bem acima da margem de 3. Trad oscilou dentro da margem.

Nas simulações de segundo turno da Quaest, Riedel teria 63% contra 20% de Trad, e 63% contra 19% de Delcídio. Pela regra eleitoral, só há segundo turno se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos. Com 51% do total de entrevistados, Riedel está bem acima dessa linha no retrato atual.

Outras pesquisas em MS apontam na mesma direção

O IPR/Correio do Estado (15 a 19/9, 784 entrevistas) mostra Riedel com 47,70% na estimulada e Trad com 13,90%. O Ipems (5 a 9/9, 800 entrevistas) registrou Riedel com 57,70% e Trad com 11,59%. Institutos diferentes, metodologias diferentes, mesma conclusão: liderança folgada do governador.

Cuidado com o número que viraliza

Nos grupos de WhatsApp circula que Riedel tem "77% na espontânea". O número existe, mas precisa de contexto. O IPR mudou a forma de calcular a espontânea: os 77,68% consideram só as 224 pessoas que citaram algum nome, e não os 784 entrevistados. Na conta sobre todos os entrevistados, o mesmo dado dá 22,19% para Riedel e 3,70% para Trad. Os dois números estão certos. O que muda é a pergunta que cada um responde.

ESPONTÂNEAGoverno de MS — IPR/Correio do Estado (15 a 19/9): o mesmo dado, duas contas

Sobre todos os 784 entrevistados

Eduardo Riedel (PP)22,19%
Fábio Trad (PT)3,7%
Não sabem citar um nome69,64%

Só entre os 224 que citaram alguém

Eduardo Riedel (PP)77,68%
Fábio Trad (PT)12,95%

O IPR mudou a base de cálculo da espontânea entre uma rodada e outra. O "77,68%" soa como avalanche, mas corresponde a 174 pessoas de 784. Registros BR-05239/2026 e MS-06794/2026; margem de 3,5 pontos.

O que o eleitor deve levar desta leitura

  • Para Presidente, é empate técnico. Qualquer manchete que diga que alguém "já ganhou" está exagerando.
  • Para Governador de MS, Riedel é o favorito em todas as pesquisas registradas, com chance real de vencer no 1º turno.
  • Espontânea mede convicção; estimulada simula a urna. Veja as duas antes de tirar conclusões.
  • Margem de erro importa. Diferenças de 1 ou 2 pontos, no Brasil, não mudam o quadro.
  • Confira o registro. Toda pesquisa divulgada precisa de número de registro na Justiça Eleitoral. Sem registro, desconfie.

O primeiro turno é no domingo, 4 de outubro. Se houver segundo turno, ele será em 25 de outubro. Até lá, as pesquisas vão continuar saindo, e a ULTRA NOTÍCIAS vai continuar explicando cada uma delas. O número que realmente conta, porém, só aparece quando você aperta o botão verde.

Por Amin Feres, redator da ULTRA NOTÍCIAS. Fontes: Datafolha/Globo/Folha (BR-00304/2026); Quaest/Globo/O Globo (BR-06004/2026); Quaest/TV Morena (MS-09580/2026 e BR-04113/2026); IPR/Correio do Estado (BR-05239/2026 e MS-06794/2026); Ipems; g1; Valor Econômico; Estadão.

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