Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) mostra o sentimento dos brasileiros em meio aos novos desdobramentos do escândalo do banco Master e da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), a duas semanas do 1º turno das eleições.
O Datafolha perguntou aos eleitores entrevistados quais são os sentimentos deles quando pensam no Brasil de hoje em dia. Segundo a pesquisa, 43% estão otimistas e 37% se dizem pessimistas.
Os números foram calculados a partir das respostas a seis perguntas que citam sentimentos. Veja abaixo.
Pergunta: quando pensa no Brasil de hoje em dia, você se sente.
Eleitores de Flávio Bolsonaro puxam aumento do otimismo, diz Datafolha.
Segundo o Datafolha, o pessimismo é maior entre quem avalia o governo Lula como ruim ou péssimo (64%) e entre eleitores de Flávio Bolsonaro (56%). Também cresce com a escolaridade (de 26% entre quem tem ensino fundamental a 46% entre quem tem curso superior) e com a renda familiar (de 34% na faixa de até 2 salários mínimos a 49% entre quem tem renda superior a 5 salários mínimos).
Por região, varia de 26% no Nordeste a 45% no Sudeste.
Embora os eleitores de Flávio sejam mais pessimistas, afirma o Datafolha, as mudanças em relação a março, de alta no otimismo e recuo no pessimismo, concentram-se entre eleitores do candidato do PL e entre os que se declaram bolsonaristas.
No eleitorado de Flávio, o otimismo saltou de 11% para 20%, e o pessimismo recuou de 70% para 56%. Esse movimento também foi verificado entre quem se identifica como bolsonarista: o otimismo passou de 11% para 23% e o pessimismo caiu de 72% para 56%.
Entre quem se identifica como petista, o otimismo avançou de 63% para 68% e o pessimismo recuou de 20% para 16%.
Entre eleitores de Lula, a parcela de otimistas passou de 67% em março para 71% em setembro, e a de pessimistas, de 16% para 13%.
Em outra pergunta feita pelo Datafolha, 78% dizem sentir mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro e 20% dizem sentir mais vergonha do que orgulho.
O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo. O Datafolha ouviu 2. 002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro.
A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-04029/2026.
Crise no STF e embates entre ministros.
A pesquisa foi realizada em meio à crise no STF, intensificada nas últimas semanas depois que o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.
Desde então, vieram a público outros documentos e mensagens — parte deles ainda sob sigilo — com citações a outros integrantes da Corte e a seus familiares.
Moraes e Gilmar Mendes criticam a condução de Mendonça no caso Master. Moraes o acusa de ter cometido irregularidades e de atropelar procedimentos aplicáveis a investigações que envolvem autoridades com foro.
Gilmar afirma que a atuação do colega teve motivação político-eleitoral. Mendonça nega as acusações.
Na última terça-feira (15), terminou sem decisão a sessão extraordinária convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para discutir o relatório da PF que atribui a Moraes mensagens trocadas com Vorcaro.
A sessão foi marcada por embates e trocas de acusações entre os integrantes do tribunal.
Flávio Dino pediu vista — ou seja, mais tempo para analisar o caso — e tem até 90 dias para devolver o processo ao plenário. O prazo termina em dezembro, após as eleições.
Se ele não os devolver nesse período, o assunto fica automaticamente liberado para nova inclusão em pauta.
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