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Educação

Ensino superior faz renda subir até 110%

Levantamento aponta que 42,8% dos egressos citam a falta de experiência como principal barreira para conseguir trabalho; Medicina lidera o ranking, com 95,7%.

7 min de leitura
Ensino superior faz renda subir até 110%

A conclusão do ensino superior está associada a um salto expressivo de renda entre os profissionais ouvidos pela 5ª Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp.

  • Até 39 candidatos por vaga: por que ficou tão difícil conseguir uma residência médica no Brasil.

O levantamento mostra que 82% dos formados exercem alguma atividade. Considerando apenas quem tem atividade remunerada, 77,1% trabalham na própria área de formação e 22,9% atuam em outro campo.

A situação, porém, varia bastante conforme o curso e a modalidade de ensino.

Os dados também revelam diferenças importantes na inserção profissional: Medicina lidera entre os cursos com maior proporção de formados trabalhando na própria área, e egressos de graduações presenciais conseguem atuar na profissão com mais frequência do que os de cursos à distância.

Trabalhar no campo de formação e avançar para a pós-graduação aparecem associados a rendimentos mais altos, enquanto as mulheres têm média salarial 42,3% menor que a dos homens na amostra.

Diante das dificuldades de entrada no mercado, os participantes defendem mais estágios, atividades práticas e aproximação das instituições de ensino com as empresas.

A pesquisa ouviu 4. 106 egressos de 200 instituições e 134 cursos de todo o Brasil, entre 8 de julho e 23 de agosto de 2026.

Medicina lidera empregabilidade na própria área.

Medicina aparece no topo entre as graduações com maior percentual de profissionais empregados na própria área: 95,7%.

Na sequência, aparecem aparece Odontologia (84,5%), Engenharia Elétrica (80%), Sistemas de Informação (79,2%), Farmácia (77,4%), Fisioterapia (77,1%), Educação Física (75%), Pedagogia (74,8%), Medicina Veterinária (70,4%) e Psicologia (69,4%).

No outro extremo, alguns cursos têm parcelas maiores de profissionais trabalhando fora da área de formação. O maior percentual aparece em Gestão de Pessoas/RH, com 42,2%, seguido por Marketing (32,1%), Engenharia Civil (31%), Análise e Desenvolvimento de Sistemas (30%), Engenharia de Produção (26,1%), Logística (24,6%) e Biomedicina (24,3%).

Já entre os cursos com maior proporção de egressos sem exercer atividade remunerada no momento da pesquisa, Biomedicina e Marketing aparecem empatados, ambos com 34%.

Depois vêm Ciência da Computação (32,5%), Gestão de Pessoas/RH (32,2%), Análise e Desenvolvimento de Sistemas (28%), Logística e Gastronomia (26,3% cada), Nutrição (25,2%), Biologia (24,5%) e Estética e Cosmética (23,3%).

Também nesse recorte foram considerados apenas cursos com mais de 20 respostas.

Presencial tem maior proporção de formados trabalhando na área.

A modalidade da graduação também aparece associada a diferenças na inserção profissional.

Entre os egressos com atividade remunerada que fizeram um curso presencial, 81,3% trabalham na área em que se formaram. Entre os que cursaram uma graduação semipresencial, são 75%.

Consequentemente, 41,6% dos formados em cursos à distância que têm atividade remunerada trabalham em uma área diferente daquela da graduação, ante 18,7% entre os que fizeram cursos presenciais.

A amostra da pesquisa, no entanto, é fortemente concentrada no ensino privado: 98,5% dos entrevistados fizeram a graduação em instituições particulares, sendo 53,3% com bolsa ou financiamento e 45,2% sem esses recursos.

Além disso, 66% haviam terminado a graduação havia menos de três anos, o que dá ao levantamento uma presença importante de profissionais em fases iniciais da trajetória após o diploma.

Falta experiência para conseguir emprego, mas vagas exigem experiência.

Apesar dos indicadores de inserção, os relatos dos entrevistados revelam um problema na passagem entre a universidade e o mercado.

Questionados sobre as dificuldades para exercer uma atividade remunerada após o ensino superior, 42,8% apontaram a falta de experiência na área. Em seguida aparecem salários baixos, citados por 29,6%, e falta de vagas na área de formação, mencionada por 26,2%.

Também foram citadas a adaptação à nova rotina profissional (16%), dificuldades de networking (15,7%) e falta de vagas em qualquer área (9,3%). Como era possível selecionar mais de uma alternativa, os percentuais não somam 100%.

A dificuldade ocorre mesmo em uma amostra na qual boa parte dos entrevistados já tinha contato com o mercado antes de receber o diploma. Seis em cada dez (60,6%) já exerciam atividade remunerada durante a graduação, enquanto 18,1% fizeram estágio remunerado ou não remunerado e 21,3% não trabalhavam.

Nas respostas abertas de quem se sentiu pouco ou nada preparado para o mercado, aparecem repetidamente a falta de experiência prática, a insuficiência de estágios e a distância entre a teoria ensinada na graduação e as demandas encontradas no trabalho.

Os entrevistados também mencionaram cursos pouco atualizados, falta de oportunidades e necessidade de buscar qualificação complementar depois da faculdade.

Diploma praticamente dobra rendimento médio.

Se entrar no mercado ainda representa um desafio, os números da pesquisa indicam uma mudança importante de renda depois da formação.

O estudo faz uma ressalva: o aumento não pode ser atribuído exclusivamente ao diploma, porque também pode refletir experiência profissional, progressão na carreira e mudanças de ocupação.

Trabalhar na área está associado a salários mais altos.

Os resultados também apontam diferenças entre quem conseguiu seguir a profissão escolhida e quem trabalha em outro setor.

O estudo ressalta que esses números, isoladamente, não permitem concluir que trabalhar fora da área cause uma renda menor. Eles mostram uma associação entre atuar na profissão de formação e uma presença maior nas faixas salariais mais elevadas.

Pós-graduação aparece associada a renda maior.

O nível de escolaridade também está relacionado a diferenças expressivas de remuneração.

262 entre aqueles com pós-graduação stricto sensu, grupo que inclui mestrado, doutorado e pós-doutorado.

A continuidade dos estudos é frequente na amostra. Depois da graduação, 50,6% fizeram cursos on-line, 49,6% cursos livres, 42,1% certificações profissionais e 36,6% especialização.

Apenas 15,4% disseram não ter realizado nenhuma formação adicional. Como a pergunta permitia mais de uma resposta, um mesmo participante podia aparecer em diferentes categorias.

Mulheres têm rendimento médio 42,3% menor que o dos homens na amostra.

A pesquisa também encontrou uma diferença relevante de remuneração por gênero entre os participantes com atividade remunerada.

A análise não incluiu respondentes de outros gêneros devido ao tamanho insuficiente da amostra.

O levantamento também registra diferença na satisfação com a trajetória profissional: 65,8% das mulheres se declararam satisfeitas ou muito satisfeitas, ante 74,3% dos homens.

Inteligência artificial já muda o trabalho, mas graduação deixa lacuna.

Outro ponto destacado pela pesquisa é a distância entre a velocidade das mudanças tecnológicas no mercado e a preparação recebida durante o ensino superior.

Quase metade dos entrevistados — 49,4% — afirma que a inteligência artificial aumentou sua produtividade ou transformou significativamente suas atividades. Separadamente, 29,9% dizem que a tecnologia aumentou a produtividade e 19,5% afirmam que ela mudou de maneira significativa o que fazem.

Outros 20,6% dizem que a IA exigiu novas competências.

Apesar disso, somente 27,8% avaliam que a graduação os preparou plena ou parcialmente para usar ferramentas digitais e inteligência artificial. Apenas 7,1% se consideram plenamente preparados e 20,7%, parcialmente preparados.

Outros 26,5% dizem ter recebido pouca preparação e 45,7%, nenhuma.

Nas considerações finais, o levantamento aponta justamente as competências relacionadas à IA entre as principais lacunas identificadas, ao lado de visão de negócios, empreendedorismo, liderança, comunicação e inteligência emocional.

Egressos pedem mais estágio e aproximação com empresas.

Ao serem questionados sobre como as instituições poderiam ajudá-los mais na busca por emprego, os participantes concentraram as respostas em uma maior conexão entre universidade e mercado.

Entre as sugestões estão ampliar parcerias com empresas, criar programas de primeiro emprego, aumentar a oferta de estágios — especialmente remunerados —, divulgar vagas, oferecer orientação de carreira e preparar estudantes para currículos e entrevistas.

Os egressos também defendem mais atividades práticas, projetos reais e vivências profissionais durante a graduação, além de atualização dos currículos diante das mudanças do mercado.

O uso prático de novas tecnologias e inteligência artificial aparece entre as demandas, assim como acompanhamento dos alunos mesmo depois da formatura e preparação para empreendedorismo e trabalho autônomo.

No balanço final, a própria pesquisa resume o cenário em duas frentes: o diploma permanece associado à mobilidade profissional e econômica, mas, sozinho, não encerra a formação nem elimina as barreiras de entrada no mercado.

Experiência, competências digitais e atualização contínua ganham peso na trajetória dos profissionais.

O levantamento ressalta que não tem pretensões acadêmicas ou científicas. Entre os objetivos estão acompanhar inserção profissional, renda, satisfação com a carreira, desenvolvimento de competências e os impactos da formação superior.

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