JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos.
A indústria automotiva chinesa está em franca expansão no exterior, conquistando mercados da Europa ao Sudeste Asiático e pressionando montadoras tradicionais como Toyota e Volkswagen.
Mas a situação é diferente no mercado interno. As vendas de carros vêm caindo desde o fim do ano passado, em meio à fraca demanda dos consumidores e a anos de intensa concorrência de preços, que deixaram o maior mercado automotivo do mundo saturado e com excesso de capacidade.
Efeito China': ofensiva chinesa traz 7 novas marcas de carros ao Brasil até 2028.
🚗 Embora grandes montadoras chinesas como BYD, Geely e Chery há muito busquem se tornar grandes players globais, a rápida expansão internacional agora é impulsionada tanto pela ambição quanto pela necessidade econômica, segundo analistas e especialistas do setor.
Vendas na China caem pelo 10º mês seguido.
Na direção oposta, as exportações dispararam 88%, para 923 mil veículos.
Embora os dados incluam marcas estrangeiras que produzem na China, a tendência de queda de dois dígitos no mercado doméstico e crescimento de dois dígitos nas exportações também aparece entre as montadoras chinesas.
Cui Dongshu, presidente da associação de automóveis de passageiros, atribuiu a fraqueza recente aos preços elevados dos combustíveis, que prejudicaram a demanda por veículos movidos a gasolina, além da persistente desaceleração no segmento de sedãs básicos.
Excesso de produção aumenta pressão por exportações.
Diante da demanda interna fraca, as montadoras chinesas têm um incentivo cada vez maior para acelerar a expansão no exterior, que já estava em andamento.
Para ele, a internacionalização “está se tornando uma necessidade estratégica” para as principais montadoras chinesas.
A situação do setor automotivo reflete uma dinâmica mais ampla da economia chinesa. Fábricas em expansão e exportações impulsionam o crescimento, enquanto um mercado imobiliário fraco e o baixo consumo restringem a demanda interna.
Mercado doméstico encolhe enquanto exportações avançam.
No primeiro semestre deste ano, as vendas domésticas de automóveis na China caíram 2,3 milhões de veículos em relação ao mesmo período do ano anterior, uma queda de 20%.
O volume equivale ao total de registros de carros novos no Japão, quarto maior mercado automotivo do mundo, durante o mesmo período.
Enquanto isso, as exportações chinesas de automóveis aumentaram 71% no primeiro semestre.
Segundo a analista do HSBC Yuqian Ding, a demanda doméstica por carros provavelmente se estabilizará e poderá começar a se recuperar entre o fim de agosto e setembro, com o lançamento de novos modelos.
Ainda assim, uma recuperação rápida em formato de V parece improvável, afirmou.
Brasil como "solução" para o problema.
A importação de veículos chineses para o Brasil mais que dobrou nos sete primeiros meses de 2026. Os embarques da China para o mercado brasileiro cresceram 105,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Ao todo, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao registrado nos primeiros sete meses de 2025, segundo Anfavea.
Desse volume total de veículos importados, mais de 180 mil vieram da China. O que corresponde a 52,4 % das importações do período.
A ofensiva de montadoras chinesas no mercado brasileiro deve ganhar ainda mais força nos próximos anos. Sete novas marcas confirmaram planos de chegar ao país até 2028.
O movimento inclui quatro marcas ligadas à Chery International, além da Dongfeng, que adotará a sigla M no Brasil, e da IM, divisão de luxo da MG. A estratégia ocorre em um mercado que já registra forte presença de fabricantes chineses.
No ano seguinte, será a vez de Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira Exeed. Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês.
Até 2031, a meta é superar 1 mil lojas e 500 mil veículos vendidos no ano.
Além das marcas da Chery, a Dongfeng confirmou sua chegada ao mercado brasileiro e adotará a sigla M.
BYD compensa queda na China com vendas no exterior.
A BYD é um exemplo dessa mudança de estratégia.
A montadora registrou queda de 35% nas vendas no mercado doméstico nos primeiros sete meses do ano, mas compensou parte da retração com um aumento de 79% nas vendas no exterior na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Brasil e Reino Unido emergiram como os maiores mercados individuais da BYD fora da China em 2026.
China ameaça liderança de montadoras japonesas.
A crescente presença chinesa no exterior representa um desafio particularmente forte para o Japão.
Desde 2023, a China é a maior exportadora mundial de veículos, posição que durante muito tempo pertenceu ao rival asiático.
A vantagem chinesa atualmente é mais ampla, segundo o executivo, e inclui eletrificação, baterias, software, recursos inteligentes, escala da cadeia de suprimentos e desenvolvimento acelerado de produtos.
Em números
- Na direção oposta, as exportações dispararam 88%, para 923 mil veículos
- Ao todo, o Brasil importou 344,1 mil autoveículos até julho, volume 25,7% superior ao
- Desse volume total de veículos importados, mais de 180 mil vieram da China
- Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Economia, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.