Ir para o conteúdo
Economia

Tribunal do Cade vai contra área técnica e aprova compra de central de registros pela B3

Bolsa de Valores brasileira amplia seu poder de mercado com o negócio

3 min de leitura
Economia — imagem padrão

O tribunal do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a compra do controle da CRDC (Central de Registro de Direitos Creditórios) pela B3, ampliando o poder de mercado da Bolsa de Valores brasileira.

  1. Nova Bolsa de Valores do Rio troca de CEO e prevê iniciar operação em 2027.

A CRDC é uma empresa que atua no registro de ativos financeiros, como duplicatas, CDBs (Cédulas de Crédito Bancário), CPRs (Cédulas de Produto Rural) e notas promissórias.

A companhia presta serviços para instituições como bancos, fintechs, fundos de recebíveis, factorings e securitizadoras. O registro permite identificar os direitos creditórios e dar segurança às operações de crédito que têm esses ativos como lastro.

Os conselheiros decidiram dar aval ao negócio após um acordo firmado com a empresa, que está em sigilo. A área técnica do Cade havia sugerido a reprovação da operação, após identificar que a B3 concentraria ainda mais o mercado.

A CRDC é controlada pela Associação Comercial de São Paulo, que é sua atual única acionista. O negócio em análise pelo Cade prevê que a B3 compre 60% da empresa e estabeleça, ao mesmo tempo, um acordo de parceria com a CRDC e a associação.

A operação coloca a B3, que já tem forte presença na infraestrutura do mercado financeiro, em um segmento no qual a CRDC é uma das empresas que fazem o registro de ativos.

O conselheiro relator do caso foi José Levi, seguido por unanimidade pelos demais três membros do tribunal do Cade, que também entenderam que não há riscos concorrenciais com o acordo firmado.

Em maio, a Superintendência-Geral recomendou a reprovação da operação e enviou o caso ao tribunal da autarquia. Para a área técnica, a compra eliminaria um concorrente em mercados considerados concentrados e com barreiras à entrada.

O Cade também apontou riscos decorrentes da combinação entre a posição da B3 em diferentes mercados e a atuação da CRDC, incluindo a possibilidade de uso de serviços combinados, descontos e outras estratégias para favorecer a empresa em mercados relacionados.

A CERC (Central de Recebíveis), uma das principais concorrentes da CRDC no mercado de registro de direitos creditórios, contestou a operação.

Juliana Domingues, advogada da CERC no caso e ex procuradora-chefe do Cade, afirmou que a empresa concorrente sugeriu mecanismos de prevenção de subsídios cruzados para preservar a transparência das tarifas cobradas no mercado, o que foi contemplado pelo acordo aprovado.

A participação do terceiro interessado garantiu a preservação da concorrência nesse mercado", afirmou.

O acordo também prevê que uma cláusula de acompanhamento de seu cumprimento por um agente independente.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Economia