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Economia Revisado por ULTRA AI

Recuperações judiciais batem recorde; é hora de fugir do crédito privado?

Números do BC mostram deterioração do crédito corporativo, mas ainda longe dos piores níveis da série histórica

3 min de leitura
Economia — imagem padrão

Nesta quinta-feira (20), o Banco Central divulgou sua Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito, que mostra como as instituições financeiras estão percebendo a evolução do risco e ajustando sua disposição para emprestar.

Ela chega em um momento particularmente interessante.

De um lado, multiplicam-se as notícias sobre o número recorde de empresas em recuperação judicial. Do outro, quando combinamos a pesquisa com as estatísticas de inadimplência divulgadas pelo próprio BC, não encontramos uma explosão semelhante no crédito empresarial.

Como as duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo.

A resposta começa por uma distinção simples, mas importante: quantidade e severidade não são a mesma coisa. Contar empresas em recuperação judicial dá o mesmo peso a uma pequena empresa e a uma companhia com bilhões de reais em dívidas.

Para o investidor, entretanto, não importa apenas quantas empresas tiveram problemas, mas quanto do crédito concedido está efetivamente deixando de ser pago. Frequência de eventos e severidade financeira são conceitos diferentes.

Para saber o que efetivamente está acontecendo com a inadimplência, precisamos recorrer às Estatísticas Monetárias e de Crédito, também divulgadas mensalmente pelo Banco Central.

Em junho, a inadimplência das empresas no Sistema Financeiro Nacional estava em 3,2%, alta de 0,5 ponto percentual em 12 meses. É uma piora, mas ainda abaixo do pico de 4,1% registrado em 2017.

No crédito livre, a diferença é ainda maior: os atuais 4,0% estão bem distantes dos 6,1% alcançados naquele período. Portanto, enquanto as recuperações judiciais batem recordes, a inadimplência empresarial sequer está próxima de seu máximo histórico.

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A situação é diferente quando olhamos para as famílias. Em junho, a inadimplência das pessoas físicas chegou a 5,6%, avanço expressivo de 1,2 ponto percentual em apenas 12 meses.

É um nível próximo dos piores momentos da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011, quando a inadimplência das famílias chegou à casa de 6% durante a recessão de 2015 e 2016.

Mas também não estamos no máximo histórico como muito se fala em mídias sociais. No crédito livre, a inadimplência atual já alcança 7,6%. Portanto, se existe hoje um segmento em que a deterioração merece preocupação maior, os números apontam muito mais para as famílias do que para as empresas.

O Relatório de Estabilidade Financeira reforça essa leitura. O Banco Central afirma que a materialização de risco nas carteiras de empresas permaneceu relativamente estável e que as probabilidades de default vinham caindo em todos os portes, embora ainda estivessem em níveis elevados, especialmente entre empresas médias.

Entre companhias abertas, receita e Ebitda ainda sustentavam indicadores de endividamento e cobertura de juros relativamente adequados, apesar da expectativa de alguma piora adiante.

A pesquisa divulgada nesta quinta, contudo, mostra que não há espaço para complacência. Os bancos relatam condições de crédito mais restritivas para empresas e apontam a inadimplência entre os principais fatores de cautela.

Ao mesmo tempo, cresce a procura por capital de giro, enquanto a demanda por financiamento para investimento em ativo fixo permanece fraca. É um sinal de maior seletividade e de pressão sobre algumas empresas, mas ainda não de uma crise generalizada do crédito corporativo.

Isso ajuda a entender por que o recorde de recuperações judiciais precisa ser interpretado com cuidado. Uma possível explicação, que os dados do Banco Central sozinhos não permitem comprovar, é que o instrumento esteja sendo utilizado com maior frequência por empresas menores, inclusive em segmentos do agronegócio.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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