Os juros reais ao redor do mundo atingiram recentemente patamares que não se viam havia muito tempo.
Nos EUA, o título do Tesouro de 30 anos protegido da inflação superou 3%, a maior taxa de juros reais em quase 20 anos. Na Alemanha, a taxa de juros reais do título de dez anos é a maior dos últimos 15 anos.
E o Japão, que conviveu por décadas com juros nominais perto de zero —e com juros reais por muitas vezes negativos– tem hoje a taxa real dos títulos de dez anos em território positivo.
Existem muitas possíveis razões por trás desse fenômeno, mas fato é que tomar emprestado ficou mais caro.
A primeira está relacionada à própria dívida dos governos. No pós-pandemia, os países aumentaram fortemente os gastos públicos, e essa expansão elevou substancialmente o endividamento em praticamente todas as economias.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a dívida bruta passou de 100% para 120% do PIB de 2019 a 2021, mantendo-se nesse patamar desde então. Embora não haja uma notícia recente que explique por que, de repente, preocupações com a solvência possam ter ganhado espaço —a deterioração fiscal já vem ocorrendo há anos—, é razoável haver cada vez mais cautela por parte de quem financia essas dívidas, exigindo um retorno maior para um investimento mais arriscado.
Uma segunda explicação está associada à inteligência artificial, que promete grandes transformações no mercado de trabalho e ganhos expressivos de produtividade.
Aumentos de produtividade estão naturalmente associados a juros mais altos, já que o retorno esperado do capital investido aumenta. Além disso, parte importante da expansão no uso mais intensivo dessa tecnologia está condicionada a investimentos significativos em infraestrutura física, como data centers, chips e energia, financiado também através de dívida.
A maior necessidade de financiamento das empresas também pressiona os juros mais longos. E os investimentos, por sua vez, funcionam como impulsos de demanda que pressionam a inflação e, por tabela, os próprios juros.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.