Luiz Inácio Lula da Silva 3 e Jair Bolsonaro jamais obtiveram nota "ótimo ou bom" de mais do que 38% do eleitorado, pelos dados do Datafolha. A popularidade presidencial varia de modo amplo.
- Choque de realidade leva Lula 3 a reconquistar alguns pobres e jovens.
- Datafolha: Eleitor se divide sobre Lula ou Flávio como vencedor de debate, e maioria diz ter assistido.
- Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 51% dos votos válidos e Lula, 49%, em empate técnico.
Presidentes que atingiram aprovação maior do que Lula 3 e Bolsonaro passaram também por baixas de prestígio importantes.
Mas: 1) Chegaram a ter prestígio muito maior do que Lula 3 e Bolsonaro, ressalte-se; 2) Não contavam desde o início e por quase o mandato inteiro com a desaprovação de um terço do eleitorado ou muito mais (aquele que dá nota "ruim ou péssimo").
Foi o caso de FHC 1, Lula 1 e 2, Dilma 1.
A impopularidade de FHC 2 e de Dilma 2 pode ser explicada por crises agudas, graves ou até pontuais. A insatisfação crônica e o mal-estar difuso com Lula 3 e Bolsonaro parecem de outra espécie.
Talvez se devam à "polarização", para usar termo impreciso, mas sintético. Talvez se devam a danos socioeconômicos da década de crises e sequelas (2014-2023): alto custo de vida, dívida, degradação do trabalho, expectativa baixa de mobilidade social, novas aspirações.
Ou à política depravada por algoritmos. Ou a tudo isso. O fenômeno não é local e está associado também à ascensão da extrema direita. É clara a dificuldade de reeleição de governos pelo mundo, faz quase década.
A eleição presidencial deste 2026 vai repor a situação desta nova era de extremos, com a votação dividida. É provável que o novo governo comece com aprovação limitada, sob crise difusa e política conflituosa.
O ano de 2027 será difícil na economia, com piora do nível de vida (salário, emprego e benefícios sociais ao menos contidos), com risco de recessão. A disputa por recursos públicos será profunda.
Um Lula 4 estará politicamente emparedado. Um Bolsonaro 2 tentará de início revanches e indultos tumultuários. Estelionatos eleitorais degradarão prestígios. Demagogias acelerarão crises de fundo.
Presidentes impopulares e/ou sem apoio parlamentar são depostos pelo Congresso (Fernando Collor, Dilma Rousseff) ou a ele entregam grande poder (Michel Temer, Jair Bolsonaro).
É um semipresidencialismo sob chantagem ou um semiparlametarismo de avacalhação. Ainda mais depois da ascensão do centrão, definitiva em 2014, esse se tornou nosso regime, na prática.
Grandes reconfigurações políticas podem alterar esse regime, para pior ou melhor. Por hipótese, apenas, cite-se uma grande aliança de centro à esquerda de oposição ao projeto autoritário da extrema direita.
Por outro lado, a destruição paulatina das instituições democráticas pela extrema direita pode alterar o jogo.
Esses projetos alternativos dependem em algum grau de novas alianças sociais e econômicas, pelo alto ou por baixo, talvez um projeto socioeconômico diferente, sempre de implementação lenta e difícil.
Um sucesso econômico extraordinário também altera as condições dessa política, mas estará fora do horizonte dos próximos anos. Planos conservadores, na economia e na política, podem estabilizar a situação.
É razoável especular que o próximo presidente terá de início, no mínimo, baixa popularidade. A reação de governo e Congresso a essa situação é a incógnita. A dificuldade econômica amplifica riscos políticos.
A reorganização de forças políticas e alianças sociais, com lideranças novas, será mais do que sempre importante para que se evitem desastres duradouros (autoritarismo) e se procure a refundação das possibilidades de progresso.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…