MP pede que TCU faça auditoria nos projetos de exploração de terras raras no Sul de MG.
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- 🔎 As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados na fabricação de produtos como celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa. Apesar do nome, não são necessariamente raras: o desafio é encontrar depósitos com concentração suficiente para que a extração seja economicamente viável.
Com a operação, a empresa australiana passará a controlar o projeto Caldeira, de terras raras, em Minas Gerais.
A Meteoric Resources, também australiana, é responsável pelo desenvolvimento do Caldeira, considerado um dos principais projetos de terras raras do Brasil.
Segundo o comunicado, a compra será feita por meio de uma troca de ações. Os acionistas da Meteoric receberão 0,0207 ação da Lynas para cada ação que possuem.
A transação ainda depende da aprovação dos acionistas da Meteoric, de autorização judicial e de aprovações regulatórias.
As empresas esperam enviar aos acionistas, em dezembro, um documento com os detalhes da operação. A assembleia está prevista para janeiro de 2027 e, se todas as condições forem cumpridas, o negócio deve ser concluído até março.
A aquisição também precisa de aprovação brasileira para a mudança de controle da Meteoric. A exigência está prevista na nova lei de minerais críticos, sancionada em setembro, que criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) e passou a exigir a homologação de mudanças de controle de empresas com direitos minerários relacionados a esses minerais.
A medida busca estimular a pesquisa, a extração e o processamento de minerais críticos e estratégicos no Brasil, com o objetivo de reduzir a exportação de minério bruto e ampliar a industrialização do setor.
Terras raras são alvo de disputa entre grandes potências.
Esses minerais também são alvo de disputa entre grandes potências por sua importância estratégica para a indústria, a tecnologia e a transição energética. A China responde por cerca de 70% da produção mundial e concentra etapas importantes do processamento e da fabricação de ímãs.
A dependência levou Estados Unidos e União Europeia a buscar novas fontes e reduzir a exposição ao mercado chinês.
O Brasil tem grandes recursos de terras raras, com ocorrências em estados como Goiás, Minas Gerais, Bahia e Amazonas. O país também possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, segundo os dados apresentados no material.
O interesse internacional pelas reservas brasileiras, inclusive, ganhou espaço nas negociações entre Brasil e EUA em meio ao tarifaço. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), representantes americanos demonstraram interesse em acordos para a aquisição de minerais estratégicos do Brasil.
A Serra Verde opera a mina Pela Ema, em Goiás, que produz neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, usados em veículos elétricos, eletrônicos, sistemas de energia e equipamentos militares.
O principal ativo que será adquirido pela Lynas é o projeto Caldeira, em Minas Gerais. As empresas o descrevem como o maior recurso conhecido de terras raras em argilas iônicas fora da China.
O projeto tem recursos minerais estimados em 128 milhões de toneladas e já conta com um estudo definitivo de viabilidade, que avalia aspectos técnicos e econômicos do empreendimento.
Segundo a Lynas, o Caldeira possui recursos estimados em 802 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio (NdPr) e 41 mil toneladas de óxidos de disprósio e térbio (DyTb).
Esses elementos são usados, entre outras aplicações, na fabricação de ímãs de alto desempenho.
Com base nas projeções do estudo de viabilidade da Meteoric, o projeto tem potencial para produzir, em média, cerca de 3. 862 toneladas de NdPr e 127 toneladas de DyTb por ano ao longo de sua vida útil.
Se o negócio for concluído, os atuais acionistas da Meteoric deterão aproximadamente 5,9% das ações da Lynas, considerando a base totalmente diluída.
O conselho da Meteoric recomendou por unanimidade que os acionistas aprovem a operação. A recomendação está condicionada à ausência de uma proposta considerada superior e à conclusão de um especialista independente de que o negócio atende aos interesses dos acionistas.
O maior acionista da Meteoric, Tolga Kumova, e entidades associadas, que atualmente detêm cerca de 6,7% das ações da companhia, também manifestaram intenção de votar a favor da operação sob essas mesmas condições.
Se a operação for concluída, a Lynas afirma que pretende trabalhar com a equipe atual da Meteoric e aproveitar o conhecimento da companhia sobre o projeto e o setor mineral brasileiro.
Em números
- O projeto tem recursos minerais estimados em 128 milhões de toneladas e já conta com um estudo definitivo
- Segundo a Lynas, o Caldeira possui recursos estimados em 802 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio (Nd
- 862 toneladas de NdPr e 127 toneladas de DyTb por ano ao longo de sua vida útil
- Empresa australiana compra projeto de terras raras em Minas Gerais por R$ 3,5 bilhões
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