O impacto das recentes tensões comerciais entre o governo Trump e o governo federal, com imposição de taxas ao Brasil e a ativação da Lei de Reciprocidade, sobre os gastos de um brasileiro em uma viagem de fim de ano no exterior é limitado, ao contrário do impacto das eleições, segundo Augusto Parente, especialista em finanças e investimentos e sócio-fundador da AW Capital.
Por isso, especialistas recomendam não tentar acertar o melhor momento do câmbio, mas diluir as compras ao longo dos próximos meses.
Vou viajar em dezembro/janeiro. Devo comprar dólar agora.
Não adianta tentar acertar o melhor momento de comprar dólar. Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro certificado (CFP) e especialista em investimentos e finanças pessoais, o melhor caminho é construir uma posição gradualmente.
Parente concorda com a necessidade de antecipação, uma vez que a proximidade das eleições presidenciais, em outubro, pode manter o mercado mais sensível a notícias e gerar novas oscilações até o fim do ano.
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Além do câmbio, o preço das passagens merece atenção. As companhias aéreas têm custos expostos a fatores dolarizados e ao preço do combustível de aviação, enquanto a demanda também influencia diretamente o valor das tarifas em períodos de alta procura, como Natal e Ano-Novo.
O querosene de aviação (QAV), principal combustível utilizado pelas aeronaves, passou por forte pressão ao longo de 2026, devido à conflitos no Oriente Médio. Os preços começaram a recuar novamente em junho, quando a Petrobras reduziu o QAV em 14,2%, seguido por novo corte de 14,5% em julho.
Mesmo assim, combustível acumulava alta de 40,5% no ano em julho.
As passagens aéreas, por sua vez, acumulam alta de 13,69% no ano, segundo o IPCA. Em 12 meses, o aumento é de 41,89%.
Na hora de utilizar o dinheiro durante a viagem, as contas internacionais seguem entre as alternativas mais competitivas para muitos viajantes. Segundo Patzlaff, contas globais costumam oferecer acesso a taxas de câmbio mais próximas das referências comerciais e, em muitos casos, spreads cambiais inferiores.
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O IOF para operações de câmbio destinadas à disponibilização de recursos no exterior é de 3,5%. Para operações destinadas a investimento, a alíquota é de 1,1%, conforme a finalidade da operação.
Para além do câmbio, os especialistas alertam que o principal problema costuma ser a falta de planejamento. E um erro comum é subestimar pequenos gastos do dia a dia, como restaurantes, transporte por aplicativo, impostos locais, compras não planejadas e gorjetas.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a conta final em restaurantes pode ficar significativamente acima do valor exibido no cardápio, o que costuma surpreender turistas menos habituados ao destino.
Por isso, a recomendação é estabelecer um limite diário de gastos antes do embarque e reservar antecipadamente os principais itens da viagem, como passagens, hospedagem e atrações mais disputadas.
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Já os cartões de crédito internacionais emitidos no Brasil costumam ser menos competitivos porque combinam IOF de 3,5% com spreads geralmente mais elevados. Ainda assim, podem ser úteis para cauções em hotéis, aluguel de veículos, compras que exigem cartão de crédito e situações de emergência.
A compra de moeda em espécie também pode perder competitividade. Além do IOF, casas de câmbio normalmente trabalham com uma taxa mais alta, comumente o dólar turismo, além do risco de perda ou roubo.
Por isso, o dinheiro em espécie pode ser útil para pequenas despesas, gorjetas ou estabelecimentos que não aceitam cartão, mas não deve representar a maior parte do orçamento da viagem.
Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.